domingo, 13 de dezembro de 2009

Ainda sobre Políticas Públicas

O Blog Esporte em Rede dará continuidade ao debate sobre Políticas Públicas de Esporte. Para tanto, trouxe mais uma entrevista. Esta, com o professor Elson Moura, que participou ativamente da audiência pública na Câmara de Vereadores de Feira de Santana como representante do curso de graduação em Educação Física da Universidade Estadual de Feira de Santana.

Esporte em Rede:Fale de sua trajetória pessoal e acadêmica.

Elson Moura:Tenho 28 anos. Entrei no curso de Educação Física da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) em 2001 por conta de na época ser atleta de Karate. Minha vontade era dar continuidade na minha vida de atleta e fazer a transição para treinador. Por volta do 7° semestre me deparei com a leitura de Luiz Carlos de Freitas que me alertou para a necessidade de colocar minha energia para outros fins. Em paralelo, estagiando no SESI (Serviço Social da Indústria), me deparei com o livro de Paulo Freire (Pedagogia da Autonomia) e este sentimento de transformação só aumentou. Terminei o curso em 2006 e ingressei na especialização em Metodologia em Educação Física e Esporte da UNEB (Universidade do Estado da Bahia). Ao fim da pós participei da seleção na UEFS para professor substituto e fui aprovado. Em 2009 fiz o concurso na mesma instituição e fui aprovado. Hoje sou professor da UEFS, professor da Rede Municipal de Camaçari, trabalhando na Educação de Jovens e Adultos. Também participo do Grupo LEPEL (Linha de Estudo em Educação, Educação Física, Esporte e Lazer) da UEFS bem como do Movimento Nacional Contra a Regulamentação do professor de Educação Física (MNCR) de Feira de Santana. Esta curta trajetória foi, no entanto, suficiente para que eu esteja esclarecido da necessidade de defender a Educação Física na perspectiva da Cultura Corporal, a educação numa perspectiva Historico-critica; bem como de colocar minhas energias (minha ação pedagógica e minha militância) à serviço de um projeto de sociedade Socialista – Comunista.

Esporte em Rede:Como se deu sua inserção na discussão sobre políticas públicas de esporte?

Elson Moura:Inicialmente meu interesse foi no fenômeno/produção humana esporte. Por conta do interesse neste conteúdo, aprofundei os estudos sobre o esporte e a contemporaneidade. Foi assim que o tema políticas publicas me interessou, embora assuma que o esporte continua sendo o meu objeto de grande interesse. Mas, na busca de entender este fenômeno na contemporaneidade precisei adentrar no estudo e entendimento sobre políticas públicas de esporte. Cheguei à conclusão que para entende esta relação, era preciso também entender a sua relação com o Estado.

Esporte em Rede:Na sua opinião existe uma política pública de esporte em feira de santana e região?

Elson Moura:Ao tentar responder esta pergunta me deparo com a seguinte situação: estar dividido entre a afirmação do Professor Edmundo Dias, da UNICAMP, que nos ensina que as políticas públicas formuladas e aplicadas na sociedade vigente são definidas como políticas governantes de construção da hegemonia burguesa na classe trabalhadora, que são diferentes de políticas públicas, pois estas limitam o avanço do capital e o que de fato é feito na cidade de Feira de Santana, cujo nome é o de políticas públicas de esporte. Sendo assim, a partir da ressalva feita por Edmundo Dias, penso que existe uma política de esportes que, de forma hegemônica, privilegia a dimensão do esporte de competição (no meu entender, diferente do rendimento) enquanto prática assistencialista que usa o esporte enquanto propaganda ideológica de que existe uma política, uma preocupação com o público. Mesmo esta política, para os fins que se propõe, é insuficiente. Por conta disso existe uma insatisfação da população Feirense. É preciso fazer a ressalva que esta é uma opinião de quem vive em Feira desde 2001 (entre idas e vindas de Salvador). Portanto uma opinião não muito fiel se comparada com um legítimo cidadão Feirense.

Esporte em Rede:Como você considera o papel de uma câmara de vereadores nesse debate sobre políticas públicas?

