domingo, 16 de agosto de 2026

Depois da Copa, a CazéTV volta à realidade

A Copa do Mundo de 2026 colocou a CazéTV em uma posição inédita no mercado das transmissões esportivas. O canal comandado por Casimiro Miguel bateu recordes de audiência, ultrapassou a marca dos 40 milhões de inscritos e, durante algumas partidas, alcançou números que pareciam colocar em xeque a histórica supremacia da televisão aberta, especialmente da Globo. Para muitos, a revolução nas transmissões esportivas pela internet finalmente havia chegado.

Mas o fim da Copa trouxe uma pergunta incômoda: quanto daquela audiência pertencia, de fato, à CazéTV e quanto era resultado do fenômeno chamado Copa do Mundo?

Quatro semanas depois do encerramento do Mundial, os números começam a oferecer uma resposta. E ela é menos espetacular do que a euforia construída durante o torneio fazia parecer.

Durante a Copa, a CazéTV chegou a reunir mais de 20 milhões de aparelhos simultaneamente em determinadas transmissões. A semifinal entre França e Espanha, por exemplo, alcançou impressionantes 24,2 milhões de aparelhos conectados. No entanto, depois do Mundial, a realidade mudou radicalmente.

O melhor resultado da CazéTV no período pós-Copa foi registrado em Corinthians x Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro, com um pico de 2,4 milhões de aparelhos conectados. É um número expressivo, mas representa apenas 10% da audiência alcançada pela transmissão de França x Espanha.

Nas demais partidas, os números foram ainda mais modestos. Vasco x Mirassol ultrapassou a marca de 1 milhão de espectadores simultâneos. Botafogo x Vitória chegou a 810 mil, enquanto Coritiba x Chapecoense registrou 313 mil.

O cenário é ainda mais interessante quando observamos a Ge TV. Durante a Copa, o canal teve uma participação bem menos expressiva, especialmente por estar concentrado no Globoplay. Depois do Mundial, porém, passou a disputar de maneira mais efetiva o espaço ocupado pela CazéTV no YouTube.

Cruzeiro x Flamengo, pela Libertadores, chegou a 2,4 milhões de espectadores simultâneos. A Ge TV também ultrapassou a marca de 1 milhão em outras transmissões: Bahia x Corinthians, Palmeiras x Internacional, Fluminense x Vasco, Vitória x Palmeiras e Vasco x Fluminense.

O que esses números revelam?

Antes de decretar a derrota da televisão tradicional ou a vitória definitiva do streaming, talvez seja necessário olhar para o fenômeno com um pouco mais de cautela.

A Copa do Mundo é um produto esportivo absolutamente excepcional. Não se trata simplesmente de mais uma competição transmitida pela televisão ou pela internet. É um acontecimento que mobiliza milhões de pessoas, inclusive aquelas que não acompanham futebol regularmente. Durante quatro semanas, o interesse pelo esporte se transforma em interesse social, cultural e até político.

Por isso, utilizar os números extraordinários da CazéTV durante a Copa como prova de que ela teria definitivamente destronado a televisão tradicional sempre me pareceu precipitado.

A questão não é saber se a CazéTV é relevante. Ela é. E muito.

A questão é outra: qual é a capacidade de transformar a audiência extraordinária de um evento excepcional em audiência regular?

É justamente aí que aparece a diferença entre alcance e engajamento.

A CazéTV mantém hoje os 41,2 milhões de inscritos conquistados durante a Copa. O crescimento foi impressionante: o canal começou o Mundial com cerca de 28 milhões. Portanto, milhões de pessoas chegaram, conheceram a plataforma e decidiram permanecer inscritas.

Mas inscrição não significa necessariamente audiência.

Ter 40 milhões de inscritos e reunir algumas centenas de milhares — ou poucos milhões — de pessoas diante de uma transmissão é uma relação muito diferente daquela observada durante a Copa. É algo semelhante ao que acontece nas redes sociais: uma conta pode acumular milhões de seguidores e, ao mesmo tempo, apresentar baixo alcance e pouco engajamento em suas publicações.

