domingo, 15 de novembro de 2009

O "apagão" nas aulas de educação física

Na semana do apagão, muitas viúvas do PSDB tentaram revitalizar o debate do caos na distribuição de energia elétrica que marcou o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Só que desta vez, obviamente, tentando minar o governo Lula. Sem nenhuma proposta de nação para o país, a não ser o exercício do poder pelo poder, a oposição brasileira procurou fazer do apagão mais um mote para desbancar o governo Lula que vem batento recordes de aprovação nunca antes visto. Em tempo: tenho críticas, inclusive no campo da política esportiva, mas não sou sectário.

Muitos dirão que isso é fruto de política populista, do tipo "bolsa família" e congêneres. Outros dirão que é em função do pouco desenvolvimento da consciência do povo. Eu digo que é tudo isso junto e mais um pouco. Mas fico com Chateaubriand, quando afirma que "Um dos dramas do Brasil é a profunda ignorância, maior, muito maior, das suas chamadas elites que do seu povo".

Essa elite reprova a saída de milhões de brasileiros da condição de miseráveis com a ajuda do Bolsa Família, mas não assume o debate sobre o por que de um país como o Brasil - "em que se plantando tudo dá" - precisa de um programa que retire as pessoas da condição de famintas. É a mesma elite que quer alimentar os milhões de brasileiros do campo e da cidade sendo contra a reforma agrária e a favor do agronegócio, da monocultura e da derrubada da floresta para a construção de pastagens e campo de futebol.

Esta é a mesma elite que vem alimentando ideias e ideais que não ajudam um centímetro seguer o avanço da formação humana plena de sentidos e significados para todos os humanos que habitam a terra. É a elite que discursa sobre a necessidade das crianças praticarem esporte para não se aproximarem das drogas mas que não responde o que ela vai fazer depois que a prática do esporte acabar. Ou será que ela vai ficar jogando as 24 horas do dia?

É a mesma elite que roubou os cofres públicos e promoveu o pan-americano, traduzindo perfeitamente o que significa o adjetivo RENDIMENTO que qualifica o substantivo ESPORTE. A elite que queria vender a Petrobrás e que hoje torce para o pré-sal não dá certo. A elite que não explica o que foi feito com os R$ 30 milhões do crédito suplementar que pediu ao Congresso Nacional, para fechar a conta da candidatura olímpica do Rio de Janeiro.

É a elite que dá uma no prego e outra na ferradura, dependendo da conveniência. Um dia diz, como fez o Ricardo Teixeira, que não precisa de dinheiro público para a Copa de 2014 e no outro dia bate na porta do Banco Nacional de Desenvolvimento Social.

Essa elite, que se perpetua no poder, tem nas ações dos subalternos a sua influência extendida e esta se traduz nas práticas, por exemplo, dos professores que ao desenvolverem suas aulas na busca do talento esportivo, promovem a competição na busca do ser individualmente mais forte, mais rápido, mais, mais, mais...resumindo o espaço da escola a um celeiro de atletas.

Professores que proomovem a monocultura do esporte. A cultura corporal deve ser resumida ao esporte, de preferência, aos tradicionais futsal, volei e basquete. Promovem torneios internos onde a turma de uma sala joga contra a turma de outra sala obedecendo as regras federadas e confederadas pelas elites que pensam o esporte.

É o "apagão" da educação física, tão festejado pela elite, especificamente a esportiva, quanto o outro apagão. Nada de ampliar as possibilidades do conhecimento sobre a cultura corporal. Essa coisa de ampliação, para o povo, não é bom, pois eles vão querer sempre mais, mais e mais e nós, a elite, só podemos dá o suficiente para aplacar sua indignação, anestesiar as suas consciências. Em pró desse "esporte", não poupamos esforços e sempre estamos dispostos a ceder alguns anéis para não perder os dedos.

Alternativas? Existem e nós vamos mostrá-las na próxima semana e quando menos esperarem as elites, no apagar das luzes, acenderemos o fogo da contra-hegemonia, da contra-internalização.

15 comentários:

Adonis Cairo disse...

Concordo com tudo o qe o colega falou sobre a ação daninha da elite brasileira. E acrescento que chegou a hora de incluir o nosso presidente campeão de aprovação no mesmo grupo. Senão, vejamos: o mundo é capitalista. capitalista não gosta de socialista. Lula é socialista. O mundo gosta de Lula. Há algo estranho nesse encadeamento lógico, não há? Creio que já passou da hora de analisarmos a ação de Lula como parte importante (bem-vinda) do projeto burguês para o Brasil. Não é verdade que a elite está sendo prejudicada pela ação de Lula. Se assim o fosse, o mundo (a elite) não lhe daria tanto crédito. Não sejamos ingênuos. Claro, concordo que Lula não faça parte do grupo que engendra a expoliação popular. ele não teria esse perfil. Seu perfil é de brasileiro médio: Lula quer "se armar". Se isso incluir oferecer bolsa família, ofereçamos; se isso incluir manter um coronel como Sarney (Collor, Calheiros, etc., etc.) no poder, mantenhamos. Essa é a lógica de Lula. Simples, cristalina, como é a mente do homem simples. Aliás, isso Lula nunca negou. Falta, no entanto, a Lula um elemento que é muito comum em um extrato nobre da classe dos homens e mulheres que não tiveram acesso aos bens da escolarização: honestidade e retidão.