Elson Moura:Estivemos presente, no último dia 04 de Dezembro, em uma Audiência Pública promovida pela câmara de Vereadores através do chamamento do vereador Frei Cal, cuja proposta era a discussão sobre políticas públicas de esporte. Pensamos ser este o papel do espaço de representação do povo. Obviamente que temos o entendimento que seu papel não para por aí. É preciso que tal ação se estenda no desdobramento de outras. Se de fato lá existem pessoas que pensam o esporte enquanto direito de todos e todas é preciso que existam ações que garantam o atendimento deste direito, bem como a “fiscalização” das mesmas. Por exemplo, tivemos conhecimento de que existe uma Lei Municipal que dispõe sobre o sistema de esporte e lazer no âmbito da cidade de Feira de Santana. Lei esta do Vereador Marialvo do PT. O próximo passo é garantir que tal Lei seja cumprida. Acima, coloquei uma fala do Edmundo Dias que pode nos remeter ao desânimo. Ou seja, sentar, cruzar os braços e esperara construção de outro projeto para garantir uma verdadeira política pública. Porém, mesmo por dentro dos marcos do Capital e todos seus limites, devemos pensar o que podemos fazer. Ao mesmo passo que pontuo o limite de algo, eu digo o que este algo pode fazer. Sendo assim, é papel da Câmara, sendo ela consciente do esporte enquanto direito, implementar políticas que avancem em relação ao assistencialismo atual ou à exclusividade do esporte de competição.

Esporte em Rede:Qual o papel da universidade nesta dinâmica?

Elson Moura:Como falei na audiência pública, reafirmo que a educação superior está longe da realidade, longe do social. O que justifica minha afirmação é o entendimento que tenho de que ações pontuais em semestres não se constituem como uma relação orgânica entre universidade e sociedade. Muitas vezes, as mesmas são usadas como laboratórios para serem analisados pelos estudantes, bem como para justificar a existência do curso/Universidade/Faculdade a partir da sua referência social, do seu engajamento. Também não podemos esquecer dos atos assistencialistas tão presentes nas ações do cotidiano. A integração Universidade/social é um imperativo existencial da própria Universidade. Tal imperativo se justifica pelo entendimento que temos de como se dá o movimento do conhecimento. Este se inicia na prática (no contexto social), movimenta-se para a teoria, voltando à pratica. Este caminho nos permite afirmar que não se pode produzir conhecimento socialmente referenciado dissociado da prática cotidiana. Tal processo se dá nos 3 pilares de sustentação do ensino superior: ensino, pesquisa e extensão. Obviamente que respeitando este movimento, as Instituições, as Universidades qualificarão profissionais aptos para intervir em sua realidade. Um último elemento deste ponto é a afirmação de que não podemos pensar a Universidades e Faculdades, bem como seus estudantes, para cobrir buracos deixados pelo poder público. Isso reforçaria a lógica neoliberal.

Esporte em Rede:Você teria alguma ideia de como pode se desenvolver uma política de esporte para o público e não apenas para o setor de redimento, que acaba atendendo a uma elite esportiva?

Elson Moura:Responderei como falei na Audiência. Apontarei 4 sugestões para pensar em Políticas Públicas, mesmo por dentro dos limites do Capitalismo. 1- Uma gestão democrática realizada do planejamento, passando pela execução e administração, até as avaliações do investimento do dinheiro público em esporte. 2-Uma ação interdisciplinar conjuntamente com a secretaria de educação, ou outras. 3-A negação da lógica salvacionista do esporte. Ou seja, a possibilidade de o esporte ser o remédio para todos nossos problemas. 4-O delineamento das prioridades sobre o uso do dinheiro público para o esporte. Em vez de mega eventos e/ou esporte de rendimento, esporte para os incluídos no grupo dos privados de Cultura Corporal. Colocar a ordem das coisas a partir da implementação, a partir do esporte de rendimento, até chegar ao esporte para todos, já se mostrou ineficiente (basta ver o Pan do Rio). Sendo assim, invertamos a ordem. Ou fazemos isso ou mendigaremos por verbas públicas que beneficiam o espaço privado.

15 comentários:

Miralva disse...

Mais uma vez o estado brasileiro demonstra para que serve com o acontecimento envolvendo o arruda. Se um pobre coitado fosse pego "roubando" um pacote de feijão para se alimentar, o mesmo seria preso e teria dificuldade de obter um habeas corpus. Mas eis que o arruda é pego roubando milhões de reais, dinheiro do contribuinte e nada acontece com ele. Por que? Porque o mesmo representa o estado, que como já dizia gramsci, é o gerente da burguesia. Nada acontecerá ao seu representante. Nesse sentido, como acreditar em políticas públicas no interior de um estado que se caracteriza por ações privadas que beneficiam os seus legítimos representantes, a elite predatória que fz deste grande país o que quer e bem entende? Política pública? Só se for para beneficiar os setores privados.

Welington disse...