Esse talvez seja um dos grandes desafios que a CazéTV terá pela frente.

O fenômeno produzido durante a Copa não pode ser confundido com uma transformação estrutural já consolidada no consumo esportivo brasileiro. A experiência mostrou que existe um enorme público disposto a assistir futebol pela internet. Mas também mostrou que esse público se mobiliza de maneira diferente conforme o tamanho, a importância e o significado social do evento.

E isso interessa diretamente ao mercado publicitário.

Para negociar patrocínios e publicidade, não basta apresentar uma enorme quantidade de inscritos. É preciso demonstrar capacidade de entregar audiência consistente, recorrente e qualificada. Um canal com 41 milhões de inscritos, mas que reúne uma fração desse público em suas transmissões regulares, precisa explicar ao mercado como transformar sua enorme base potencial em consumo efetivo.

Isso não significa que a CazéTV tenha fracassado.

Muito pelo contrário. Ela ajudou a modificar o modelo de transmissão esportiva no Brasil, aproximou o futebol de uma linguagem própria das plataformas digitais e mostrou que existe espaço para formatos diferentes daqueles historicamente praticados pela televisão.

O problema está na narrativa construída em torno desse processo.

Durante a Copa, houve quem anunciasse o fim da televisão tradicional. Bastaram algumas semanas para percebermos que a televisão não desapareceu, a Globo não foi simplesmente derrotada e a audiência não migrou em massa e definitivamente para o YouTube.

O que aconteceu foi mais complexo.

A CazéTV conquistou um espaço importante. A televisão tradicional continua poderosa. A Ge TV também encontrou seu público. E o espectador, ao que tudo indica, não está escolhendo uma única plataforma para consumir futebol. Ele transita entre diferentes meios conforme a competição, o jogo, o interesse e a conveniência.

Talvez essa seja a principal lição deixada pela Copa de 2026: a revolução nas transmissões esportivas não será necessariamente a substituição da televisão pela internet, mas a fragmentação cada vez maior do público entre diferentes plataformas.

domingo, 9 de agosto de 2026

A era Infantino chegou ao fim? A crise de poder que ameaça o futebol mundial

As recentes turbulências envolvendo a FIFA parecem ter aberto uma nova frente de disputa dentro do futebol internacional. Em entrevista ao jornal francês Le Monde, o presidente de La Liga, Javier Tebas, foi direto ao questionar a permanência de Gianni Infantino à frente da principal entidade do futebol mundial. Para ele, o problema não está apenas no atual presidente, mas em um modelo de governança que permite a concentração de decisões e o afastamento dos principais atores do futebol dos processos que definem os rumos da modalidade.

A declaração de Tebas veio na esteira do fracasso do projeto da FIFA Forward Enterprise, a subsidiária criada com a perspectiva de negociar direitos comerciais de competições organizadas pela entidade, entre elas a Copa do Mundo. Para o dirigente espanhol, o episódio seria apenas a parte mais visível de um problema muito maior.

Segundo Tebas, não se trata de uma crise provocada exclusivamente por uma pessoa. O que estaria em questão é um sistema de poder construído dentro da FIFA e reproduzido ao longo dos anos. Na sua avaliação, trocar os nomes sem alterar as estruturas significaria apenas manter o mesmo modelo com novos personagens.

Essa crítica atinge diretamente Gianni Infantino. Tebas afirma que o “reinado” do dirigente suíço já teria terminado há muito tempo, embora sua saída formal ainda não tenha acontecido.

E, para sustentar sua posição, recorre a exemplos recentes da própria administração da FIFA. A organização e a expansão da Copa do Mundo de Clubes seriam, em sua avaliação, demonstrações de um processo de tomada de decisões no qual campeonatos nacionais e outros protagonistas do futebol têm pouca ou nenhuma participação efetiva.