Welington disse...

Mestre Adônis. Que bom vê-lo de volta. Sua reflexão é oportuna e me permite dizer que não há nada de errado no encadeamento lógico das ações do Lula, pois as mesmas estão coerentes com a dinâmica do estado burguês ou vc acha que a madre teresa de calcutar sairia limpinha, incólume se submetida fosse às dinâmicas das nossas casas legislativas? E antes que digam que esse argumento não justifica as ações do nosso presidente, digo que concordo, mas ele serve ao menos para explicar. Como o meu vinil (cd para os mais jovens) anda arranhado, repito o filósofo dinossáurico sardenho: O ESTADO É O GERENTE DA BURGUESIA.

dado disse...

Well.... você consegue "apagar" a imagem que os ditos oposicionistas queriam....
Mais uma vez, parabéns! e , aproveitando, esperando o sucesso da tese apresentada hoje, de Doutorado (não pude comparecer, infelizmente!-solicitei representantes que já devem estar por aí).

Anônimo disse...

Welington, amei seu texto, viu? Escrevo do trabalho porque em casa ando sem internet, assim que tudo se ajeitar colocarei seu blog na lista dos meus preferidos em meu blog: www.profacamilatc.wordpress.com... Sei lá se tem o br, tanto tempo que não entro em meu próprio blog... A Oi daqui de MG anda pisando na bola....

Parabéns e beijos.
Camila.

Antônio disse...

Eis a elite ue ..... com nosso voto: O governo MULLA, que tomou o erário e não quer largar. Institui o REUNI e mandou tropas para o HAITI.Uniu a Sarney que mantém o Maranão em regime de penúria

José Cruz disse...

Olá,Wellington

muito bom o teu artigo, bem ponderado e ótimos argumentos.
Tomei a liberdade de incluir teu blog entre os meus favoritos, ok?
abç

Anônimo disse...

Eu pensei muito antes de escrever, pois, apesar de gostar demais do blog, só participei do mesmo como "escritor" uma única vez, porque me senti representado no artigo do professor e nas imagens dos orixás que estavam postadas. Não tenho a coragem de Larissa, mesmo sendo tão jovem como ela. Larissa tem uma desenvoltura que me falta, tenho uma timidez que faz parte de mim e que não me deixa expressar meus pensamentos, mesmo estando "invisível" na web, mas tentando superar tal timidez, quero dizer que acho engraçado que ninguém pergunta as pessoas que precisam do Programa Bolsa Família a opinião delas sobre o assunto. Será que é porque pensam que quem é beneficiado pelo Programa é incapaz de ter uma opinião fundamentada sobre isso? Tem gente que pensa que o povo é ignorante, que é incapaz de opinar, de debater, de argumentar. Por que será que as pessoas que criticam tanto o Bolsa Família são pessoas que nunca passaram fome na vida e não precisam de Bolsa Família? Vivemos em um país que se organiza sob um regime de economia capitalista, portanto, vivemos em um país onde sempre haverá pesssoas passando fome. O capitalismo gera desiguladade social e no Brasil, essa desigualdade é imensa, fruto de um processo histórico que alimentou a elite do "bom e do melhor" e desnutriu o povo com pouco ou nenhum acesso à alimento, moradia, saúde, educação, cultura, lazer, etc. Enquanto não tivermos outro modelo de sociedade, o que fazer com as pessoas que passam fome? Não tenho ilusão nenhuma que o Presidente Lula acabará com a miséria que assola o Brasil em um regime que coloca o capital em primeiro lugar, mesmo tendo um projeto político de sociedade voltado para o povo. Eu concordo com o Professor Welington: precisamos de outro modelo de sociedade. Só que o modelo que precisamos ainda não é uma realidade concreta, sendo assim, sou favorável às políticas compensatórias e às políticas redistributivas,pois, a fome é uma realidade concretíssima.Não é combatendo tais políticas que vamos resolver a situação de quem vive na miséria, devemos combater as causas e assim acabaremos com os "sintomas".
Percebo que os participantes do blog têm um ponto em comum, mesmo quando as idéias são divergentes: ninguém é a favor do tipo de sociedade que temos. Ninguém. Percebo também que a maioria tem muito estudo e fala com propriedade sobre os assuntos abordados, mas percebo que ninguém já viveu o que já vivi em meus poucos anos de vida, pois já senti fome e não senti mais ainda porque minha família recebia o Programa Bolsa Família, já sofri e sofro descriminação racial, enfim, já comi o pão que o Diabo amassou, mas minha família usou as brechas da sociedade capitalista e com muita luta conseguiu sair da situação calamitosa que vivia. Meu pai conseguiu emprego, minha mãe também, minha irmã mais velha é criativa demais e aprendeu a fazer biju, tenho que falar é uma moça muito bonita e faz faculdade, passando como cotista. Cota não é esmola, é direito. Eu estudo muito e foi o estudo que me porpocionou o computador, pois participei de um concurso de redação em minha cidade e ganhei o prêmio de primeiro lugar. Aprovetei a "brecha", ciente de que o prêmio faz parte do jogo de exploração. Assim que minha família conseguiu o sustento, meu pai não quis saber do Bolsa Família. Só contei tudo isso para dizer que muitas vezes o Bolsa Família faz diferença na vida das pessoas. Nem sempre tem peixe para todo mundo, mesmo quando a família é de pescador e portanto, sabe pescar. O governo Lula fez diferença na vida da minha família. Não é verdade que o povo que recebe Bolsa Família é vagabundo, não gosta de trabalhar...
A verdade é que as pessoas que recebem algum tipo de benefício do governo em sua absoluta e esmagadora maioria têm a minha cor. Por que será?
Alonguei-me demais, peço desculpas, acho que é a empolgação da segunda vez.

