terça-feira, 21 de outubro de 2014

A barbárie na forma de comentário

Quando abordamos o termo barbárie, geralmente o fazemos citando grandes atentados terroristas, as diferentes guerras em curso no mundo (além das duas de alcance mundial), o holocausto, o uso da bomba atômica, etc, etc.

No entanto, penso eu, muito embora os elementos supracitados realmente expressem a barbárie, os atos que a contém, a eles não se resumem. Muitos outros traduzem o quanto não só a barbárie está em curso em função das relações sociais de produção e reprodução da nossa vida nessa quadra histórica, mas, sobretudo, demonstram o grau de desenvolvimento da mesma, sua ampliação e extensão, sendo demonstrada em situações e expressões que passariam por naturais se trágicas não fossem.

O que me levou a desenvolver esta postagem tem relação com isso. Um jovem jogador do futebol indiano, que atuava no Bethlehem Vengthlang FC, foi vítima de uma fatalidade.



Ao comemorar o gol que acabara de fazer com uma pirueta, algo muito comum entre os jogadores, inclusive do futebol brasileiro, ele caiu de mal jeito, sofrendo lesões na espinha. Hospitalizado, ele veio a falecer no domingo último, cinco dias após o incidente.

Uma tragédia, sem dúvida alguma. Como é toda e qualquer perda, abrupta ou não, de jovens como ele, ou de qualquer ser vivo e que merece ser tratada com humanidade.

Mas o que fica expresso nos comentários (imagens reproduzidas abaixo), traduz, na justa medida, a falta, para dizer o mínimo, de sensibilidade das pessoas frente ao ocorrido.

A tragédia é mote para piadas e "brincadeiras". São várias do tipo: "vacilão"; "esse deu a vida pelo time literalmente"; "trágico, mas morreu feliz"; "kkkkk"; "vacilão morre cedo" entre muito outros bárbaros comentários.





 

5 comentários:

Marlon Batista disse...

Boa publicação prof, realmente e muito infeliz ver esses tipos de comentários.

Ivy Guedes disse...

É AMIGO A ESPETACULARIZAÇÃO DAS TRAGÉDIAS. HÁ TEMPOS VENHO FAZENDO COMENTÁRIOS CURTOS SOBRE ISSO, PENSANDO E REFLETINDO COMO TEM SIDO TRATADA A MORTE PELA MÍDIA. A DEPENDER DO MORTO- HOLOFOTES- DIAS E DIAS DE VEICULAÇÃO NA MÍDIA.
E O AMARILDO CADÊ? E OS MAIS DE 20 JOVENS NEGROS POR FINAL DE SEMANA NA CIDADE DE SALVADOR, QUEM VAI CHORAR POR ELES?

Jaderson Barbosa disse...

"Face" triste do "book" humano. O que importa é "curtir". Lamentável.

Marivaldo Andrade disse...

O ser irônico passa dos limites, as pessoas perdem de vez a consciência... Problema esse que reflete tb nos casos homofóbicos, quando piadinhas são lanças contra o "Aranha" por exemplo.

Dani Souto disse...

Infelizmente é cada vez mais comum essas piadas com tragedias... é uma forma de banalização à vida.