terça-feira, 29 de novembro de 2016

Tragédia com a Chapecoense

Mais uma tragédia acomete o esporte nacional e porque não dizer, mundial: o avião que transportava toda a delegação da Chapecoense, que seguia para a sua primeira partida decisiva, caiu nessa madrugada na região de Antióquia, Colômbia.

Por enquanto, 75 pessoas morreram, entre jogadores, comissão técnica e tripulação.

Outras tragédias vitimando clubes de futebol e até seleção nacional já ocorreram. Em 1949 aconteceu com o Torino. 31 pessoas morreram. Em 1958 foi o Manchester United, 23 pessoas morreram. Em 1987 o Alianza Lima e em 1993 a Seleção da Zâmbia, vitimando 30 pessoas.

Parece-nos que o número de vitimas fatais desse acidente da Chapecoense supera em números os outros citados.

A delegação do clube saiu de Guarulhos para a Bolívia e de lá seguiu em direção a Medellin, destino não alcançado em função do acidente que segundo informações, deu-se por uma pane elétrica.

A Conmebol suspendeu as atividades relacionadas à Confederação e o Atletico Nacional, que seria o adversário da Chapecoense em jogo marcada para amanhã, 21h45, horário de Brasília, decidiu que o título da Sul-Americana fosse entregue a Chape. Talvez o mesmo seja dividido. Informações que ainda necessitam de confirmação oficial.

Chora o país, chora o mundo do esporte, chora o futebol e toda a cidade de Chapecó. Fica aqui meus sinceros sentimentos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Carlos Alberto Torres




A Deusa do Futebol desce da Taça para chorar a morte do Capita, Carlos Alberto Torres. Fantástica homenagem!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Armação

Fuleiro Futebol Clube, participante do torneio 'Quanto pior, melhor'; são feras em mentiras, manipulações, desinformações e dissimulações.

domingo, 16 de outubro de 2016

Vida longa para a Educação Física e para o jornalismo

Por João Batista Freire

Professor Livre Docente aposentado da Unicamp, além de ter trabalhado na USP e na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual de Santa Catarina, e autor de diversos livros sobre Educação Física e Esporte.
*      *      *

No jornal “Folha de S.Paulo”, o jornalista Marcelo Coelho mostrou-se entusiasmado com a possibilidade de extinção da disciplina Educação Física.

Na proposta de reforma do Ensino Médio, o MEC sugere o término da obrigatoriedade da Educação Física.

As lembranças de aulas de Educação Física quando menino foram traumatizantes para Marcelo Coelho e ele vê com entusiasmo o castigo que essa disciplina faria por merecer.

Fala do assunto como se praticasse uma tardia vingança.

Passei por algo parecido quando fazia Educação Física na escola.

Ao contrário do jornalista, recuperei-me do trauma, formei-me professor e tive a oportunidade de participar da construção de um modo de fazer Educação Física que tornou aquela que ele viveu peça de arqueologia, embora ainda existam, entre os professores dessa disciplina, remanescentes do período das cavernas.

Tive experiências igualmente traumatizantes com a Matemática, aprendi a odiá-la por algum tempo, e nem por isso me manifestaria com júbilo caso ela fosse ameaçada de extinção; quando muito torceria para que, de maneira geral, os professores de Matemática humanizassem sua pedagogia.

Maior trauma sofri, no entanto, com a escola de modo geral.

Menino louco por brincadeiras, trancaram-me em salas de aula, imobilizado em carteiras, sem espaço para me mexer, conversar, rir ou chorar durante anos e anos.

Todos passamos por essa clausura, impedidos que fomos de ser crianças ou adolescentes.

E nem por isso me entusiasmo com a ideia da extinção da escola. Sou educador e trabalho todos os dias por uma Educação Física melhor e por uma escola melhor.

​O texto do aclamado jornalista Marcelo Coelho, de quem sou leitor e a quem muito respeito, seria menos grave não fosse ele o formador de opinião que é.

Deveria ter consultado pessoas confiáveis da área antes de escrever o que escreveu.

Testemunhei, ao longo de minha vida, reportagens catastróficas, indignei-me com manchetes de tablóides, mas não me aventuraria a sugerir medidas para o jornalismo antes de consultar os bons jornalistas. ​Não é de hoje que a Educação Física é ameaçada.

Até porque essa negação vai além da Educação Física.

Durante doze anos de escolaridade, crianças e adolescentes são encarceradas em espaços reduzidos de meio metro quadrado, quatro horas por dia, duzentos dias por ano, num total de 9600 horas de seus melhores anos de vida.