Olá, Miralva. Você coloca uma coisa interessante. No entanto, me parece que esta contradição é necessária, pois o Estado é um elemento importante para o processo de transição da sociedade capitalista para a comunista. Creio que o professor Elson também pense assim.

Elson disse...

Olá Miralva, Welington e demais!!
De fato... tenho a mesma compreenção de Miralva, entendo o eStado enquanto "aparelho" a serviço do Capital. Basta buscar na história que vamos ver que o Estado surge concomitante com a sociedade de classes, justamente para manter a "convivência" entre elas.
Mas, assim como disse na audiência pública, preciso pensar: " Então tá, ficarei de braços cruzados, esperando a construção de outro projeto de sociedade para depois advogar por políticas públicas". Penso que não. No movimento da história, preciso, mesmo por dentro dos limites impostos pelo Capital, buscar avançar com ações que não beneficiem ao sistema. Obviamente que estas ações serão direcionadas ao objetivo histórico: a construção do Socialismo. E por falar neste, cabe lembrar, até onde sei, o Socialismo não se configura na ausência de um Estado. Ele existe para consolidar ações que dissolvam as classes sociais. Só após nos daremos ao luxo da dissolução do mkesmo.
Cabe lembrar também que se vamos abandonar o Estado por ser este um aparelho a serviço do Capital, abandonemos também, em bloco, a escola, a Universidade, a família, a Igreja, o esporte, a Educaçao Física, a mídia a... o... a.. o... Interminável esta lista.
Tenho que ter claro o limite do Estado Capitalista. Mas, ao mesmo tempo que lhe imponho um limite, eu digo o que ele pode fazer.
É neste campo que nos inserimos.
SEMPRE TENDO COMO HORIZONTE HISTÓRICO A CONSTRUÇÃO DE OUTRO PROJETO DE SOCIEDADE.
Continuamos abertos ao diálogo.
Abraços

Anônimo disse...

Eu continuo participando do blog. Falo de brincadeira com os meus colegas que ainda vou acabar fazendo Educação Física. Eu acho bonito é quando o Prof Welington e o Prof Elson falam que é possível uma nova sociedade, uma sociedade que não tenha necessidade de Bolsa Família ( eu já beneficiado com o Programa ), já que os bens serão distribuídos de forma igual. Quando comento isso na escola, o pessoal cai na risada. O pessoal acha doidice pensar assim. Eu falo que a escravidão terminou no Brasil porque os escravos não acharam que era impossível. Não sei se meu pensamento tá certo. Eu acho bonito o sonho dos professores. Acho tão bonito que quero sonhar também com vocês. Tem coisas que não entendo, mesmo lendo várias vezes. Objetivo histórico, sociedade comunista era para mim a mesma coisa que sociedade socialista. O Prof Elson diz que não. Fiquei um pouco confuso. Já aprendi que sociedade capitalista tem milionários, ricos, pobres, miseráveis, deseperados, famintos, desempregados, sem terra, sem teto, sem escola, sem hospital, sem lazer, sem capital. Tem coisas que não entendo, eu entendo o sonho, entendo que vocês não aceitam a miséria, a fome. Eu também.

Kuat

hpasquim disse...

Olá camaradas,

respeito muito o formato democrático e popular da proposta do Prof. Elson Moura. Afinal, foi a principal formulação q a esquerda brasileira construiu, inclusive dentro da educação física/ esporte, vide a importantíssima Celi Taffarel. Mas é preciso fazer uma correção... não é possível citar a interpretação de Edmundo Dias para Gramsci e propor o programa democrático e popular. Edmundo Dias é contra o PDP, ele diz isso com todas as letras. Ou seja, "pensar em Políticas Públicas dentro dos limites do Capitalismo" não é uma questão para Edmundo Dias. Ele não afirma q devemos abandonar o estado, de maneira alguma, e diz q nossa estratégica não pode ser a de acumular forças a perder de vista, senão um programa de ruptura. Eu me atrevo a dizer com todo o respeito ao professor e ao blogeiro q as propostas da entrevista estão muito tímidas e não criam barreiras aos avanços do capital no esporte tampouco qualquer ruptura ao sistema. Provavelmente até o Protógenes Queiroz defenderia essas propostas... o q definitivamente não é um elogio! As propostas para o esporte do militante Ivan Valente (PSOL) a prefeitura de SP foram bem mais audaciosas do q isso!!

joselitojoze@gmail.com disse...