A crítica também alcança o episódio da Superliga Europeia. Tebas lembra que o nome de Infantino apareceu em documentos relacionados ao projeto e aponta a existência de conexões entre pessoas envolvidas naquela iniciativa e o projeto da FIFA Forward Enterprise.

Mais do que questionar uma decisão específica, portanto, o presidente de La Liga coloca em debate o próprio modelo de poder existente no futebol mundial.

E aqui está talvez o ponto mais importante de sua declaração: o futebol não pode ser compreendido apenas a partir de seus grandes eventos internacionais, de suas estrelas ou de seus dirigentes mais poderosos.

Existe uma estrutura muito maior sustentando esse espetáculo. Existem campeonatos nacionais, clubes, jogadores, torcedores, trabalhadores, federações e uma enorme indústria econômica que movimenta bilhões de dólares. Quando decisões que afetam todos esses setores são tomadas de maneira centralizada, sem participação efetiva daqueles que serão diretamente impactados, o problema deixa de ser apenas administrativo. Passa a ser uma questão de poder.

É justamente nesse terreno que Tebas afirma que pretende continuar atuando.

Para ele, protestar, defender direitos e recorrer às instituições judiciais quando necessário são instrumentos legítimos de enfrentamento. La Liga, ao lado da FIFPro, já havia recorrido à Comissão Europeia em 2024 para questionar a expansão contínua do calendário, com o aumento do número de jogos e competições.

A posição de Tebas é clara: o diálogo, quando não produz mudanças concretas, não pode servir como justificativa para a manutenção de determinadas práticas.

“Estamos conversando há 20 anos e nada foi resolvido”, afirmou.

Essa declaração revela uma disputa que ultrapassa a figura de Gianni Infantino. O que está em jogo é quem terá o poder de definir os caminhos do futebol mundial e, principalmente, quais interesses serão considerados nessas decisões.

A grande questão, portanto, não é apenas saber se Infantino continuará ou não à frente da FIFA.

A questão é saber se uma eventual mudança de presidente será suficiente para transformar a estrutura de poder da entidade.

Porque, como o próprio Tebas sugere, substituir algumas pessoas sem modificar as regras do jogo pode significar apenas trocar os personagens e manter a mesma história.

No futebol contemporâneo, cada vez mais transformado em um gigantesco mercado global, essa discussão ganha ainda mais importância. Quanto mais competições são criadas, mais jogos são disputados e mais direitos comerciais são negociados, maior se torna a disputa pelo controle dos recursos, dos calendários, das transmissões e, consequentemente, dos próprios rumos do esporte.

Por isso, quando Tebas afirma que a “era Infantino acabou”, talvez a pergunta mais importante não seja quando o atual presidente deixará o cargo. Mas, sim, quando o futebol mundial deixará de ser administrado por estruturas que concentram decisões e passará a construir uma governança efetivamente democrática, transparente e participativa?

Enquanto essa resposta não aparecer, a crise continuará sendo muito maior do que o nome de Gianni Infantino.

E Javier Tebas garante que, enquanto estiver à frente de La Liga, continuará travando essa batalha.

sábado, 8 de agosto de 2026

Quando o futebol entra em campo na política: ex-jogadores e dirigentes disputam as eleições de 2026

É em períodos eleitorais que uma velha máxima do futebol brasileiro revela, mais uma vez, sua fragilidade: a ideia de que “esporte não tem nada a ver com política”. Basta observar a movimentação para as eleições de 2026 para perceber que esporte e política não apenas se relacionam como, em muitos casos, caminham lado a lado.

A presença de ex-jogadores, dirigentes e treinadores na disputa eleitoral deste ano mostra que a popularidade construída dentro dos estádios pode ser convertida em capital político. Ídolos, dirigentes e personagens conhecidos do futebol passam a ocupar o espaço eleitoral carregando consigo não apenas suas trajetórias esportivas, mas também a visibilidade, a identificação e a memória afetiva construídas junto às torcidas.