Isso é exclusão, numa época em que tanto se fala em inclusão. 

Exclusão do corpo. O corpo não pode ter vez na escola, porque ele nos amedronta, ele cede aos vícios, ele se degrada, ele morre, e não queremos esse destino para nós.

Mas ele também é a fonte da felicidade; daí a ansiedade das crianças para sair da sala e ir para a aula de Educação Física.

O medo do fim nos leva a negar o corpo, é preciso fazer de conta que ele é uma outra entidade diferente de nós.

Mas isso não é possível. Não podemos nos livrar do corpo, porque seria o mesmo que nos livrarmos de nós mesmos. O corpo somos nós, enquanto perdurar esta vida. E uma criança não pode viver como se não fosse corpo, como se não fosse criança.

Assim como um adolescente, exatamente num período de vida de tão grandes transformações físicas, não pode viver negando que é corpo. É disso que se trata. Queremos fazer de conta que poderemos nos livrar do corpo para sobreviver ao seu suposto destino final. ​Marcelo Coelho alinha-se a essa ideia quando afirma seu entusiasmo pela extinção da Educação Física.

Antes, ele deveria conhecer o que foi construído em nossa área dos anos 1980 para cá. E até mesmo antes disso, se estudasse os belos trabalhos de nossos pioneiros Inezil Pena Marinho, Fernando Azevedo, Oswaldo Diniz ou Alfredo Colombo.

Não se trata, saiba o ilustre jornalista, de ser o esporte ou as brincadeiras os conteúdos mais ou menos adequados. Trata-se de projetos educacionais, de projetos de vida, que carecem de sentido sem a orientação do método adequado ou de uma pedagogia humanizante. Pena ele não ter nos perguntado antes de se entusiasmar com nossa extinção. Teríamos carradas de exemplos de uma Educação Física que ele não teve a felicidade de conhecer.

​O espaço é pequeno para indicar trabalhos notáveis feitos atualmente por professores e professoras extremamente competentes. Poderíamos descrever projetos muito bons que tornam nossos alunos adolescentes protagonistas de projetos para atuar com a dança, com os esportes na natureza, com esportes radicais, com o conhecimento do próprio corpo, com os primeiros socorros e cuidados com a saúde, com as discussões de gênero, com as drogas, o racismo e a homofobia.

Há uma vasta cultura de jogos e exercícios, o que inclui o esporte, a dança, as lutas, o circo, as ginásticas, as brincadeiras populares, entre tantas manifestações do exercício e do lúdico, que nossos jovens precisam aprender a praticar e a compreender, o que jamais será feito caso seja decretada nossa extinção.

​Marcelo Coelho exultou com nosso fim. Nós, ao contrário, queremos para ele vida longa, pois precisamos, mais que nunca, de seu bom jornalismo.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O Brazil, não merece o Brasil

Figura retirada do site Capital do Pantanal

O Brasil que saiu das urnas nessa última eleição municipal foi o Brasil branco, de olhos claros. 

O Brasil do “rei do camarote”. 

O Brasil daqueles que foram às ruas contra a corrupção, mas elegeram prefeitos de partidos corruptos. Comprovadamente corruptos. 

Foi o Brasil da mídia oligárquica, foi o Brasil contrário ao “bolsa família”. 

Foi o Brasil de 20 milhões de habitantes. 

O Brasil que saiu das urnas nessa eleição foi o Brasil que não quer negros nas universidades, “ciência sem fronteira”, “luz para todos”, “mais médicos”. 

Foi o Brasil que não quer ampliação do ensino superior. 

Foi o Brasil que quer o engavetamento das ações contra atos de corrupção. 

Foi o Brasil da lava-jato. Do esvaziamento da política. 

Foi o Brasil que no maior colégio eleitora dos pais, o número de abstenções, votos brancos e nulos ultrapassaram os votos do candidato vencedor. 

Foi o Brasil do odeio política. 

Foi o Brasil que prende sem provas. 

O Brasil que saiu das urnas nessa eleição foi o Brasil não republicano. 

Foi o Brasil que é contra as políticas sociais. 

O Brasil que saiu dessas urnas foi o Brasil do atraso, do retrocesso. 

O Brasil que não quer avançar. Homofóbico, xenófobo, misógino. 

Foi o Brasil que odeia pobres, negros, LGBT´s, nordestinos. 

Foi o Brasil da Casa-grande. O Brasil do golpe!!!

