domingo, 31 de janeiro de 2010

Filmes para a vida

"Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". Essas palavras, escritas no ano de 1875 pelo poeta britânico William Ernest Henley, animaram o então prisioneiro e ex-presidente da África do Sul (1994-1999), Nelson Mandela, o tempo todo em que o mesmo permaneceu preso injustamente em Robben Island (agosto de 1962 até fevereiro de 1990), realizando trabalhos forçados.

Essa também é a frase mencionada ao menos umas duas vezes no filme Invictus, que estreiou na sexta-feira (29/01) nas salas de cinema aqui em Salvador. Não tenho dúvidas de que este filme será mais um que deverá compor a filmoteca de todos professores de educação física (ou não) que costumam utilizar a linguagem cinematográfica como um recurso a mais de abordagem dos conteúdos da cultura corporal.

O filme, um longa metragem de estilo dramático, é dirigido por Clint Eastwood, que também já nos proporcionou no belíssimo filme "Menina de Ouro", lançado em 2004, oportunidades de pedagogização do conteúdo Lutas nas aulas de educação física.

No filme Invictus, um outro ator, que trabalhou no filme Menina de Ouro, também aparece. Trata-se de Morgan Freeman, interpretando nada mais, nada menos do que o presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Aliás, para quem não sabe, foi o próprio Mandela que o escolheu para o representá-lo no filme que aborda, entre tantas outras coisas, o esporte como um instrumento contra o apartheid. Nas palavras do jornalista João Carlos Sampaio: (A TARDE, Caderno 2, 29/01/2010, p. 1)"Inteligente, Mandela/Freeman - já como presidente da África do Sul (...) vai usar o esporte como instrumento para unir brancos e negros, após a extinção oficial do regime separatista, o apartheid".

Em tempos de segregações veladas, atos racistas escamoteados, inclusive no campo esportivo (para quem tem dúvidas, veja a relação aqui) o filme é uma mão na roda para abordar esse espectro que ainda assombra a humanidade em diferentes lugares e de diversas formas no mundo inteiro. Para os professores de educação física, em particular, que compreende o esporte para além das fronteiras técnicas, táticas e de rendimento em busca de pódiuns, medalhas e troféus é um filme, dentre tantos outros (recomendo também Coach Carter - Treino para a vida), que nos ajudam a discuti, a pedagogizar os elementos da cultura corporal no interior da escola e fora dela.

Em tempos de apologia á Copa do Mundo, de ufanismo gratuito pelas Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro, o filme Invictus é um antídoto para a mesmice que sai das mentes e bocas dos eternos dirigentes esportivos brasileiros, que ao contrário do Mandela, só enxergam no esporte valores monetários, rendimentos financeiros.

19 comentários:

Vicente disse...

Olá. Parabéns pelo blog, muito bom mesmo. Tomei conhecimento do mesmo através do Blog do Cruz, que postou uma mensagem falando do seu texto sobre Haiti e Futebol. Vim para lê-lo e eis que encontro, também, um texto sobre filme e esporte. Adoro cinema e também adoro usar filme nas aulas. Não sou professor de educação física, aliás, fiquei surpreendido de forma agradável com a sugestão, pois os professores de educação física que conheço (poucos) geralmente só ficam na quadra fazendo do aluno atleta. Vou sugeri a leitura do seu blog para eles. Parabéns mais uma vez e vida longa ao seu blog!!!

Welington disse...

Olá, Vicente. Obrigado pela visita e pelos elogios ao blog. Espero vê-lo por aqui mais vezes. Seria interessante você elencar aqui os filmes que já usou, ou alguns deles, para que possamos ampliar as nossas referências. Sobre o Cruz, tenho tido a honra de ser citado pelo mesmo de vez em quando. Aliás, o mesmo até colocou o Esporte em Rede em sua lista de Links. Estamos lá junto com Juca Kfouri, Máquina do Esporte, Lars Grael entre outros, o que nos deixa bastante envaidecido, no bom sentido, é claro. Aos colegas da Educação Física, são muitos que vem se esforçando para modificar sua prática, mais do que imaginamos. E espero que os da sua escola estejam entre eles e que ao visitarem o blog também possam participar com críticas e sugestões. Obrigado mais uma vez. Abraços fraternos.

Carlos disse...