No Rio de Janeiro, um dos nomes que chama atenção é Edmundo, o “Animal”. Ex-atacante de Palmeiras, Vasco e Flamengo, entre outros clubes, o ex-jogador busca uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSDB. Campeão brasileiro pelo Palmeiras em 1993 e 1994 e pelo Vasco em 1997, quando também terminou como artilheiro da competição, Edmundo construiu uma carreira marcada pela enorme popularidade. Agora, pretende levar essa popularidade para a política e já declarou que, caso eleito, pretende atuar em Brasília “em defesa do Vasco da Gama”.

A frase, aparentemente curiosa, revela algo importante sobre essa relação. No futebol, o vínculo com o clube é construído pela paixão e pela identificação. Na política, essa mesma identificação pode funcionar como instrumento de mobilização eleitoral.

Em São Paulo, outro nome conhecido dos torcedores também entrou na disputa. Luís Fabiano, ex-atacante do São Paulo e titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010, concorre a deputado federal pelo MDB. Sua campanha apresenta como algumas de suas pautas o esporte, a saúde preventiva e a inclusão digital de jovens.

Também está na corrida Washington, o “Coração Valente”. O ex-atacante, que teve passagens marcantes por Athletico Paranaense, Fluminense e São Paulo, foi artilheiro do Campeonato Brasileiro em 2004 e 2008. Depois da carreira nos gramados, ocupou funções na área esportiva e chegou a atuar como deputado federal suplente pelo Rio Grande do Sul. Agora, apresenta como uma de suas bandeiras a possibilidade de “transformar a vida de jovens por meio do esporte”.

No Distrito Federal, Marcelinho Carioca, o “Pé de Anjo”, tenta uma vaga de deputado distrital pelo Republicanos. Ídolo do Corinthians, o ex-jogador utiliza o lema “se falta, eu cobro!” e apresenta como eixos de sua candidatura o incentivo ao esporte, a ação social e a fiscalização.

São Paulo também tem Alexandre Finazzi na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Ex-atacante com passagens por clubes como Corinthians, Ponte Preta, Athletico Paranaense e Fortaleza, Finazzi também construiu experiências na gestão esportiva e em comissões técnicas antes de ingressar na política.

Mas não são apenas os ex-jogadores que atravessam a fronteira entre os campos e os palanques.

Em Minas Gerais, Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético Mineiro e ex-prefeito de Belo Horizonte, disputa o governo estadual pelo PDT. À frente do Atlético, participou de um período marcante da história recente do clube, que conquistou a Copa Libertadores da América em 2013. Depois, transferiu sua atuação para a política institucional e chegou à Prefeitura de Belo Horizonte. Agora, tenta retornar ao cenário eleitoral estadual.

No Rio de Janeiro, Marcos Braz, ex-vice-presidente de futebol do Flamengo, também está na disputa por uma vaga de deputado federal pelo PSDB. Em maio de 2026, assumiu um mandato na Câmara dos Deputados. Seu nome ficou nacionalmente associado à gestão do futebol do Flamengo durante um período de grandes conquistas, incluindo as Libertadores de 2019 e 2022.

E a lista não termina aí.


Craques do futebol entram na disputa eleitoral (Foto: Instagram)

Vanderlei Luxemburgo, um dos treinadores mais conhecidos do futebol brasileiro, é candidato ao Senado pelo Podemos no Tocantins. O “Pofexô”, que acumula décadas de experiência no futebol e já comandou alguns dos principais clubes do país e a própria Seleção Brasileira, tenta agora transformar sua notoriedade esportiva em representação política. Luxemburgo já havia tentado disputar o Senado em 2022, mas sua pré-candidatura pelo PSB não avançou.

