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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Quanto custa realizar o sonho de assistir à Copa do Mundo de 2030? Veja quanto é preciso economizar

A decisão da Copa do Mundo de 2026 encerrou mais uma edição histórica do torneio, mas, para muitos torcedores, o pensamento já está voltado para 2030. O próximo Mundial terá uma configuração inédita: Espanha, Portugal e Marrocos serão os principais anfitriões, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai receberão os jogos inaugurais em homenagem ao centenário da competição.

Para quem pretende acompanhar o evento de perto, a palavra-chave é planejamento financeiro. Especialistas alertam que começar a economizar agora pode fazer toda a diferença para transformar o sonho em realidade sem comprometer o orçamento.

Quanto guardar até 2030?

De acordo com o consultor de investimentos Leandro Benincá, da API Capital, o ideal é definir uma reserva financeira o quanto antes e incluir uma margem de aproximadamente 20% acima do valor estimado da viagem. A recomendação leva em conta possíveis oscilações do euro, aumento nos preços de passagens, hospedagem e outros custos que podem surgir ao longo do planejamento.

Considerando que ainda restam cerca de 46 meses até o torneio, diferentes perfis de viagem exigem metas distintas.

Opção econômica

Quem pretende permanecer cerca de dez dias, hospedar-se em hostels, assistir a quatro partidas (três da fase de grupos e uma do mata-mata) e manter gastos moderados com alimentação deve considerar um orçamento entre R$ 24 mil e R$ 34 mil.

Para alcançar esse objetivo, seria necessário reservar aproximadamente R$ 450 a R$ 600 por mês.

Experiência intermediária

Já uma viagem com maior conforto, incluindo duas semanas em hotel, cinco partidas (quatro da fase de grupos e uma eliminatória) e uma estrutura mais completa, exigiria um investimento próximo de R$ 42 mil.

Nesse caso, a economia mensal ficaria acima de R$ 800.

Pacote completo

Os torcedores que sonham em acompanhar toda a reta decisiva da competição, incluindo jogos do mata-mata e a grande final, precisam preparar um orçamento significativamente maior.

A estimativa varia entre R$ 110 mil e R$ 150 mil, dependendo da categoria dos ingressos escolhidos. Para atingir esse valor até 2030, seria necessário investir aproximadamente R$ 2,5 mil a R$ 2,8 mil por mês.


Foto: Werther Santana/Estadão

Lições da Copa de 2026

A última edição da Copa trouxe situações que servem de alerta para quem pretende viajar no futuro. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas restrições de acesso aos estádios obrigaram os torcedores a utilizar exclusivamente o transporte público, elevando os gastos durante o torneio.

Além disso, a FIFA adotou um sistema de precificação dinâmica para os ingressos, fazendo com que os valores variassem conforme a procura. Segundo Benincá, existe a possibilidade de que normas europeias limitem esse tipo de prática em 2030, reduzindo oscilações extremas nos preços das entradas.

Outro fator que merece atenção é a hospedagem. Na Copa de 2026, grande parte das cidades-sede registrou aumentos expressivos nas diárias, com reajustes superiores a 80% em diversas localidades.

Vale a pena comprar euros aos poucos?

Para quem pretende viajar, o consultor recomenda acompanhar o comportamento da moeda europeia.

Caso exista expectativa de valorização do euro, uma estratégia interessante pode ser realizar compras mensais da moeda e mantê-la em uma conta internacional. Se a expectativa for de estabilidade cambial, o viajante pode acumular os recursos em reais e efetuar a conversão mais próximo da viagem, evitando apenas deixar tudo para os últimos meses.

Independentemente da estratégia, a orientação é automatizar os aportes mensais e investir os recursos em aplicações conservadoras de renda fixa, como produtos atrelados ao CDI, já que o dinheiro possui uma data definida para ser utilizado.

Organização financeira faz diferença

Para Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, o principal objetivo não deve ser apenas alcançar um determinado valor, mas transformar a viagem em uma meta financeira de longo prazo.

Segundo ele, quanto antes o planejamento começar, menor será o impacto das contribuições mensais e maior será a capacidade de lidar com eventuais aumentos de preços ao longo dos próximos anos.

Uma pesquisa realizada pela Creditas em parceria com a Opinion Box revelou que 74% dos brasileiros pretendiam gastar dinheiro durante a Copa de 2026 e, entre eles, 80% admitiram não ter feito qualquer planejamento financeiro.

Antes da viagem, organize as finanças

Casagrande também destaca que, antes de iniciar a reserva para a Copa, é importante avaliar a situação financeira da família.

Quem possui dívidas caras, como cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos com juros elevados, deve priorizar a reorganização dessas despesas antes de começar a investir na viagem. Isso permite construir a reserva de forma mais saudável e sustentável.

Seguro viagem deve entrar no orçamento

Outro item considerado essencial é o seguro viagem.