Bem, minhas palavras aqui serão bem tímidas, porque não disponho de estudos e pesquisas atuais sobre o movimento da sociedade contemporânea. Por enquanto eu me sustento em Boaventura de Sousa Santos. Para mim o socialismo é um futuro entre outros futuros. Não acredito numa redenção socialista da humanidade, embora seja também contrário à fome, à pobreza, à miserabilidade dos bilhões de pessoas no mundo que são sistematicamente marginalizados pela lógica capitalista. Creio que as justificativas de Santos (2001) devem, pelo menos para servir de reflexão. São as seguintes:
a) O marxismo elaborou uma concepção da sociedade enquanto uma totalidade – alternativa total ao que existe – um agente social único (a classe trabalhadora, o proletariado) capaz de tornar concreta tal alternativa.
b) Forma de conhecimento total,( o marxismo) capaz de abarcar credivelmente a totalidade social;
c) um princípio único de transformação social; o princípio único de transformação social que subjaz à teoria crítica moderna assenta na inevitabilidade de um futuro socialista gerado pelo desenvolvimento das forças produtivas e pelas lutas de classes em que ela se traduz;
d) um agente coletivo, igualmente único, capaz de levar a cabo a transformação social: O
super-sujeito marxista: o proletariado;
d) um contexto político-institucional bem definido, que torne possível formular lutas credíveis à luz dos objetivos propostos

Críticas aos pressupostos:

a) O conhecimento totalizante é um conhecimento da ordem sobre o caos. O que distingue a sociologia crítica da sociologia funcionalista é que enquanto a primeira pretende a ordem da regulação social, a segunda pretende a ordem da emancipação social. “No final do século encontramo-nos perante a desordem tanto da regulação social quanto da emancipação social. O nosso lugar é em sociedades que são simultaneamente autoritárias e libertárias.” (p. 26)
b) Não há um princípio único de transformação social. O futuro socialista é um entre tantos outros futuros alternativos;
c) Não há agentes históricos únicos de transformação social nem uma forma única de dominação;
d) a industrialização não é necessariamente o motor do progresso nem a parteira do desenvolvimento;

Percebo claramente outros sujeitos sociais ativos na contemporaneidade e que têm obtido conquistas inegáveis nos quadros da sociedade capitalista. O movimento feminista, o movimento negro, o movimento dos homossexuais, entre outros. Talvez Clauss Offe tenha um pouco de razão quando afirma que o Estado não é, simplesmente o Estado Burguês, mas o Estado dominado pela burguesia e que, nesta perspectiva, abre possibilidades de lutas empreendidas pelas classes populares para fazer valer seus direitos, embora desenvolvam mecanismos de seletividade das políticas públicas, que retiram das mesmas os elementos nocivos à acumulação do capital. Do meu lado eu procuro aproximar os estudantes do Campus IV, UNEB, da sociedade civil organizada de Jacobina (Movimento de Mulheres, Movimentos Ecológicos, Movimentos Culturais e qualquer organização popular e democrática que desenvolva atividades em prol da emancipação do ser humano, não apenas do capital, mas de todas as opressões contra as quais lutam) onde trabalho, Campus IV. Infelizmente, constato o quanto é duro lutar contra valores burgueses que estão entranhados em nossa subjetividade contemporânea, reduzindo as potencialidades emancipatórias de possíveis lutas. Às vezes, lembro do pessoal da Escola de Frankfurt e desconfio, será que o operário, antes de tudo, não quer ser também burguês?
Parabéns à qualidade das discussões apresentadas neste espaço.
Joselito.

Welington disse...

Caríssimo hpasquim. Prazer em tê-lo por aqui, inserindo novos elementos para o debate e a reflexão de todos os que participam deste blog. Sobre Edmundo Dias, não posso dizer muita coisa, pois não o conheço com profundidade. No entanto, da última vez que estive com ele, no III Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo, ele estava, junto com outros professores e professoras, militantes de diferentes segmentos que participavam do evento, colocando suas energias na criação da Associação Brasileira de Educadores Marxistas. Imagino que essa seja uma estratégia de acumulação de forças. Mas talvez eu esteja enganado. Não sei se entendir bem uma outra coisa. Você diz no seu comentário que "Ele não afirma q devemos abandonar o estado, de maneira alguma, e diz q nossa estratégica não pode ser a de acumular forças a perder de vista, senão um programa de ruptura". É isso mesmo? Podia explicar melhor? Em relação a entrevista, ela não teve intenção de criar barreiras ao capital. Queria muito que uma simples entrevista fizesse isso, mas ambos sabemos que as barreiras materiais só são derrubadas com as forças materiais e isso ocorre com as massas!!! Quanto as propostas para o esporte do militante Ivan Valente, gostaria muito de lê-la. É possível? E para continuarmos o debate fraterno...como o PSOL se sente apresentando uma proposta ao ESTADO capitalista representado pelo governo Serra?