O fenômeno merece atenção porque vai muito além da simples constatação de que “jogadores também podem ser políticos”. Evidentemente, qualquer cidadão que cumpra os requisitos legais pode disputar uma eleição. A questão mais interessante está em compreender por que o futebol se tornou também um espaço de produção de capital político.

A resposta passa pela dimensão social do esporte. Jogadores e dirigentes não são conhecidos apenas por aquilo que fizeram profissionalmente. Eles constroem personagens públicos, acumulam reconhecimento, estabelecem vínculos emocionais com torcedores e alcançam uma visibilidade que poucos outros profissionais conseguem obter.

Um gol decisivo, um título, uma passagem marcante por determinado clube ou mesmo uma carreira inteira podem produzir uma espécie de patrimônio simbólico. Quando esse patrimônio migra para o campo político, aquilo que foi construído nos estádios pode ser convertido em votos.

É justamente aí que a velha afirmação de que “esporte não tem nada a ver com política” perde força. O esporte é atravessado por relações econômicas, interesses institucionais, disputas de poder, políticas públicas, empresas, meios de comunicação, governos e movimentos sociais. O futebol, particularmente, é um dos fenômenos culturais de maior alcance no Brasil.

Por isso, não deveria causar surpresa quando seus personagens entram na política. Talvez a surpresa devesse ser justamente o contrário: durante tanto tempo fomos levados a imaginar que o futebol existia em um espaço separado da sociedade.

Não existe.

O estádio, o clube, a televisão, as redes sociais, o mercado esportivo e, agora, as campanhas eleitorais fazem parte de uma mesma realidade social. Quando um ídolo troca a camisa do clube pelo palanque eleitoral, ele não está simplesmente abandonando o futebol. Está levando consigo a história, a popularidade e o capital simbólico que construiu dentro dele.

As eleições de 2026 oferecem, portanto, mais uma oportunidade para observar uma realidade que o futebol insiste em revelar: esporte e política nunca estiveram realmente separados. Nós é que, muitas vezes, fomos ensinados a enxergá-los assim.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Leila reage ao Flamengo, chama nota de “cara de pau” e amplia guerra de versões sobre arbitragem

A disputa entre Palmeiras e Flamengo em torno da arbitragem ganhou um novo capítulo. A presidente do clube paulista, Leila Pereira, respondeu em tom contundente à nota oficial divulgada pelo Flamengo, classificando o posicionamento do rival como uma manifestação "sem pé nem cabeça" e de "cara de pau".

As declarações foram feitas à TV Palmeiras antes do confronto contra o Fortaleza, pela Copa do Brasil. Segundo Leila, o clube carioca não tinha motivo para entrar no debate, já que o questionamento do Palmeiras dizia respeito exclusivamente à denúncia do meia Maurício pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), após lance envolvendo o zagueiro Cacá, do Vitória.

A dirigente afirmou que estranhou a reação do Flamengo e ironizou a postura do adversário ao sugerir que o clube "vestiu a carapuça". Para ela, a situação se torna ainda mais contraditória quando o Rubro-Negro sustenta que o Palmeiras seria o time mais favorecido pela arbitragem.

Leila também aproveitou para recordar a final da Libertadores da temporada passada, vencida pelo Flamengo, insinuando que o clube carioca também teria sido beneficiado por decisões da arbitragem naquela ocasião.


(Foto: Ricardo Moreira/Getty Images)

Outro ponto contestado pela presidente foi a estatística apresentada pelo Flamengo, segundo a qual o Palmeiras lidera o número de intervenções favoráveis do VAR. Na avaliação da mandatária alviverde, esse dado não demonstra privilégio, mas sim que a arbitragem de campo errou com frequência e precisou ser corrigida pelo árbitro de vídeo. "O VAR existe justamente para corrigir erros. O que eles queriam? Que os equívocos fossem mantidos?", questionou.

A troca de acusações começou após o Palmeiras divulgar uma nota oficial criticando a denúncia do STJD contra Maurício por suposta conduta violenta. O clube argumenta que a decisão contraria a avaliação da arbitragem em campo, que aplicou apenas cartão amarelo ao jogador.

