sexta-feira, 22 de março de 2013

Não à demolição da Aldeia Maracanã

A saga de extermínio dos índios, iniciada desde a invasão portuguesa em terra brasilis continua. Agora a via não se dá pela matança física, pela violência corporal que extinguiu milhares de tribos que aqui habitavam. A estratégia e a tática do complemento da extinção indígena passa pela destruição dos seus símbolos.

Atenção. Não se trata aqui de um outro momento. É mais do mesmo. Muda-se a estratégia. O beneficiário? O grande capital, hoje ligado, entre outros empreendimentos, à construção das chamadas ARENAS ESPORTIVAS, para abrigar eventos efêmeros, pois assim é a lógica do capital, fazer as coisas sólidas, desmancharem-se no ar.

Imagem retirada do Blog de Elaine Tavares
A Aldeia Maracanã fica ao lado do Estádio Mario Filho, conhecido popularmente com a mesma  alcunha que leva o nome da aldeia. No meio do ano de 2012, o governo do Rio dizia que queria transformar o espaço em um estacionamento tendo em vista a Copa do Mundo de 2014. A reação popular fez o governo recuar, mas não por completo. Mudou apenas o destino do espaço, quer construir um Museu Olímpico.

Nada contra a construção de um Museu Olímpico. Que se faça. Mas em um outro espaço. Me intriga querer construir um Museu no lugar de um outro Museu. Sim, pois o espaço abriga o Museu dos Índios. Ali, historicamente, é um ponto de apoio para os indígenas do país inteiro. É um lugar de abrigo, de acolhimento, de debate sobre a cultura indígena.

Em um país em que muito pouco se faz para preservar a cultura dos povos, entre eles o dos povos indígenas, a atitude do governo não deve soar como estranha. Mas nós, que entendemos como ponto fundamental a defesa da memória destes povos, contra a sanha do capital, devemos lutar, devemos resistir, devemos dizer, em altíssimo e bom som: "NÃO À DEMOLIÇÃO DA ALDEIA MARACANÃ".

4 comentários:

Gleice disse...

Texto muito bom.
É importante pensar e se mobilizar contra os rotineiros e históricos processos de desrespeito aos povos indígenas.É de suma importância perceber que esses povos lutam para sobreviver aos processos violentos de dominação e aos massacres ocorridos em toda a história do Brasil.Logo a destruição de um lugar de memória tão importante como o referido museu é um legítimo motivo para que se organizem mobilizações coletivas em prol da preservação da cultura indígena, contra os ditames capitalistas.

Wedeson Costa disse...

Parabéns pela escrita.
É preciso pensar também a que ponto chegou o nosso governo, que ao invés de valorizar e preservar a cultura e história de um povo coloca-se apenas a favor do capital. Além disso, vale ressaltar que esse museu é um espaço próprio de ideais de ordem intelectual, político e social a favor das causas indígenas. Portanto resgatar nossos valores, nossos conteúdos, nossas raízes é valorizar a nós mesmos. Vamos a Luta!

Anônimo disse...

Olá Weligton,

Sinalizo que tenho acompanhado o blog. Utilizo muito nos debates da escola, sugerindo aos professores e alunos a leitura das matérias. Parabéns!

Em frente!
Jaderson Barbosa
www.jsbesportes.com.br

Carlos Adriano disse...

Até quando? Triste é que além dessa imposição do capital existe uma ênfase na criminalização de movimentos contrários. É uma constante. Estratégia de desmobilização política. As mídias cooptadas apresentam a notícia sem discutir o ponto de vista das "minorias representativas". Lamentável...