Anônimo disse...

Minha intenção foi mostrar que o outro lado da realidade, realidade vivida e não teorizada e nem imaginada. Realidade que um dia um menino também viveu no sertão nordestino. É um sobrevivente antes de ser um Presidente. A história pode ser negada, mas nem por isso deixa de ser verdadeira. Eu também me considero um sobrevivente.


Kuat

Elson disse...

Ola Kuat, Wellington e demais!!
Percebam que debate fértil o Wellington nos propicia aqui.
Que bom ver o outro lado da moeda, ou seja, dos que se beneficiaram com o Bolsa Família.
Como a colega acima falou, comungamos do mesmo desejo de mudanças. Sendo assim, caminhamos juntos. Qual próximo passo? Saber se o método que usamos para alcançar nossos objetivos é o que mais se aproxima do que queremos.
Sou muito criticado por criticar a caridade e o farei ao Bolsa Família.
E criticar não significar negar. Criticar significa julgar (Krinein).
Sendo assim, precisamos pontuar que a caridade, o bolsa família etc. se não estiverem atrelados à construção de um outro projeto caem em políticas compensatórias, reformistas. Agora, se são parte especificas de uma mudança maior aí serão reformas que nos levam á revolução (mudança e construção de um novo projeto).
Sei que será muito difícil dialogar com a fala acima haja visto que é uma fala carregada de "sentir na pele". Mas isto não desqualifica a opinião de quem não sentiu na pele. Pelo contrário; não ter passado fome e hoje pensar nos que passam, nos torna pessoas importantes na busca por um outro projeto.
Cabe avaliarmos: é possível a todas pessoas que ganham o Bolsa Família adentrar nas Universidades? Mesmo que todas tenham se esforçado - como a colega acima COM CERTEZA o fez - temos vagas para todos e todas?
Quanto alunos, em cursos concorridos (Medicina, Odonto, Engenharia...), tiveram Bolsa Família?
Ou seja, temos que pensar se esta política efetivamente tira as pessoas da situação desfavorável. Temos um exemplo... podemos generalizar?
Jamais pedirei para que as pessoas neguem um prato de comida ao pedinte que aparece na porta de suas casas. Mas lembrarei sempre das palavras de um autor que agora não me recordo o nome: " você até pode tratar um mendigo com dignidade. Mas você mudará a vida dele e de sua família muito menos do que se lutasse contra a lógica que faz com que existam mendigos".
Que o prato de comida, o Bolsa Família ou outra política esteja organicamente atrelada á construção (vias outros meios) de um novo projeto.
Corremos o risco inclusive de que ações pontuais dificultem esta construção. A Rosa Luxemburgo pontuou isso muito bem no Reforma ou Revolução.
Seguimos no diálogo..
Forte abraço

Welington disse...

Kuat, muitíssimo obrigado pelo retorno. Suas opiniões serão sempre importantes para nós, concordando ou não com nossas reflexões. Um forte abraço e continue nos visitando e comentando também, não deixe que a timidez nos prive de seus importantes comentários.