O Brasil que saiu das urnas foi o Brasil dos “bichos escrotos” saídos do lixo. 

Baratas mostraram suas patas. 

Os ratos entraram nos sapatos e mentes dos cidadãos “civilizados”. 

O Brasil que saiu das urnas está autorizado a virar óleo para azeitar o estado burguês. 

O Brazil que saiu das urnas, definitvamente, “não merece o Brasil”.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Reforma Ensino Médio

Mesmo correndo o risco de uma interpretação reducionista sobre a função social da Educação Física no âmbito da escola, penso que a imagem abaixo retrata, em parte, a contradição da Medida Provisória sobre a reforma do Ensino Médio apresentada pelo governo golpista do senhor Michael Temer.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ensino Médio

Quatro professores para todo o ensino médio. Que tal? Isso pode até não vingar. Mas a proposta lançada já demonstra o que significa "ser professor" para o nosso Brasil varonil: um simples transmissor de conteúdos básicos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Escola sem partido

Professor. O que é essa tal escola sem partido?

Silêncio.

Professor?

Oi.

O senhor ouviu o que lhe perguntei?

Sim, ouvi.

Então, por favor, me responda: o que é essa tal escola sem partido?

Silêncio.

Aff...fala sério, professor. O senhor vai me responder ou não?

Eu já estou lhe respondendo.

Como?

A escola sem partido é isso.

É isso o quê?

Silêncio.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Dia do profissional de educação física?

Todo professor é um profissional. Mas nem todo profissional é um professor. Obrigado pelo carinho de vocês mas, por favor, esperem o próximo dia 15 de Outubro para me parabenizar.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Cabo de Guerra

Se alguém nesse exato momento lhe dissesse que o Cabo de Guerra já fez parte das atividades dos Jogos Olímpicos como Esporte oficial o que você pensaria? Imagino você rindo e dizendo para o seu interlocutor que ele é um gozador. Mas ele não estaria brincando. Realmente, essa que atualmente aparece como uma brincadeira de criança, atividade quase sempre presente nas disputas recreativas e nas gincanas das festas infantis já foi um dos esporte dos Jogos Olímpicos e atraia multidões.

Foram cinco edições dos Jogos em que o mesmo esteve presente, até 1920. A Grã-Bretanha sagrou-se como maior medalhista da história na competição, tendo conquistado nada mais, nada menos do que duas medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze. Um feito realmente extraordinário.

O Cabo de Guerra é mais antigo do que pensamos. Dados históricos demonstram que a atividade já estava presente no século V a.C, principalmente na Grécia e na China. Atualmente ainda existem times profissionais organizados em federações mas isso não é suficiente para o seu retorno às Olimpíadas. É preciso conquistar corações e mentes dos 22 delegados que compõem a comissão que analisa os pedidos das federações esportivas para a inclusão de uma modalidade nos Jogos.

Além dos corações e mentes, há quem diga que o bolso dos componentes desta comissão também é um "órgão" sensível aos apelos. Mas não insistirei nesse argumento sofismático. O que sabemos realmente é que a regra para a escolha não é tão clara. Critérios como a história e a tradição da modalidade em questão, o nível técnico dos atletas, popularidade da modalidade, equivalência de gênero (nessa caso conservando a relação entre homens e mulheres praticantes) e, óbvio, dada a sua relação simbiôntica com a mídia, sua viabilidade de transmissão televisiva, são levados em conta. São ao todo 39 itens que devem ser atendidos para que a modalidade seja contemplada com sua inserção nos Jogos Olímpicos...ou não.

Mas não foi só o Cabo de Guerra que teve a "honra" de ter sido um dia expulso das Olimpíadas. Golfe, Tiro com Arco, Rúgbi, Tênis, Futebol, Polo a Cavalo, Basquete e o Beisebol já tiveram a mesma sorte. Destes, alguns já retornaram. Esse ano, será a vez do Rúgbi e do Golfe.

Quanto ao Cabo de Guerra, tudo indica que o mesmo continuará uma modalidade bastante apreciada pelos animadores de festa infantil.

domingo, 31 de julho de 2016

Educação Física Escolar

A escolha do Rio de Janeiro como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 reacendeu um debate muito antigo - embora um tanto quanto adormecido ultimamente - entre os professores de educação física no Brasil e que diz respeito ao papel tanto do professor quanto do esporte no interior das instituições de ensino, principalmente, nas escolas públicas.