Na mesma manifestação, o Verdão anexou vídeos de lances envolvendo atletas de Flamengo, Corinthians e Grêmio em situações semelhantes, sustentando que não houve o mesmo tratamento disciplinar. O Flamengo reagiu com uma nota oficial, acusando o Palmeiras de tentar pressionar a arbitragem e defendendo a atuação das instituições responsáveis pela condução do futebol brasileiro.

O episódio amplia o clima de tensão entre os dois clubes e adiciona um novo ingrediente à rivalidade fora das quatro linhas, em um momento em que decisões da arbitragem e do STJD seguem no centro das discussões do futebol brasileiro.

domingo, 2 de agosto de 2026

STJD denuncia Maurício e reacende debate sobre arbitragem e uso do VAR no futebol brasileiro

A atuação da arbitragem na goleada do Palmeiras por 4 a 0 sobre o Vitória, no Barradão, continua produzindo desdobramentos fora das quatro linhas. O caso ganhou um novo capítulo após o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciar o meia Maurício por uma suposta jogada violenta contra o zagueiro Cacá, lance que, durante a partida, foi punido apenas com cartão amarelo e sequer passou por revisão do árbitro de vídeo.

A decisão do STJD fortaleceu o discurso do Vitória, que divulgou uma nota oficial parabenizando o tribunal pela iniciativa e criticando duramente a atuação da equipe de arbitragem. Para o clube baiano, a denúncia confirma que houve um erro grave tanto do árbitro de campo quanto do VAR, que deixou de recomendar a revisão de uma jogada considerada passível de expulsão.

A reclamação do Vitória ganha ainda mais força quando se observa o tratamento dado a outros lances do mesmo jogo. Poucos minutos depois, uma entrada de Cacá sobre Arias foi revisada pelo VAR, resultando na expulsão do defensor rubro-negro. Na sequência da confusão, o lateral Luan Cândido também recebeu cartão vermelho após fazer gestos insinuando roubo. A diferença de critérios adotados ao longo da partida alimentou a sensação de desequilíbrio nas decisões disciplinares.


Vitória parabeniza STJD após denúncia contra Mauricio, do Palmeiras

A denúncia contra Maurício, enquadrado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, coloca em evidência uma questão recorrente no futebol nacional: quando o tribunal reconhece elementos suficientes para julgar uma jogada violenta que passou praticamente despercebida pela arbitragem durante o jogo, inevitavelmente surgem questionamentos sobre a eficiência do protocolo do VAR e a qualidade das decisões tomadas em campo.

Mais do que discutir a possível punição ao jogador palmeirense, o episódio reforça um problema estrutural da arbitragem brasileira: a inconsistência na interpretação dos lances. O futebol admite diferentes leituras para situações de contato físico, mas espera que os critérios sejam uniformes. Quando lances semelhantes recebem tratamentos distintos na mesma partida, aumenta a desconfiança de clubes, atletas e torcedores.

A audiência marcada para a próxima terça-feira (4) deverá definir se Maurício será suspenso. Independentemente do resultado, o caso já recoloca em pauta a necessidade de maior transparência nas decisões do VAR, de aperfeiçoamento da formação dos árbitros e da adoção de critérios mais consistentes. Afinal, a credibilidade da arbitragem depende não apenas da existência da tecnologia, mas da forma como ela é utilizada para garantir justiça esportiva.

Pressão sobre Infantino aumenta: Federação Alemã exige investigação e mudança na cultura de gestão da FIFA

A crise institucional que envolve a FIFA ganhou um novo capítulo neste sábado (1º). A Federação Alemã de Futebol (DFB) elevou o tom das críticas à condução do presidente Gianni Infantino e cobrou uma investigação completa sobre a elaboração do projeto que previa a abertura da Copa do Mundo ao investimento privado. Além disso, a entidade defendeu uma profunda transformação na forma como a organização administra o futebol mundial.