Anônimo disse...

Não faço faculdade ainda, estou no Ensino Médio, mas um dia farei. Lendo o blog Fome do Leão, descobri que o Professor Welington é doutor em educação. Parabenizo o senhor.
Eu ainda continuo insastifeito com a seguinte questão: O governo Lula não é um governo que tá voltado para a construção de um modelo de sociedade igualitária e justa, as políticas compensatórias não resolvem nada porque não estão ligadas a construção de uma nova sociedade. Vivemos no inferno da exclusão social, educacional ( a vida toda o Brasil só reservou cotas para os brancos, agora que há uma tentativa de pagar as contas a uma parcela da população que saiu da senzala para a favela, pois a pobreza do Brasil é cor preta, a confusão tá pronta ( a fala não é minha, é da minha professora de História, mas concordo com ela)). Enfim, estamos ferrados porque as políticas públicas no Brasil não atingem as pessoas que mais necessitam delas. Tamo na luta por uma nova sociedade. Não queremos a que tá aí. Não concordamos em matar a fome do mendigo, queremos que não exista é mendigo, mas a realidade é que existe mendigo em um governo que é uma porcaria. O governo nem tá aí para o mendigo. Então, o que o mendigo deve fazer enquanto nós lutamos por uma nova sociedade? Enquanto lutamos para derrubar o regime que produz mendigo, o que fazer com o mendigo, pois ele não vai desaparecer de uma hora para outra, ainda mais no governo que é assistencialista. O que fazer com o mendigo? E digo mais: o mendigo é branco.


Kuat

Anônimo disse...

No momento estou sem tempo para participar do blog porque estou com muitas provas para estudar. Só tou aqui para parabenizar o Professor Welington. Tou feliz com a conquista dele, pois o título não subiu à cabeça, ao contrário, continua mantendo uma atitude humilde e de respeito com todo mundo.
Parabéns, Kuat, por mostrar que toda moeda tem duas faces.
Parabéns, Professor Elson, por defender suas verdades com sensibilidade.
Parabéns, Professor Welington, por mostar a caveira da elite brasileira em seu artigo. É asquerosa mesmo a forma como ela se comporta para que o povo brasileiro continue no apagão da exclusão social.


Larissa

Welington disse...

Kuat, Larissa, Elson e demais. Acho que todos nós concordamos com as essencias dos argumentos. Discordamos de um ponto ou outro, no que diz respeito a tática. Mas estive pensando um pouco e cheguei a conclusão que nos encontramos agora, depois de alguns diálogos, não só agora mas os de antes também no mesmo dilema do Marx nos finais de 1843 até 1883. Ali Marx "descobre que o estado tem funções universalizantes, mas o núcleo de sua natureza é classista. O Estado tem uma natureza de classe. (...): o executivo do Estado moderno é o comitê que gere os interesses comuns da burguesia" (José Paulo Netto). Esta é a questão que penso falta para nós compreendermos, para poder entender como joga o Estado no sentido de mater a sua hegemonia. Bolsa Família, Cotas, entre tantas outras políticas públicas são partes deste processo de manutenção da hegemonia? Ceder anéis para não perder os dedos? Netto nos diz que "De finais de 1843 até 1883, Marx tratará de compreender o que chamou de 'anatomia da sociedade civil', pois só assim poderia compreender 'a anatomia do Estado'. A chave dessa compreensão está no que denominou 'crítica da economia política'. É isso. Nós precisamos dá um passo à frente e estudar a questão do estado para poder entender o que estamos discutindo. É isso que penso. Obrigado pela participação de vocês. E Kuat, fico muito contente em saber que já no ensino médio, sua cabeça funciona do jeito que funciona. Obrigado Larissa pelas palavras carinhosas e sinceras e o Elson, bem, o Elson já é praticamente sócio do blog..rsrs

Ana Carina disse...

Como sempre nossos dirigentes tentam naturalizar os problemas pelos quais passa a educação, simplificando-os ao mundo da escola. Tentam nos fazer acreditar que é dentro de seus muros que serão resolvidos. Essa é uma visão erroneamante construída, pois é na estrutura desigual da sociedade e nas politicas públicas fragmentadas que está a raiz da má qualidade na educação brasileira. É preciso descontruir essa falsa essa mentalidade que atrofia e desvia o foco da essência da questão. A falta de compromisso de nossos governamentes com uma educação de qualidade e com a educaçãp física não é diferente Através dela se negou à população o direito à livre expressão através de seu corpo, castrou-o, inibiu-o. Essa é só mais uma das formas de impedir a livre expressão.

Welington disse...

Valeu, Ana. Muitíssimo obrigado pela sua participação. Sempre que possível, compareça nos espaços de comentários deixando a sua marca registrada.Abraços.