Entra Olimpíadas, saem Olimpíadas, os freqüentes fracassos brasileiro nas mesmas são sempre justificados em função da precariedade com que se desenvolvem as aulas de educação física nas escolas. Professores desmotivados, escolas sem estruturas, alunos e alunas evadindo-se das aulas, falta de material esportivo, são os motivos mais comuns arrolados por todos os que pensam o esporte olímpico e enxergam a escola como a base da pirâmide esportiva.

Os que têm uma visão esportivizante da educação física consideram o professor como um técnico, os alunos como atletas e as escolas como espaço de detecção de talentos. Nesse sentido o esporte deve ser massificado nas escolas, os alunos devem ser encorajados a participarem das aulas, ou melhor, dos treinos, e aos professores cabem, com o olhar clínico que lhe é nato, perceber as habilidades técnicas dos seus alunos, alçando-os à condição de atletas da escola.

O professor de educação física será reconhecido como bom, pelo número de troféus que ele conseguir para a escola e quanto mais medalhas conseguir colocar no peito dos agora atletas escolares.

A escola será a instituição principal da pirâmide esportiva, será aquela instituição que ficará na base da pirâmide, sustentando o processo de detecção dos possíveis talentos esportivos, daqueles sujeitos que, um dia, brindará o país com medalhas olímpicas, de preferência, de ouro.

Alguns depoimentos colhidos aleatoriamente em alguns sítios ligados ao esporte expressam, por parte de alguns, a função da educação física escolar. Vejamos:

"(...) em se tratando de base, de lapidação (...) tem que partir da escola de "Ensino Fundamental"

"Eu nao sei nem pra que uma Escola Tecnica possui uma piscina "semi-olimpica", ja que sendo "técnica" nao é de sua responsabilidade nenhuma prática esportiva de competição e muito menos de aprendizado (Educacao fisica)...Esse tipo de ensinamento e capacitação, se fosse bem organizado, partiria do Ensino Fundamental, onde as crianças podem ser avaliadas como futuros atletas em potencial..."

"Bem, meu ponto de vista é o seguinte: Se o MEC, funcionasse como se deve, e de novo a velha reclamacao em relacao a eficiência do "esporte nas escolas de base", nao precisaria de "Ministério dos Esportes"..Sendo que a seunda etapa ficaria a cargo do COB e das federacoes esportivas...Apareceriam muito mais jovens atletas em potencial, que poderiam ser aproveitados pelos clubes e academias e suas respectivas federacoes...Ou seja, trabalhando a Escola na base, os clubes teriam que se preocupar só com o alto nível..."

Se tivermos um fracasso retumbante nos Jogos Olímpicos que se aproximam, não tenho dúvida alguma de que esses argumentos aparecerão com mais força ainda nos discursos dos dirigentes esportivos.

Não obstante, isso não pode fazer com que nós, professores e professoras, preocupados com a formação humana, se deixe levar por esse debate que mais restringe do que amplia o nosso papel no âmbito escolar. Inclusive, penso que o mesmo deva ser incorporado nas nossas aulas, para que os alunos e alunas tomem consciência do sentido e do significado que é sediar os Jogos Olímpicos e, também, os paraolímpicos, na dimensão social, política e cultural do país.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Academia do Povo

Foi ao ar, ontem, na programação do Globo Esporte, seção Bahia, uma matéria no mínimo curiosa pela sua abordagem e que levanta uma pergunta nada inusitada: como praticar atividade física trabalhando?

A pergunta faz parte da abertura do quadro intitulado Academia do Povo. Para responder esta pergunta, o professor de Educação Física Fred Franco participa dando dicas de atividades físicas para pessoas que trabalham na rua.

Inicialmente imaginei tratar-se de mais um daqueles quadros televisivos de mau gosto, as tais das pegadinhas. Mas, quando vi o professor indo em direção a um vendedor de pano de prato, perguntando ao mesmo se ele estava vendo o sol, para logo depois sugerir ao mesmo que bebesse muita água, pensei: a coisa é séria.

João de Jesus Souza Filho trabalha de segunda a sábado. Pega no batente sete da manhã e vai até cinco, vendendo panos de prato entre os carros parados na sinaleira de uma movimentada Avenida de Salvador. Em seus braços, vários panos grossos vendidos a dez reais o conjunto de cinco peças.

Fred Franco então alerta que a Academia do Povo está ali para ajudar e assim, passa algumas dicas de alongamentos para o João, de sobrenome Filho e que também é de Jesus. O nosso Fred enfatiza que o objetivo é que ele possa render um pouco mais no outro dia e sentir menos dores.

