sexta-feira, 19 de junho de 2009

Você tem fome de quê?

O maior problema do mundo é a fome. Esta se encontra presente em menor ou maior grau tanto em nações desenvolvidas quanto em nações subdesenvolvidas.
Um dos maiores mercados do mundo é o esporte. Ou melhor: o futebol. Este se encontra presente em maior ou menor intensidade em diferentes partes do planeta. Joga-se o futebol tanto em países desenvolvidos quanto em subdesenvolvidos. Um verdadeiro fenômeno social, tal como a fome, guardadas as suas devidas proporções.
Existe o basquete, o hugby, o beisebol, o boxe e outros que também são fenômenos sociais importantes e que são praticados em vários lugares do mundo, mas nada comparável ao futebol.
No Brasil, nada mais, nada menos de 10% da população, um montante de 18 milhões de brasileiros, são de famintos. No mundo, a cifra é maior, muito maior. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Agricultura e a Alimentação (FAO), superaremos a barreira de um bilhão de famintos ainda este ano.
Um bilhão de famintos!!!
Ainda segundo a ONU, "O número supera em quase 100 milhões o do ano passado e equivale a uma sexta parte aproximadamente da população mundial".
Nesta semana, esses dois fenômenos sociais aparentemente distintos ganharam visibilidade em diferentes mídias, um com mais intensidade (futebol) que o outro (a fome). Um, em função da transação comercial de dois jogadores que, somados, alcançaram a cifra de 160 milhões de euros e o outro, devido ao relatório supra-citado da ONU sobre o recrudescimento da fome no mundo, apesar de produzirmos o suficiente para nutrir os 6 bilhões de seres humanos do planeta, o equivalente a dois quilos de grãos e meio quilo de carnes, ovos, frutas e vegetais por dia.


Apenas a compra do jogador Cristiano Ronaldo, que custou a “bagatela” de 96 milhões de euros, daria para alimentar mais de 8 milhões de etíopes e ainda sobraria dinheiro para outras ações.
Se somarmos 96 milhões aos 64 milhões de euros da transação relacionada à compra de Kaká, obteremos a fabulosa cifra de 160 milhões de euros.
Diante deste impasse – futebol ou fome –, a justificativa da escolha se dar pela lógica do mercado. Para alguns, esta transação é perfeitamente plausível, e embora consideremos que seja muito dinheiro, o mercado explica.
Esse é o pensamento expresso pelo presidente da FIFA, Jopseph Blatter. Diz ele: “sejamos generosos: é muito dinheiro, mas é o mercado. Há uma sensível crise econômica mundial, mas o futebol continua a ser um bom mercado”.
Eu não sei de onde vem esta sensibilidade da crise, mas o Blatter tem razão ao mencionar que o futebol é um grande mercado. Diante deste imperativo, deste argumento autojustificador, pouco importa se pessoas morrem de fome. Infelizmente, existem pessoas que não tiveram a sorte de nascer em um berço esplêndido, já tem o seu destino traçado e que, portanto, não podemos fazer nada.
O futebol realmente é um grande negócio, extremamente rentável não apenas para os clubes e para os jogadores mas, também, diria até que principalmente, fundamentalmente, para empresários e investidores.
Entre futebol e fome, futebol. Entre jogador e pessoas famintas, jogadores.
Esta é a lógica insana deste sistema insano. Privilegiar as coisas e coisificar as pessoas.

6 comentários:

Bira Menezes ( Fome do Leão) disse...

Welington, se ampliarmos a comparaçao entre os famintos globalizados e os capitalistas voláteis, teríamos ainda mais motivos para exigirmos posturas de governo que privilegiassem as´pessoas e não as coisas. A voz da fome se expressa pela e na barbárie que con-vivemos na contemporaneiadade. Parabens ao Esporte em Rede

carlos ribeiro disse...

Grande Welington, seria tão simples todos tivessem igualdade de condições sociais e "humanas". Infelizmentes vivemos num mundo capitalista, onde a prioridade não é acabar com a miseria! Fico pasmo com essas transações do futebol e me pergunto : onde está a crise mundial? A crise só existe no prato do brasileiro pobre e do analfabeto?
O salário minimo de uma empregada doméstica R$465,00. Quanto será que recebe de salário a empregada domestica de nosso presidente?

Parabéns por essa louvavel iniciativa de criar esse espaço para todos expressarem suas opiniões e sendo sempre respeitadas.

Um grande abraço,

Carlos Ribeiro

Welington Silva disse...

Olá, Carlos.

Muito importante as suas ponderações. E fazendo coro com a sua pergunta final, fico a imaginar quanto ganha o(a)s empregado(a)s dos nossos jogadores de "ouro".
Obrigado pela participação.

Pedro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
paulo disse...

Caro MESTRE Wellington, os valores pagos pelos atletas são altos, mas o que conta para quem paga é o quanto irá render para os donos dos clubes, e esses "cidadãos" não sabem o que é fome pois viajam em primeira classe e se hospedam em hotéis cinco estrelas. Enquanto a mídia vende a ilusão a nossas cianças de que um dia estarão em lugar de seus astros.
Forte abraço.
Paulo Oliveira (UEFS-EDFISICA2002)

Welington Silva disse...

Olá, Paulo.

Obrigado pela visita e pelo comentário. Continue participando do blog e divulgando o mesmo.

abraços