Elson disse...

Olá todos e todas, em especial Kuat e Hpasquim!
Kuat! De fato, não deixa de ser um sonho que podemos sim sonhar juntos. Mas para que não pareçamos sonhadores eternos (deve ser este o entendimento dos seus colegas) precisamos pontuar (de forma fundamentada) como podemos colaborar para a construção desta nova forma de se organizar - o Socialismo.
Mas veja; isso só pode ser feito com muita ação e estudo. Só assim deixa de ser só um sonho e passa a ser uma possibilidade concreta.
Me disponibilizo a uma aproximação no intuito de tirar as duvidas. De repente um email para divulgar textos, eventos etc. Quanto mais cedo se iniciar nestes estudos melhor. A Educação Física necessita de gente assim.
Esta não é uma tarefa fácil (você ja percebeu isso com seus colegas).
Mas posso te afirmar: quanto mais clareza você tem dos seus objetivos, mais você atrela eles à sua vida.
Diante disso, em nome da busca por desta clareza, que, assim como Welington, solicito ao colega hpasquim o envio da proposta do colega Ivan. Meu email é juniorkarate@yahoo.com.br
Quem sabe, não me aproximo mais dos meus objetivos?!?!
Torço inclusive que o PSOL (partido citado) constitua, de fato, esta barreira ao Capital. A pratica é o critério de verdade.
Grande abraço a todas e todos!

Welington disse...

Kuat. Dizem que rir é o melhor remédio. Talvez seja, quando o mesmo é sincero e espero que o dos seus amigos seja. Ao menos quando eles riem, os fazem na sua frente. Muitos dos que nos circundam os fazem de costa para você, um sorriso misto de zombaria e descrédito. Mas não falamos e fazemos o que falamos e fazemos para agradar ninguém, muito menos para fazer rir quem quer que seja. Deixemos isso para o trabalho sincero dos palhaços. Aliás, os que riem muitas vezes fazem por ignorar o movimento da história. Acreditam piamente que o capitalismo foi o único e é o último sistema de reprodução social. Os outros que existiram antes dele e que sucumbiram pela força do movimento história não passa de imaginação de dona carochinha. Pois se eles acreditassem na existência dos sistemas anteriores, ao menos caberia a seguinte dúvida: se o comunismo primitivo, o escravismo e o feudalismo sucumbiram, o que nos garante a existência eterna do capitalismo? E se este não existirá eternamente, tal como os outros, qual deverá substituílo? Quais as forças sociais deverão ser posta em movimento para organizar este novo modo de produção da existência humana? O que me angustia é saber que muito de nós ainda estamos presos na caverna platônica em pleno século XXI e que os clamores do cotidiano não alcançam um milímetro, pela força dos processos ideológicos burgueses, os ouvidos dos homens e mulheres que mesmo sem saberem fazem a história e por não saberem que fazem, direcionam a mesma para a barbárie já em curso, recrudescendo a mesma. 11 trilhões "salvaram" os bancos. 2 trilhões salvam a humanidade. Mas eles acham muito dinheiro. O capital é assim, irracional. Produz não em função das necessidades humanas mas, sim, do mercado, pois é este o ambiente da sua realização e ampliação. E não é assim porque o capital é mal, é assim porque esta é a sua natureza, faz parte da sua dinâmica interna e é por isso que precisamos destruir o capital, pois esta dinâmica destruirá, queiramos ou não, a humanidade. E aí, sabe aquela história de quem rir por último rir melhor? Não teremos o melhor sorriso, pois as faces humanas em toda a sua plenitude, terá desaparecido. Outras formas antropóides existiram e sucumbiram. O que garante que a nossa sobreviverar para sempre?

Welington disse...