Acesso o site da Universidade Estadual de Feira de Santana e tenho ao mesmo tempo uma alegria e uma tristeza ambas profundas: A alegria ter participado diretamente (junto com uma coletividade) afim de ver uma disciplina (Análise sócio-antropológica da Educação Física) existir dentro do currículo de formação na área de conhecimento entendida como a Educação Física e selecionando professores para esta disciplina. E uma tristeza muito grande, enquanto professor, de não haver ou não ter certeza que haja professores que entendam o significado da mesma a partir dos referenciais antropológicos e sóciais ou sócio-históricos da área
da Educação Física. De qualquer forma, comentários como o do Vicente acima nos encorajam a continuar na luta pelo reconhecimento de uma educação e educação física que trancendam uma prática pedagógica na educação física para além dos limites da aptidão física, das quadras de esportes, do fazer pelo fazer empírico descontextualizados para um componente curricular capaz de formar cidadões críticos e de intervir de forma concreta na sociedade e, na medida do possível, transformá-la a partir da escola e da educação!

Vamos em frente!

Rodrigo Messias Cordeiro disse...

Oi Welington, é um praserzaço postar um comentário aqui, e prazer também em ver o tema do ultimo post seu: Cinema.
São incríveis as possibilidades de discussões que os filmes nos proporcionam. Também por isso vale a pena avaliar e levar em consideração o objetivo de assistí-lo. Creio de me aproveitar dessa linha para um possivel mestrado em comunicação e como sei de tua competência no assunto já lhe deixo de sobreaviso viu? Mais uma vez parabéns pelo blog e sucesso sempre

Welington disse...

Grande Rodrigo. Que surpresa boa. Melhor ainda em saber das suas possibilidades de voos. Apareça pela UEFS para fazer valer o ditado do bom filho à casa torna. E retome o seu blog, cara, ele pode ser uma boa ferramenta para ampliar suas possibilidades, já que és um só em tantos, [Professor, ator, poeta, compositor, romancista, dramaturgo, Sócio-Fundador do Grupo Eureka Arte-Cultura, (...)]. Abraços fraternos e fiquei muito feliz em tê-lo por aqui. Apareça mais vezes.

Vicente disse...

Olá, pessoal. Olha eu aqui de novo. Entrei no google e escrevi as palavras filme e esporte e encontrei, dentre outros, esse site abaixo

http://www.cinemenu.com.br/filmes/genero/esporte/page:1

Tem muito mais, inclusive blogs que falam da temática, sempre relacioado a filme e esporte. Para quem gosta, vale conferir.

Carlos disse...

Já que estamos falando em filmes, sem querer fugir do texto principal, assistí na pós-graduação um excelente filme de produção iraniana com o título em português "O Caminho das Borboletas". Excelente opção para fugir aos moldes e modelos norte-americanos de produção cinematográfica, além de possuir uma linda mensagem de cultura humana, cultura corporal. Vale a pena conferir. Alguém o conhece?

Abraços!

Welington Silva disse...

Pessoal. Encontrei um bom texto sobre o filme no endereço abaixo

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=11&id_noticia=123502

è copiar, colar no navegador e realizar a leitura.

Fábio Nunes disse...

Olá Welington e demais,

Na comunidade do Orkut: "Educação Física Escolar" existe um tópico: " Filmes que ensinam sobre Educação Física" se puder dê uma passada lá, foi eu que criei.Veja como divulgar no seu Blog.

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=182552&tid=15778920&kw=filmes+ensino

Amplia e muito as possibilidades. Filmes e Esportes é uma de minhas temáticas de interesse, vamos dialogando.

Abraços

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog e pelas discussões, muito legal mesmo!!!

Adriana Amorim disse...

Olá, Wellington. Sou Adriana Amorim, professora de teatro, atriz e doutoranda em Artes CÊnicas na ufba, com um projeto de pesquisa que estuda a recepção estética no futebol. Fiquei muito feliz em ler o seu blog - indicação de uma maiga - e mais ainda ao descobrir que vc é de Salvador. Dê um pulinho lá no meu blog e vamos trocando estas figurinhas aí.
Também acho que futebol tem muito mais a ser discutido do que os comentários técnicos e táticos, como vc falou. Grande abraço.

Drica

Adriana Amorim disse...

Disfarça, esqueci de dar o endereço:


www.futeboldeartista.blogspot.com

Davi disse...

Professor, só para constar os titulos que vi na minha graduação, alguns talvez já vistos por você, que também ajudaram e motivaram boas reflexões.São eles, Lutando contra o destino e Meu nome é Radio, com temáticas parecidas, além de muitos outros que vimos lá na antiga FJA.

Carlos disse...

Problematizando...

Olá a todos e todas!

