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terça-feira, 23 de maio de 2023

Caso Vini Jr

Os três torcedores presos em Valência por insultos racistas contra Vinicius Junior no estádio Mestalla foram liberados pela polícia espanhola.

Os torcedores espanhóis com idades entre 18 e 21 anos foram liberados com a obrigação de comparecer em tribunal.

A Polícia prendeu os torcedores sob a acusação de crime relacionado ao exercício dos direitos fundamentais e das liberdades públicas.

A investigação contou com a colaboração do Valencia, e ainda está aberta para identificar outros possíveis autores.

A informação é da TVE, maior grupo audiovisual da Espanha.


A Polícia da Espanha informou que, no total, sete torcedores foram presos na manhã de hoje. Três deles pelos insultos racistas na partida entre Valencia e Real Madrid, e os outros quatro pela simulação de enforcamento com um boneco que usava a camisa de Vini Jr em janeiro deste ano.

Os quatro presos por causa do boneco que fazia referência ao atacante têm ligações com torcidas organizadas do Atlético de Madri e são jovens de 19, 21, 23 e 24 anos.

Os outros três detidos em Valência foram liberados após prestarem depoimento.

Retirado do UOL-FOLHAPRESS

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Lei Geral do Esporte

O Senado aprovou o projeto da Lei Geral do Esporte, que estabelece a regulamentação da prática desportiva no Brasil em um único texto legislativo. Após diversas tentativas e adiamentos, o projeto foi aprovado e agora segue para sanção presidencial.


O projeto prevê punições para as torcidas organizadas por condutas discriminatórias, racistas, xenófobas, homofóbicas ou transfóbicas. Torcedores podem ser impedidos de comparecer a eventos esportivos por até cinco anos.

A versão aprovada pelo Senado, que rejeita parte das mudanças feitas pela Câmara, traz um novo marco regulatório com mais de 200 artigos, reunindo dispositivos de diversas leis que tratam do esporte e revogando várias delas.

A relatora do texto, a senadora Leila Barros (PDT-DF), citou avanços como a participação da sociedade civil no Conselho Nacional do Esporte, a valorização das mulheres tanto nas premiações quanto na direção da atividade esportiva, a definição clara dos direitos e deveres de atletas e organizações, a transparência no uso dos recursos públicos e a promoção da paz, da segurança e da tolerância no ambiente esportivo.

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quinta-feira, 23 de março de 2023

Torcidas organizadas, Estado, violência e a necessidade de um debate não maniqueísta

 Por Rafael Bastos

As cenas de violência que antecederam o clássico carioca Flamengo x Vasco, no domingo 05 de março do presente ano, trouxeram, mais uma vez, as torcidas organizadas (TOs) de times de futebol, para as capas dos nossos jornais.

O senso comum tende a rotular tais organizações como marginais. Este processo, por um lado, vem sendo alimentado pela própria ação das respectivas torcidas, mas muito fortemente pela imprensa e pelo poder público, como o judiciário, o Ministério Público e a Polícia Militar. Trato, neste texto, sobre um pouco da complexidade das TOs, a insuficiência deste tipo de olhar hegemônico e sobre o fracasso persistente das ações estatais.

Na posição de admirador do futebol e curioso sobre o assunto, também integro movimentos de torcedores. Uma coincidência inusitada me levou a vivenciar, de perto, um pouco dos bastidores da confusão fluminense, que agora compartilho de um modo reflexivo.

No dia 01 de março, ocorreu, em Nova Iguaçu, o confronto entre a equipe de mesmo nome da respectiva cidade da baixada contra o colossal Esporte Clube Vitória. A partida válida pela primeira fase da Copa do Brasil acabou, infelizmente, com uma emboscada de torcedores do Vasco contra integrantes da torcida do Vitória e membros de uma TO do Flamengo e aliada do Vitória.

Por conta da participação no jogo, nossa representação de torcedores, fez contato prévio com o policiamento local. No dia da partida, notamos uma baixa presença deste órgão de segurança pública. Algo até razoável, a priori, uma vez que não há histórico de atrito entre as torcidas do Nova Iguaçu e do Vitória. Todavia, após o trágico episódio, concluímos que houve falha no policiamento, à medida que foi compreendida a dinâmica do ataque e percebendo a quantidade de pessoas mobilizadas, no final da partida, de fora do Estádio se deslocando ao nosso encontro.

 

Posteriormente, as notícias sobre o episódio foram categóricas, na sua maioria, ao apontar que torcidas protagonizaram uma confusão. Porém, vivenciando o processo de perto, ficou evidente que as manchetes foram insuficientes para relatar a dinâmica do confronto.

Voltando ao clássico carioca, do dia 05 de março, muitos grupos de torcedores foram alertados, via redes sociais, sobre a possibilidade de embates entre vascaínos e flamenguistas. No próprio dia da partida, a movimentação na cidade, em múltiplos pontos, evidenciou que a organização dos torcedores para àquele jogo estava vários tons mais acirrados do que o de costume. A tragédia anunciada se confirmou com uma morte, brigas intensas perto do Maracanã, nos sistemas de transporte e em alguns bairros mais distantes, como Madureira.

 

Rapidamente, as principais TOs do Vasco (Força Jovem) e do Flamengo (Raça Rubro-Negra e Jovem Fla) publicaram, nas redes sociais, notas explicando os procedimentos adotados por eles junto ao Batalhão Especializado em Policiamento de Estádios (BEPE). Houve uma convergência no entendimento de que nos locais onde o BEPE estava próximo, não ocorreram confrontos, mas que os participantes estranharam algumas mudanças na linha de ação do BEPE, como o reposicionamento dos locais de acesso para cada torcida. Também alegaram falta de policiamento, em alguns pontos estratégicos, próximos ao Maracanã. Diante da minha experiência prévia e lendo a situação, tendo a concordar com os discernimentos das torcidas mencionadas.


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