Caríssimo Josélito. Tá fazendo falta lá no bába meu amigo. Apareça. Olha, nem de longe as suas palavras foram tímidas. Ao contrário. Fortes e expressam uma visão de mundo. Permita iniciar a minha reflexão tomando como ponto de partida as suas última palavras. será que o operário, antes de tudo, não quer ser também burguês?. Talvez a pergunta ficasse melhor formulada com outras, assim... O que faz com que o operário queira se tornar um burguês? E o mesmo querendo com muita força ser um burguês, ele assim o será? Por que depois de mais de cinco séculos de desenvolvimento capitalista, três séculos de pleno movimento do capital, o mesmo não conseguiu eliminar a contradição capital X trabalho? Por que todas as suas contradições se ampliam na medida em que o mesmo se desenvolve?. São muitas as perguntas. O marxismo não elaborou uma concepção de sociedade enquanto totalidade apenas. O marxismo considera que por dentro da totalidade existem mediações. Não é um todo engessado, mas dinâmico e contraditório. Nós fazemos a história, mas não como queremos. A questão central da totalidade é a crítica sobre a visão de mundo que sustenta que o todo é a simples junção das partes. Resolveremos os problemas colocados pelo sistema metabólico do capital no seu conjunto, na medida em que, de forma particular (O movimento feminista, o movimento negro, o movimento dos homossexuais, citados por você), resolverem os seus problemas particulares. Sobre este ponto de vista é que a categoria da totalidade faz a crítica. Por que? Porque o conjunto das pessoas que fazem parte destes movimentos em separado sofrem no conjunto, o movimento totalizador do capital. Os problemas do ingresso dos negros nas universidades não é um problema dos negros, mas de um sistema que impede que as pessoas de uma forma geral e não apenas os negros, pela dinâmica interna em diferentes instituições que sustentam o próprio capital, ficam alijada do processo de formação humana ampla. Aqui entra a ideia de emancipação, já resolvida pelo Marx de 1844 quando o mesmo se debatia entre os escritos de Feuerbach e Hegel. De qual emancipação fala você? Desta que sustenta a ideia da cidadania. É pouco, meu amigo, muito pouco, embora seja necessária. A emancipação pela qual devemos lutar, todos juntos em um só movimento, é a emancipação humana, a destruição de toda ordem do capital que se movimenta por dentro do estado sim, e o estado é burguês sim. Vamos deixar de jogo de linguagem aqui. Estado Burguês ou Estado dominado pela burguesia? O que é isso? De forma alguma o fato de dizer que o Estado é burguês impede a luta pela emancipação humana, mas apenas reforça a necessidade de enxergar a sua contradição que, até que me prove o contrário, se expressa na outra classe fundamental: o proletário. O fato de existirem duas classes fundamentais não quer dizer que não existam outras frações de classe, mas apenas indica (e isso não é pouco) que o movimento do real se expressa, fundamentalmente, na luta de classe entre o capital e o trabalho, entre a burguesia e o proletariado. Simples? Não. Cada vez mais complexo, mais contraditório, mais cheio de mediações e por isso precisamos definir claramente de que lado estamos. Se a luta em favor da cota tiver como horizonte a derrocada do capital todos nós iremos em direção a derrocada do capital e não em direção a cota, por que é ele, enquanto sistema que promove a necessidade da cota e não o contrário. Hoje é a cota e amanhã? Enquanto isso, o sistema metabólico que promove todas essas necessidades negadas historicamente por ele mesmo subsiste, não obstante as lutas micropolíticas. E aqui, meu amigo, para enfrentar esse debate, o Boaventura, na minha opinião, não ajuda. Aliás, sugiro a leitura de um texto do José Paulo Netto, intitulado DE COMO NÃO LER MARX OU O MARX DE SOUZA SANTOS, publicado no livro Marxismo impenitente: contribuição à história das idéias marxistas. É da editora Cortez. Obrigado pela oportunidade e sigamos com debate..

hpasquim disse...

A LEPEL sempre forma bons lutadores!!

saudações,
heitor pasquim

Elson disse...

Dialogando com a fala de Welington, entendo que a ascenção individual é permitida e, diria mais, essêncial ao Capital. É por conta da ascenção de um ou outro que eles justificam a ideologia do "só depende de você".
Existe, no meu entender, esta possibilidade de ascenção INDIVIDUAL, mas no coletivo, tal ação é negada (com as forças das armas, se possível).
Penso que lutas pontuais, assim como explicou Welington, se não atreladas a um objetivo mais geral, sucumbem à força do Capital.
Existem até os que advogam o fim da história, o fim da sociedade de classes e, por conta disso, defendem lutas "menores".
Me recordo bem de um texto (emprestado e sumido) do CEAFRO (Centro de Estudos Afro-orientais - UFBA) quando eles pontuam que a situação do negro no Brasil não é um problema de "raça" ou cor. É um problema de classes. O fazem a partir de uma análise histórica.
Outra lembrança foi um outdoor da ADUFS (Associação dos docentes da Universidade de Feira de Santana), no dia das mulheres: Em uma sociedade de classe, onde existe um opressor e um oprimido, a mulher se constitue enquanto classe oprimida em relação ao homem.
Ou seja, dois exemplos que pontuam a relação entre a parte (negro e mulheres) e o todo (sociedade de classes).
Enfim...para se pensar.
Pasquim!! Não foi uma afronta, tenho real interesse de conhecer a proposta do PSOL. Estive conversando com Thiago Firmino (vocÊ deve conhecer) e ele me disse que a proposta é boa.
Kuat!! E aí, estou esperando o contato!!
Abraços

Anônimo disse...

