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domingo, 12 de julho de 2009

I belong to Jesus



A crença em seres metafísicos sempre acompanhou a existência humana. Junto com a consciência dos fenômenos que a rodeava vinha também a necessidade de explicá-los. Surgem os mitos, primeiras falações explicativas "(...) pertencente à tradição cultural de um povo que explica, mediante o apelo ao sobrenatural, ao divino e ao misterioso, a origem do universo, bem como o funcionamento da natureza e o surgimento dos valores básicos da sociedade". (BETO & VALDECIR, 2007, p. 21).

Com o tempo, conjuntamente com o desenvolvimento das ciências e a evolução da humanidade, o pensamento mítico foi perdendo espaço sem, no entanto, deixar de influenciar corações e mentes através de outras expressões do conhecimento humano como, por exemplo, o conhecimento da fé.

A fé, diferente do mito, explica-se por si mesma. Aliás, ela mesma não exige explicação e não existe para explicar algo. Simplesmente existe. Ponto final.

Em nome da fé, vários acontecimentos se justificam por mais discrepantes que sejam. De guerras à gols nos gramados do mundo, um certo senhor de todos os homens, criador do universo e de tudo o que nele há, é evocado. Seu nome? Jesus. O décimo segundo jogador que sendo o último, é o primeiro, pois disso é feito o mistério da fé.

Na conquista da Copa das Confederações no último dia 28 de junho do corrente ano o que se viu foi um fervor religioso jamais visto no conjunto de jogadores que já passaram pela seleção brasileira, que deveria, aos olhos deste humilde telespectador formado nas tradições católicas, embora não praticante e até cétido da existência deste tal décimo segundo jogador, se reservar a comemorar a conquista de um título nos modelos tradicionais, reservando para o plano privado, suas crenças particulares.

Em um país com tradições religiosas diversas, uma seleção brasileira não deveria expressar nenhuma crença em particular, pois a mesma se presta a representar uma nação e não um culto religioso desta ou daquela coloração.

Para Ricardo Acampora, "(...) surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da seleção brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões. Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão".(BLOG do Juca)

Tudo isso sob a barba condescendente da FIFA que em suas normas proibi tais manifestações. Será que ela seria tão condescendente se estas fossem em pró de um pensamento político de contestação da ordem, tal como víamos, em tempos passados, pelos Black Power? Duvido muito. Chego até a pensar que a proibição de qualquer manifestação política ou religiosa promovida pela FIFA nas suas determinações normativas estejam muito mais para as manifestações políticas do que às religiosas.

Os dirigentes esportivos ficaram preocupados com as manifestações do brasileiros após o apito final do jogo contra os Estados Unidos e pediram punição por parte da FIFA ao selecionado brasileiro. "Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje" (BLOG DO JUCA)

Enquanto isso, o deus da seleção brasileira segue diferente dos deuses das seleções de outros países no mundo e deve jogar um bolão, pois já permitiu que a seleção canarinho conquistasse três títulos da Copa das Confederações e cinco mundiais. Ele não deve gostar muito é de Olimpíadas. Ou então tem suas razões para não deixar que a gente conquiste este título pois, como é o único que falta, podemos nos exceder nas soberbas entre os simples mortais.

É uma pena que esse deus só goste de futebol. Deveria gostar também das crianças que passam fome, dos trabalhadores que não têm emprego. Deveria se preocupar mais com o Haiti, onde se produz biscoito com barro e manteiga. Deveria olhar mais para o Continente Africano, para o norte e nordeste brasileiro. Deveria ser mais plural e menos elitista.

Mas, como todos sabemos, ele escreve certo por linhas tortas. Inteligentemente, nos deixou o chamado livre arbítrio, que tudo explica e tudo responde.

É missa ou é jogo? É futebol ou é culto religioso?

I dont belong to Jesus!!!