João não perguntou. Mas acredite que eu consegui perceber pelo olhar dele que a frase “render um pouco mais no outro dia” tinha relação com o dinheiro ganho na labuta e não com a condição física dele. Vã esperança. Mas a frase construída pelo nosso bem intencionado colega foi muito criativa. Usou de expressão que com certeza causou um efeito motivador muito grande no nosso João.

Imagem retirada do site da Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde

Segundo o professor, João que é de Jesus, trabalha muito a perna para lá e para cá. Então é preciso que João, aproveitando o sinal fechado e o meio fio da avenida, acompanhe o professor em uma sessão de alongamento da panturrilha, claro. E com carga. Na medida em que alongava a “batata da perna”, o nosso vendedor apoiava, no seu braço esquerdo, os panos de prato numa naturalidade de fazer inveja para qualquer fisiculturista.

Detalhe gravíssimo não observado pelo colega. João estava andando sem o uso de um tênis adequado para caminhadas longas e duradouras. Possivelmente, o alongamento não surtirá efeito algum em função desse simples detalhe.

Mas, voltemos. O professor observa que João mantém uma determinada posição quase o dia inteiro. ”Como vocês viram, ele mantém a mesma posição o dia inteiro, né? Isso mantém uma tensão na musculatura e é necessário alongar também. E aí a gente vai fazer um alongamento nessa parte de cima também, pra tá ajudando ele no trabalho diário”. Afinal de contas é esse o objetivo da Academia do Povo.

E lá vai João para nova sessão de alongamentos. Atenção. Nesse ínterim, pelo que pude perceber na gravação, o sinal já tinha aberto e fechado duas vezes e nada de João de Jesus, que confessou nunca ter feito isso na vida dele, vender seus panos. Mero detalhe. Já sabemos pela mesma rede de televisão que "saúde é o que interessa, o resto não tem pressa".

Por fim, o professor nos informa: “A seqüência que a gente fez com João, agora, qualquer pessoa tem acesso. A dona de casa, o taxista que trabalha o dia inteiro dirigindo, quem trabalha em escritório. Isso ajuda bastante na produtividade da gente”.

Recado dado. Alongue que sua produtividade aumenta, pois você renderá um pouco mais no outro dia.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Genética e esporte

A Revista Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) deste mês, publicada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Governo de São Paulo, traz uma matéria de capa que relaciona Genética com Esporte.

Assim que olhei a capa imaginei que se tratasse de alguma matéria sobre doping genético. Mas, não. Na verdade, trata-se de uma abordagem que procura abrir o debate sobre a relação entre o código genético do indivíduo e sua capacidade de performance para determinada modalidade esportiva. Um dos exemplos relaciona a habilidade de saltar com vara da nossa campeã Fabiana Murer ao gene ACTN3, que beneficiaria esportistas que dependem de velocidade e força, valências importantes para a prática desse esporte.

Prometo que farei uma leitura atenta e criteriosa para trazer maiores e melhores informações sobre esse instigante tema. Para os exigentes de informação mais imediata, sugiro comprar a revista que já se encontra à venda nas bancas e livrarias de sua cidade.

sábado, 4 de junho de 2016

Não vai ter Olímpíada

Enquanto alguns lembram o mês de junho como àquele em que se celebram festas dos santos Antônio, João e Pedro respectivamente, estou a me lembrar dos movimentos que foram às ruas e praças de 22 capitais e centenas de cidades protestarem sobre a situação política, social e econômica do país. Refiro-me, mais especificamente, a revolta popular que ficou conhecida como “jornadas de junho”.

O movimento de contestação, inicialmente centrado no questionamento do aumento das tarifas do transporte público na cidade de São Paulo foi se ampliando, e em poucos dias, vários atores foram incorporados às manifestações e muitas outras reivindicações foram acrescentadas nas pautas dos manifestantes. Para além da luta pela redução das tarifas dos transportes urbanos, muitas outras palavras de ordem eram lançadas e, entre elas, o “não vai ter Copa” foi a mais disseminada, principalmente pela mídia escrita e televisionada.

Estávamos na dinâmica da Copa das Confederações. Esse era o evento mais presente nos noticiários. A captação desse momento esportivo e a transformação do mesmo como elemento de crítica social ao status quo nacional se tornou natural. Transporte privatizado, saúde e educação abandonadas, condição de moradia degradada, segurança pública sucateada, entre outros, todos esses elementos, em vários momentos, estavam amalgamados nos gritos de “não vai ter Copa”.