Prof Elson, minha intenção não foi ofendê-los quando disse que acho bonito o sonho de vocês, ficou parecendo que sonho é uma coisa de gente doida, que não tem os pés no chão. Não é isso. O sonho de vocês é fundamentado em estudos, muitos estudos. Não é uma coisa impossível. O Prof Welington deixou isso óbvio quando disse sobre o comunismo primitivo, o feudalismo, o escravismo. Eu só disse que era sonho, no sentido de que é uma coisa que vocês querem, vocês lutam, de que é uma coisa que ainda tá em um horizonte distante, mas não longe o bastante para não ser realizado. É isso. Me sinto mal de não ter sabido me expressar, uma amiga disse que é bom pra eu aprender meu lugar e não querer papo com gente sabida como vocês, ela mesmo gosta do blog, mas não é louca de falar nada, eu, então, vou agradecer vocês pela gentileza de querer me ajudar a ser um sonhador sem ser eterno, mas não tenho gabarito para conversar com vocês, vou continuar participando do blog como leitor assíduo do mesmo. As risadas dos meus colegas, vocês vão desculpando, é resultado da falta de conhecimento mesmo, também é resultado de uma realidade dura que nós vivemos, já que sentimos na pele todas as mazelas de não ter nenhum capital, coisa que é duro em uma sociedade que é capitalista, é tão dura que alguns colegas não ousam sonhar, sonhar sonho nenhum, vão vivendo dia após dia sem acreditar que a vida pode melhorar, eles tão na escola mais por ter um lugar para paquerar, bater papo do que estudar. Sinto que as risadas são também de desespero. É isso. Vocês ainda sonham, mas não ficam de braços cruzados, vocês lutam pelo sonho. Alguns colegas não têm horizonte algum.
O racismo não é uma questão de classe social, segundo minha professora de História, o branco que vive na favela sente mais superior que o negro que vive também na favela. Não é classe social, já que o negro rico no Brasil sofre de racismo também, pode ser que seja um racismo mais velado, pode ser que ele seja mais tolerado por causa do capital. O racismo é mais do que classe social, é uma coisa de cabeça, de um mendigo branco olhar para um mendigo negro e pensar que é melhor que o mendigo negro, tá na cabeça o racismo, vai além da classe social. A pobreza no Brasil tem cor, a miséria do Brasil tem cor, os presos no Brasil têm cor. O capitalismo tem suas classes sociais, mas será por que aqui no Brasil a elite é branca? O capitalismo junto com o racismo é pura desgraça para o negro. O branco pobre é um sofredor no Brasil, o negro pobre é um desgraçado, é até mesmo filho do Demo. A religião branca encontra portas abertas na favela, no condomìnio de luxo. O candomblé é porta fechada. Pode se derrubar o capitalismo, mas acabar com o racismo é ter que acabar com os cérebros de muita gente. Entretanto, não serei besta, minha amiga tá dizendo para eu ter um pouco de inteligência e bom senso, já que minha fala é do sentir na pele, é do senso comun, não é de muito estudo e encerrarei minha participação dizendo que o Prof Elson esteja certo: a situação do negro no Brasil não é um problema de "raça" ou cor. É um problema de classes.
Tá aí mais uma razão para eu desejar e lutar para acabar com a sociedade de classes. Estou sendo individualista. Estou sendo. E isso não é bom para a luta. Tem que pensar no coletivo. Uma sociedade sem classes sociais é bom para o branco, é bom para o negro, enfim, é bom para todo mundo: branco, azul, verde, amarelo, rosa pink, preto Tá aí um motivo que justifica a luta pelo fim do sistema capitalista.


Kuat

Elson disse...

