quinta-feira, 7 de junho de 2012

Calem-se!!!

Os defensores da pluralidade do pensamento, da diversidade das ideias e dos ideais só os são até o momento em que alguma ação vai de encontro aos seus interesses encastelados no âmago do seu ser. Ou nem tanto.

Quando isso ocorre, eis que surge das suas entranhas o mais cruel reacionário a questionar, sobretudo, o direito de revindicação. E é justamente no momento de tensão que o lobo, travestido em pele de cordeiro, aparece para comer as incautas chapeuzinho e a vovó. São fascistas, mas não sabem. Porém se sabem, tornam-se cínicos, o que não faz muita diferença.

Esses sujeitos são germinadores das palavras soltas e vãs. Estão sempre dispostos a vangloriar o outro gratuitamente, a parabenizá-lo e enaltecê-lo por todos os atos, por mais insignificantes que os mesmos sejam. Festejos gratuitos de almas vazias. Todos se autoelogiam e se nutrem do culto a personalidade. Se fossem artistas de circo não sairiam da casa dos espelhos, muito embora o picadeiro seja o seu lugar ideal.

Eles indicam uns aos outros indicando a si mesmo, já que um é o outro na sua integralidade e torpeza. Com a retórica da imparcialidade se dizem neutros na escolha do diferente, mas nunca do antagônico.

Mas são plurais, flexíveis, democráticos, dialógicos, mesmo que tudo isso não passe de aparência. A ideia é justamente essa, parecer ser. Está na ordem do dia e é o método do momento.

Esses senhores, arautos da empáfia, soberbos até em suas vestes e na pele em que habita, não são eles os defensores da epistemologia da aparência? Do império do efêmero? Da naturalização dos fatos sociais? Não são esses que confundem radical com radicalismo?

Sim. São eles, sim. E eles dirão por trás e acima da lei: calem as vozes discordantes, apaguem os textos contrastantes. Só façam ou escrevam o que dissermos que é para fazer e escrever. Nada mais. Qualquer coisa que exceda fere a pluralidade ou ao menos a nossa ideia de ser plural. E agradeça a deus sim, pois a inquisição acabou. Já não podemos ascender a fogueira, infelizmente, mas a nossa vaidade ferida que já arde em chamas, isso não podemos tolerar.

A culpa não é nossa. Entendam. Somos tolerantes. Vocês é que se excederam. Nós, defensores da pluralidade do pensamento, da diversidade das ideias e dos ideais queremos dá um basta em tudo isso para que tudo isso possa prevalecer entre os nossos. Portanto: calem-se!!!

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