O gigante tinha, enfim, acordado. 70 mil pessoas se fizeram presentes nas manifestações e passeatas no auge do movimento, ocupando, além das ruas e praças, prédios públicos, questionando a mercadorização da vida, alertando para a saturação, o esgotamento do modelo neoliberal das políticas econômicas e sociais que até então vinha sendo implementado pelos governos de FHC e levemente alterado por Lula e Dilma.

E eis que, ao chegar próximo ao terceiro aniversário desta jornada que criticou o establisment no momento que questionava os megaeventos esportivos, as perguntas surgem: cadê o gigante que tinha acordado? Voltou a dormir? As bandeiras antes levantadas foram atendidas? Não há mais pelo quê lutar? 

As questões levantadas são pelo reconhecimento, de minha parte, de vários elementos explosivos que estamos vivenciando: a) ocupações de escolas, motivadas pelo desvio de merendas pelo governo Alckmim e questionamento sobre o modelo educacional em geral; b) golpe institucional comprovado pelos últimos vazamentos de áudios dos novos ministros do governo Temer; c) retiradas de direitos duramente conquistados pela classe trabalhadora; d) possibilidade de entrega de uma das nossas maiores riquezas, o pré-sal, para o mercado internacional; e) o risco de maior sucateamento do Sistema Único de Saúde; f) a extinção do Ministério da Cultura entre outros. No entanto, não estou percebendo um movimento pujante como o que ocorreu há três anos.

Com isso, não estou dizendo que não existam. Parece-me que eles não só existem como expressam uma categoria cada vez mais importante para nossas análises: luta de classe. Só não estão tendo a visibilidades de antes. Os canais pelos quais ecoavam as palavras de ordem das “jornadas de junho” estão fechados. Talvez falte aos movimentos diversos um componente aglutinador, algo que dê sentido e significado às lutas mais gerais e abram os canais de comunicação de massa.

Eu tenho uma sugestão. Não sei se funcionaria como antes. Reconheço inclusive que há certo desgaste na sua forma, mas não no seu conteúdo. Que tal, então, experimentar um “Não vai ter Olimpíadas”?

terça-feira, 31 de maio de 2016

Esporte e política: uma relação simbiôntica

O ano de 2013 foi muito rico em manifestações que tomaram às ruas do Brasil. Muitos também foram os fatores que impulsionaram essas manifestações: transporte público sucateado, defesa do “passe livre”, democratização da mídia, melhoria do espaço urbano, a questão da moradia entre outros.

“O gigante acordou” foi uma palavra de ordem que se ouvia. Há muito não se assistia a essas expressões de contestação no país que não tardaria a ser chamada de “jornada de junho” por àqueles que tentavam explicar o que realmente estava acontecendo.

Sem dúvida alguma, a oportunidade para tanto foi dada pela proximidade de um dos mais importantes megaeventos mundial: a Copa do Mundo. Ela não só foi a “chave heurística” que abriu a porta das contestações como foi, também, alvo da mesma.

O esporte assumia na época, mesmo a contragosto de muitos cronistas e comentaristas esportivos, uma dimensão ideológica como nunca antes se viu desde o processo de redemocratização do país. Ele ajudou a canalizar interesses diversos das classes e frações de classes que disputavam idéias, valores, opiniões e representações no interior do bloco histórico capitalista.

Isso não é novo no Esporte. Exemplos do seu envolvimento em questões políticas são vastos na história da humanidade. É emblemático o uso dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, para consolidar o pensamento germânico de supremacia da raça ariana. O que não ocorreu graças ao Jesse Owens. Os diversos boicotes aos também Jogos Olímpicos entre os países dos então blocos capitalistas e socialistas reforçam o nosso argumento.

E se consideramos esses exemplos supracitados sufocados pela poeira do tempo, podemos oferecer ocorrências mais próximas: a Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians, recentemente, saiu às ruas para contestar o monopólio de uma grande rede de televisão nacional.

A torcida do Santa Cruz, no final do mês passado, estendeu uma grande faixa chamando a Rede Globo de Televisão de “Golpista” e, mais recentemente, “Os Imbatíveis”, torcida organizada do Vitória, aproveitando da audiência do maior clássico do estado da Bahia, mostrou uma enorme faixa onde se lia “Não vai ter golpe”.

Esses e muitos outros exemplos demonstram, factualmente, que a relação entre o esporte e a política é simbiôntica. Tudo indica que um não vive sem o outro e vice-versa.

(O presente texto foi publicado, originalmente, no site do jornal Bw News no dia 06 de maio)