A dispeito dos comentários postados inclusive por mim anteriormente e de extrema pertinência dado ao entendimento de nossa parte da importãncia da utlização das novas tecnologias\novas tecnologias midiáticas na Educação, Educação Física Escolar, neste caso aqui, a utilização de filmes, peço licença para expressar minha indignação e protesto quanto a distorção do entendimento existente dentro de algumas escolas públicas da rede estadual de ensino (alguns de seus professores, diretores e coordenadores pedagógicos) ao não valorizarem ou não entenderem a intervenção professor de educação fisica e da utilização dos conteúdos do componente curricular de educação física na utilização de espaços para além da quadra de esporte ou para além do discurso da atividade física, exercício físico, entendimento este que já deveria ter sido superado, mas ainda não o foi. Para que vcs tenham uma idéia, uma colega, professora na escola onde sou lotado, dentro do entendimento dela, afirmou para o vice-diretor que eu enquanto professor de educação física só fazia "enrolar", ou seja, ludibriar, enganar. Quero convidar a todos que possam comprovar se isso é verdade ou não e aqui atestar que eu NÃO enrolo em absoluto nas minhas aulas. A questão é que utilizo de elementos didáticos-metodológicos divididos em unidades que dizem respeito a temas legítimos da cultura corporal como "Corpo, Cultura e Mociedade" em uma unidade, "Ritmo, Movimento, Diversidade Cultural e Expressão corporal" com a valorização de conteúdos como a capoeira, o maculelê, o samba de roda, o "hip-hop" etc como elementos dessa cultura em outra unidade e por aí vai. A utilização de filmes e de vídeos, mesmo estes do "You-Tube" são e podem ser ferramentas constantes, de forma didático-pedagógica.

Me frustra, me ofende (fui literalmente ofendido), entender a área de conhecimento da Educação Física com os conteúdos da cultura corporal dentro do ambiente escolar, com a utilização das ferramentas de mídias integradas a educação serem vítmas de comentários maldosos ou até mesmo da mediocridade e da ignorância de alguns gestores, cordenadores e articuladores no que se refere a Educação Fìsica, seus saberes e fazeres bem como seus instrumentos de intervenção didático-pedagógicos. Não abri um processo contra a professora que falou mal de mim, ou melhor, de minha prática pedagógica na escola porque o mesmo vice-diretor se negou a me entregar por escrito o que ele acabara de me dizer e ele mesmo, enquanto vice-diretor, sabendo da inveracidade da denuncia, ou do comentário, não tomou providencia alguma contra mim dado a inconsistência da afirmação caluniosa. Mesmo assim me dirigi ao coordenador de educação física da direc 02 aqui de Feira de Santana para falar sobre o assunto e dizer que estaria disposto a sofrer qualque tipo de investigação no que se refere a minha prática pedagógica, a minha frequência nos diários de classe e a minha postura em sala de aula. Ou seja, eu mesmo fui solicitar que estava disposto a que se abrisse um processo contra mim. Felizmente o mesmo entendeu que se tratava de delação caluniosa.

Pra vcs terem a idéia, a minha articuladora de área sequer sabe o "por quê" da Educação Física no ambiente escolar da rede estadual de ensino ser lotada na área de linguagens. Enquanto articuladora de área, mesmo que a mesma não concorde, acho que deveria saber, vcs não acham?

Bons filmes podem e devem compôr a aula do professor de educação física, este enquanto mediador dos conteúdos a serem trabalhados sim, de forma pedagógica e dinãmica, sem que pra isso tenham que sofrer a alcunha de "enrolões", de "miguezeiros", como se diz aqui na Bahia. Aliás, acho que muito mais "miguezeiro" é quem solta a bola na quadra pra os alunos sem objetivo algum de intervir na formação e no conhecimento do aluno.

Carlos disse...

Correção!

Olá pessoal. no meu post anterior, onde se lê "Corpo, Cultura e Mociedade" leia-se ""Corpo, Cultura e Sociedade".

Obrigado e abraços

Vicente disse...

Adriana. Vc parece ter apenas um defeito. É torcedora do Bahia. Brincadeirinha, viu?

Marcelo "Russo" Ferreira disse...

Salve, Salve, Wellington.
Em tempos de Avatar, é sempre bom podermos acessar dentro do nosso campo de trabalho e militância, a indicação de trabalhos cinematográficos que conseguem sair um pouco mais "do mesmo"...
Parabéns pelo blog é ser redundante... Mas vale a pena sê-lo. Parabéns pelo blog.
Abraço fraterno
Marcelo Russo

Welington disse...

Obrigado, Russo. Estava fazendo falta você por aqui. Não suma não, viu? Suas reflexões são sempre bem vindas.

Anônimo disse...

Olá,sou Carmen do Pará e leio as coisas que tu mandas,tem um contexto legal e inclusive uso em minhas aulas alguns textos.Não consegui abrir os filmes para vida,gostaria de acessar.