KUAT!!
Em uma situação hipotética, se me fosse dado algum poder sobre você, utilizaria para te desautorizar a não participar (postar) no Blog. De forma alguma utilizamos os nossos estudos para desqualificar quem quer que seja. Se, de alguma forma, transparece isso, foi um equívoco que não percebemos.
Eu discordo de sua colega...você não é metido a besta, você sabe o seu lugar. Seu lugar é junto dos sonhadores. É uma pessoa que, como você mesmo falou, senti na pele e que busca aprofundar o entendimento da realidade, a partir deste blog (ou outras ações).
Para você ter a idéia da importância de você por aqui, estive, estes dias, conversando com Welington e dizendo da importância de sua presença aqui. Falava que você tinha sido a primeira pessoa com quem conversava, de certa forma, debatia e que se posicionava sendo um beneficiado pelo Bolsa Família.
Falando por mim, me coloco como aquele que procura problematizar a realidade ou a percepção que temos dela. Muitas vezes, o real não nos aparece de forma clara (mesmo sentindo na pele). Se aparecesse, não precisaríamos da ciência e da Filosofia, bastava um olhar para entender as contradições do Capital.
Não se preocupe, eu entendi perfeitamente a sua idéia de sonho. Eu me vejo sim, como um sonhador. As pessoas é que nos olham como sonhadores eternos. Usam estes termos de forma pejorativa para nos desqualificar. São até “estudiosos” mas não tem a percepção que você tem; a de que nosso sonhos são fruto de nossas vontades, mas não só isso, são fruto de nosso entendimento da possibilidade concreta de mudança. Por isso pontuei aquelas questões, para que você também se "defenda" de adjetivos pejorativos como este.
Quanto seus colegas, é isso mesmo, eles são fruto da ideologia dominante que busca explorá-los e mantê-los conformados com tal exploração. São muitos veículos que tem esta missão. Por isso que entendo quando você, de certa forma, os defende. Acho que esta é uma boa estratégia; a de não menosprezar-los. Já que você está numa situação de consciência, ao meu ver, avançada, tem a função de ajudá-los.
Eu entendo a idéia da sua professora de História, mas não concordo (o que não quer dizer que eu esteja certo. Daqui a pouco é ela que está). Precisaria de mais umas linhas para me explicar, mas, como não tenho, cabem algumas perguntas a sua professora: já que este é um problema da cabeça das pessoas, como explicar então geneticamente isso? Como explicar que uma criança bem pequena, que ainda não foi envenenada pela sociedade, não seja racista? Se ela não nasce racista é por que algo no seu cotidiano a faz assim. Ou seja, não é um problema da cabeça das pessoas
Precisamos avançar e você tem algumas missões:
1- Convencer sua colega a postar no Blog. Se ela não fizer isso ela está nos negando conhecimento e eu garanto que ela tem.
2- Não parar de postar. Estarei sempre te lembrando disso.
3- Se manter nos estudos. Diria mais; será preciso estudar coisas que não são passadas na escola (de uma forma proposital).
4- Se manter firme no diálogo co seus colegas mostrando-os (olha a importância do estudo) que mudar não é só uma vontade, um sonho, É POSSÍVEL. E...
5- Precisamos abrir mais um canal de contatos (pode ser email). Até por que as vezes fico inibido de colocar postagens muito grandes e incomodar os demais leitores. E você coloca questões que são muito pertinentes mas que exigem um texto maior. O que acha?
É Welington!!! Quando criou o Blog, imaginava esta proporção???
Já tenho vários alunos frequentadores.
Você ta de parabéns!!!

Welington disse...

Obrigado, Elson. Obrigado a todos vocês que participam do blog de diferentes formas. Uma coisa importante para todos nós é não se deixar levar pelas falas dos outros mas buscar, encontrar nas mesmas, elementos de ampliação das nossas capacidades analíticas para, fundamentalmente, intervir na realidade. Aqui, ninguém sabe mais ou sabe menos. O que existe aqui são diferentes aproximações teóricas sobre fenômenos diversos. Nem eu, nem ninguém, sabe tudo. Aliás, nos meus estudos o que tenho percebido é a máxima socrática de que a única coisa que sei, é que nada sei. Não por não saber nada, mas por me reconhecer, na medida em que amplio o meu conhecimento, ignorante em muitas coisas que antes não sabia. A opinião de todos aqui são levadas em consideração e por isso tenho procurado, sempre que possível, mediar o debate, trazendo novas possibilidade de pensarmos sobre alguns fenômenos. Se estes blog tem assumido a proporção que o professor Elson diz, isso deve única e exclusivamente a todos nós que participamos do mesmo de diferentes formas. Espero que possamos continuar com todos os que escrevem, comentam, visitam enfim, contribuem com o blog. Pasquim, Joselito, Kuat, Elson, Miralva, Russo, Larissa, Deraldo e tantos outros, não deixem a chama de apagar. Vamos alimentá-la, pedindo para os nossos amigos que não comentam, deixem de comentar. O conhecimento deve ser socializado e esse espaço tem este objetivo. Socializar um pouco o pouco que conhecemos ou que imaginamos conhecer. Abraços. Continuemos firme, pois a luta é para vencer!!!