A proposta, que fazia parte do chamado Fifa Forward Enterprise (FFE), acabou sendo retirada pela própria FIFA após enfrentar forte resistência de confederações continentais, especialmente da UEFA. O plano previa a criação de uma estrutura empresarial para captar investimentos privados ligados ao principal torneio da entidade, iniciativa que desencadeou uma das maiores crises políticas recentes dentro da organização.


O presidente da Fifa, Gianni Infantino© Pablo PORCIUNCULA

Ao lado da UEFA, a DFB esteve entre as federações que rejeitaram o projeto e apoiaram a possibilidade de boicote às competições organizadas pela FIFA, incluindo a Copa do Mundo, caso a proposta fosse levada adiante. Para os dirigentes alemães, a principal preocupação não se limitou ao conteúdo do plano, mas também à forma como ele foi conduzido.

"O presidente da FIFA agiu de forma unilateral, sem transparência e, em última instância, de maneira irresponsável em relação aos interesses do futebol", afirmou Bernd Neuendorf, presidente da DFB, em declaração à agência SID, afiliada da AFP.

Neuendorf também defendeu que a crise sirva como ponto de inflexão para a entidade máxima do futebol. Segundo ele, a FIFA precisa abandonar decisões centralizadas e restabelecer um modelo de governança baseado no debate entre seus membros e no respeito às instâncias colegiadas.

A posição da Alemanha reforça o movimento liderado pela UEFA e soma-se à da Federação Inglesa (FA), que também exigiu uma ampla revisão da liderança da FIFA. Em manifestação publicada nas redes sociais, a entidade inglesa pediu uma análise rigorosa da gestão de Infantino para garantir que o futebol mundial volte a ser administrado com transparência, participação institucional e responsabilidade.

sábado, 1 de agosto de 2026

CONMEBOL evita endossar projeto da FIFA e cobra mais transparência sobre nova proposta de Infantino

 A CONMEBOL adotou um tom de cautela ao se manifestar sobre o FIFA Forward Enterprise (FFE), projeto apresentado pela FIFA que prevê a criação de uma estrutura voltada à captação de investimentos privados. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (31), a confederação sul-americana informou que ainda não definiu sua posição e que solicitou novos esclarecimentos à entidade presidida por Gianni Infantino antes de tomar qualquer decisão.

Segundo a CONMEBOL, a proposta passou a ser analisada em conjunto com suas associações nacionais logo após ser apresentada pela FIFA. Para aprofundar o debate, a entidade convocou uma reunião exclusiva de seu Conselho, destinada a avaliar os possíveis impactos da iniciativa sobre a organização e o futuro do futebol internacional.

No comunicado, a confederação reconhece que mecanismos financeiros e comerciais podem contribuir para o desenvolvimento do esporte. Contudo, ressalta que esse tipo de iniciativa deve estar subordinado aos interesses do futebol, preservando sua integridade, autonomia e valores históricos. "O futebol sempre vem em primeiro lugar", reforça a nota.


(Foto: Christian Alvarenga/Getty Images)

Entre os pontos que ainda despertam dúvidas estão a estrutura do projeto, seu modelo de governança, a abrangência da nova empresa e as consequências que ela poderá produzir para o sistema de gestão do futebol mundial. Por isso, a CONMEBOL informou ter solicitado informações adicionais à FIFA antes de emitir qualquer posicionamento definitivo.

A entidade sul-americana também enfatizou que pretende conduzir essa discussão por meio dos canais institucionais, defendendo transparência, boa governança e ampla participação das federações filiadas no processo de avaliação.