Com partidas distribuídas entre três países diferentes, os torcedores estarão sujeitos a legislações distintas, sistemas de saúde variados e custos elevados de atendimento médico. Além da cobertura hospitalar, o seguro pode proteger contra problemas como extravio de bagagem, atrasos e cancelamentos de voos, reduzindo o impacto financeiro de imprevistos durante a experiência.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Espanha é bicampeã

A Espanha voltou a conquistar a Copa do Mundo dezesseis anos depois do título obtido na África do Sul, em 2010. Mais uma vez, a equipe espanhola alcançou o topo do futebol mundial sustentada por um estilo baseado na circulação da bola, controle do jogo e consistência defensiva. Ao longo de toda a campanha, sofreu apenas um gol em oito partidas, estabelecendo a melhor marca defensiva já registrada por uma seleção campeã do torneio.

A conquista representa a consolidação de uma geração que já havia levantado a taça da Eurocopa de 2024 e ampliou para 38 jogos a sequência invicta da seleção espanhola, agora a maior da história entre equipes nacionais.

O trabalho do técnico Luis de la Fuente também ganhou reconhecimento definitivo. Escolhido pela Federação Espanhola após a Copa do Mundo de 2022, o treinador apostou na manutenção da base de jogadores que havia dirigido nas categorias inferiores, fortalecendo um modelo coletivo de jogo. A confiança no comandante era tanta que o lateral Marc Cucurella chegou a afirmar que tatuaria o rosto do treinador caso a Espanha fosse campeã.

Ferrán Torrez comemorando o gol do título

A campanha começou de forma discreta, com um empate sem gols diante de Cabo Verde. A partir daí, porém, a equipe não voltou a tropeçar. Venceu Arábia Saudita e Uruguai na fase de grupos, eliminou Áustria, Portugal e Bélgica nas fases eliminatórias, derrotou a França por 2 a 0 na semifinal e confirmou o título ao superar a então campeã mundial na grande decisão.

Na final, a superioridade espanhola ficou evidente desde os primeiros minutos. Segundo dados da Opta Analyst, a equipe controlou 64,6% da posse de bola durante o primeiro tempo. A Argentina tentou responder com lançamentos longos, mas encontrou dificuldades para envolver seu principal jogador, Lionel Messi, que teve participação limitada ao longo da partida. Mesmo com as mudanças promovidas durante o segundo tempo, o panorama permaneceu praticamente inalterado. A Espanha criou as melhores oportunidades, obrigou o goleiro Emiliano "Dibu" Martínez a realizar importantes defesas e confirmou em campo um domínio que terminou refletido no placar e na conquista do bicampeonato mundial.

sábado, 11 de julho de 2026

Sucesso no Mundial ou Ilusão Ufanista? O que o Brilho dos Clubes Brasileiros Pode Estar Escondendo


Segue abaixo um breve comentário/síntese sobre um vídeo que postei no meu canal do youtube há um ano. Frente ao fracasso da seleção brasileira nesta Copa do Mundo, creio que o conteúdo pode contribuir para a reflexão sobre o que vem acontecendo com o nossa seleção. Leia o texto e acesse o vídeo (link ao final da síntese).

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O desempenho recente dos clubes brasileiros no Mundial de Clubes da FIFA tem sido motivo de grande empolgação. Com equipes liderando suas chaves e batendo de frente com gigantes do futebol europeu e mundial, a imprensa nacional rapidamente adotou um tom ufanista, celebrando a ideia de que o futebol brasileiro finalmente reencontrou sua antiga grandezaNo entanto, por trás das vitórias em campo, existe uma realidade muito mais complexa e incômoda que não podemos ignorar.

O Perigo do Entusiasmo Acrítico
O grande problema desse ufanismo, conforme aponta o professor Welington Silva (UEFS), é que ele mascara as contradições profundas que afetam o esporte no país. Ao celebrarmos apenas o topo da pirâmide, cometemos dois erros fundamentais:
  1. Reducionismo: Limitamos a percepção do futebol brasileiro ao sucesso de apenas quatro clubes de elite.
  2. Maquiagem Estrutural: Ignoramos que os problemas crônicos continuam presentes, independentemente do resultado de um torneio internacional.
A Realidade que o Placar não Mostra
Enquanto os refletores do Mundial brilham, a estrutura do futebol nacional permanece marcada por desafios que raramente ganham a mesma atenção mediática:
  • Desigualdade e Má Gestão: Um modelo que concentra recursos em poucos, enquanto a maioria dos clubes luta pela sobrevivência.
  • Precarização das Bases: A falta de investimento e estrutura adequada para formar novos atletas de maneira integral.
  • Ausência de Políticas Públicas: A carência de diretrizes consistentes que pensem o futebol como um ativo social e cultural, e não apenas comercial.
O Mundial Passa, os Problemas Ficam
É preciso ter em mente que, assim que a competição da FIFA terminar e o foco voltar para o Brasileirão, todos esses dilemas estruturais estarão "esperando por nós". Tratar o sucesso momentâneo como prova de que tudo vai bem é, na prática, continuar empurrando os problemas para debaixo do tapete.
Conclusão
O orgulho pelo desempenho dos nossos clubes é legítimo, mas ele deve servir como um ponto de partida para um debate sério, e não como um ponto final. O momento exige que, além de vibrar com os gols, possamos refletir e cobrar as reformas estruturais que o futebol brasileiro tanto precisa para se desenvolver de forma sustentável e justa.
Acesso ao vídeo (Clique aqui).

