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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sobre Haiti e futebol

O Haiti está na moda. Ou melhor, na mídia. Nunca na sua história este país esteve tão exposto aos holofotes midiáticos. Tudo isso em função da catástrofe em que o mesmo foi atingido no dia 12 de janeiro último, matando mais de 200 mil pessoas, segundo estimativas das autoridades haitianas.

Catástrofe parece ser o segundo nome deste pais politicamente frágil. Em 2008, como sabemos ou já tinhamos esquecido, o mesmo foi abatido por quatro tempestades que mataram 800 pessoas e deixaram mais de um milhão desabrigadas.

Até agora, segundo fontes oficiais, além dos mortos, foram contabilizados 194 mil feridos e um milhão de desabrigados.

Fora essas duas catástrofes, as únicas vezes em que obtive informações sobre o Haiti via televisão foi na visita da seleção brasileira em agosto de 2004 no amistoso internacional da paz e do envio de militares também brasileiros como força da paz. Depois disso, só mesmo um terromoto arrasador poderia fazer com que o mundo se voltasse para este país sofrido, de pobreza extrema e com uma dívida externa de 640 milhões de dólares.



Este país, que demonstrou quando da visita da seleção brasileira um amor extremo ao esporte mais popular do mundo, o futebol, também chora a morte dos seus atletas e membros das federações esportivas do país. Mais de 30 foram mortos na catástrofe até agora.

O futebol pela paz, diante da conjuntura, agora é o futebol contra a pobreza e a favor da reconstrução do Haiti. Kaká, Zidane, Rivaldo entre outros, que juntos devem ganhar salários maiores do que a dívida haitiana, se reúnem em jogo amistoso organizado pelas Nações Unidas, em Portugal.

Bem que este amistoso pró-Haiti poderia ser jogado, assim como o jogo da paz, no estádio de Porto Príncipe. Mas no gramado do mesmo o que se vê são centenas de lonas que abrigam alguns sobreviventes da tragédia.

É o jogo da vida que lá é jogado. Saudade, tristeza, dor, desolação, mas, sobretudo, otimismo, esperança e luta são os titulares. O povo haitiano, talvez mais do que qualquer povo nas américas, sabem jogar esse jogo.

Se contra a seleção brasileira, a seleção do Haiti perdeu de seis a zero, neste jogo da vida, ao contrário, ela ganhará de goleada sobre todos àqueles que quiserem subestimar as suas forças, incluindo as catástrofes naturais.