sexta-feira, 17 de março de 2023

FIFA muda o formato da Copa do Mundo e Mundial de Clubes

 Por Riva

1) Nesta quarta-feira, 14 de março, o Conselho da FIFA - instância mais alta da entidade - se reuniu em Kigali, capital da Ruanda, e duas decisões importantes foram tomadas em relação ao novo formato da Copa do Mundo de 2026 e o Mundial de Clubes que será disputado a partir de 2025. Na próxima quinta-feira, 16 de março, o Conselho da FIFA estará reunido na mesma cidade para confirmar a reeleição de Gianni Infantino para mais um mandato de presidente da FIFA que terminará em 2027. Cargo que ocupa desde o dia 26 de fevereiro de 2016.

2) A Copa do Mundo de 2026 será a primeira a ser disputada com 48 seleções e em três países - México, Canadá e Estados Unidos. A competição terá 12 grupos com quatro seleções cada. Os dois primeiros de cada chave e os oito melhores terceiros colocados avançam para a fase eliminatória. A partir daí, as 32 seleções classificadas se enfrentam em mata-mata até a final. A dúvida ficou por conta do formato. Inicialmente, a FIFA pensou em dividir as 48 seleções em 3 grupos com dezesseis seleções cada. As duas primeiras seleções se classificavam para um mata-mata. 

3) O formato tinha tudo para dar errado. Com três seleções em cada grupo, a seleção estaria classificada automaticamente com dois empates e o jogo defensivo iria prevalecer; a última rodada teria uma seleção descansando e, dependendo da classificação, as duas seleções que estivessem em campo poderiam combinar um resultado favorável para ambas. Mas, o principal motivo da desistência do formato com 3 grupos foi as emocionantes e surpreendentes partidas da última rodada da Copa do Mundo de 2022 no Catar. 

4) Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, foram disputadas 64 partidas. Na Copa do Mundo de 2026, no - México, Canadá e Estados Unidos - serão disputadas 104 partidas. Além do número de partidas ser bem maior, a disputa em três países vai exigir muita habilidade para o grupo de organização e logística organizar os locais das partidas, datas e horários. 

5) Como é do conhecimento de todos, eu (Riva) sou saudosista de carteirinha. Mas não sou tolo a ponto de imaginar que mudanças / transformações não  precisam serem realizadas em todos os segmentos da sociedade. Claro que o futebol não pode ficar de fora das transformações que o mundo nos apresenta constantemente e, falando especificamente das mudanças que serão realizadas na próxima Copa do Mundo, tenho uma forte impressão que não serão benéficas para o futebol de seleções. 

6) O acréscimo de seleções participando da Copa do Mundo não tem como principal objetivo alavancar o futebol nos países de menor expressão futebolística. Existem países que, provavelmente estarão na Copa, mas as competições nacionais precisam de tudo. Esse tudo é tudo mesmo. Vai de fardamentos em boas condições de uso, passando pela precariedade dos gramados até chegar na organização das competições. 

7) O atual modelo da Copa do Mundo já é cansativo para quem trabalha - profissionais de imprensa, profissionais das seleções - e para os torcedores. Imaginem com essa enorme quantidade de partidas. Sendo que boa parte, principalmente na primeira fase, serão fracas tecnicamente.

8) Como vai ser a negociação com os patrocinadores? Acredito que vai haver uma enorme transformação na captação e distribuição de receitas porque muitas partidas não terão interesse por parte dos torcedores. Vai depender do horário, da expectativa da partida e do nível técnico. 

9) Os direitos de transmissão, por exemplo, vai ter que se adequar a grade de programação. Mesmo com a evolução de diversas plataformas que já transmitem algumas partidas, como vai ficar os direitos de transmissão das partidas? Será que vai ser negociado o "pacote" completo ou de forma individual?

10) A FIFA terá mais benefícios do que as seleções e o futebol. Essas mudanças só servirão para "contemplar" as Confederações e manter Gianni Infantino no poder sem ser questionado por improváveis opositores. 

Não esqueci de escrever sobre o Mundial de Clubes. Mas, em breve, escreverei sobre o tema.