Ao concluir o comunicado, a CONMEBOL fez um apelo para que o debate sobre o futuro do futebol seja conduzido de forma responsável e coletiva, reiterando que os interesses esportivos devem permanecer acima de quaisquer objetivos econômicos ou comerciais.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Crise na FIFA se aprofunda após novo dirigente criticar gestão de Infantino e projeto bilionário

A crise na Fifa, deflagrada pela proposta do mandatário Gianni Infantino de criar uma subsidiária para ingresso de investimento privado, continua tendo desdobramentos. Após Carlos Cordeiro renunciar ao cargo de assessor da presidência, agora foi a vez de Kevin Lamour, diretor de operações da entidade se posicionar sobre o assunto.

Em comunicado à agência de notícias Associated Press, ele afirmou que a equipe foi “enganada” pela falta de transparência de Infantino no planejamento do esquema com investidores privados e que os funcionários “merecem mais do que desprezo e intimidação”.

“É um projeto de uma só pessoa”, escreveu Lamour, colega de longa data de Infantino tanto na Fifa quanto na Uefa. “Não apenas este projeto não deve seguir adiante... mas chegou a hora de os líderes políticos do futebol fazerem a si mesmos as perguntas certas e tomarem as decisões corretas.”



Foto: Alessandra Tarantino/AP

Lamour não renunciou ao cargo que ocupa desde 2024, mas disse ter um dever para com seus colegas. “E se isso significar que perderei meu emprego, que assim seja”, disse o funcionário francês. “Entenderei e respeitarei essa decisão. Pelo menos dormirei bem esta noite.”

Infantino é presidente da entidade que comanda o futebol no mundo há mais de 10 anos e parecia ter sua reeleição garantida, sem concorrentes, para o próximo mês de março. A Fifa estabeleceu o dia 18 de novembro como prazo final para o surgimento de eventuais oponentes.

O plano da Fifa de criar a empresa Fifa Forward Enterprise (FFE) e abrir espaço para a venda de participações comerciais de suas principais competições a investidores privados desencadeou uma onda de reações no futebol mundial. A proposta, que representa uma mudança significativa na gestão dos ativos comerciais da entidade, dividiu as seis confederações continentais e abriu um debate sobre governança, transparência e autonomia das federações nacionais.

A ideia da Fifa consiste em vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. Para isso, seria criado um grupo chamado Fifa Forward Enterprise (FFE), que consolidaria os eventos e operações. Porém, a governança do futebol permaneceria sobre o controle da entidade gerida por Infantino.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

UEFA rompe com a FIFA e anuncia boicote à Copa do Mundo após plano de Infantino

A crise entre a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) e a Federação Internacional de Futebol (FIFA) atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (30). Em uma decisão inédita, a entidade que representa as 55 federações nacionais da Europa anunciou que deixará de disputar todas as competições organizadas pela FIFA, incluindo a Copa do Mundo.

A medida foi aprovada durante uma reunião extraordinária realizada por videoconferência e representa uma reação direta ao projeto liderado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, que pretende abrir espaço para investidores privados nos direitos comerciais da Copa do Mundo.

Em comunicado oficial, a UEFA afirmou que o torneio mais importante do futebol mundial não pode ser transformado em um ativo financeiro. A entidade declarou que a competição pertence ao futebol e que sua gestão não deve ser submetida aos interesses de investidores cujo principal objetivo seja a obtenção de lucro.

O estopim da crise foi a divulgação de um plano, até então mantido em sigilo, que prevê a criação da FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões. A proposta contempla a venda de pouco mais de 20% da empresa para investidores privados, em uma operação estimada em US$ 4,2 bilhões. Entre os grupos apontados como possíveis interessados está a Thrive Eternal, comandada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente norte-americano Donald Trump.

Segundo Infantino, os recursos obtidos permitiriam ampliar significativamente os investimentos destinados às federações filiadas. A promessa é dobrar o financiamento básico destinado a cada associação nacional nos próximos quatro anos, elevando o valor de US$ 10 milhões para US$ 20 milhões. O dirigente também afirma que, até 2038, cada membro da FIFA poderá receber cerca de US$ 86 milhões em programas de desenvolvimento, mais que o dobro do montante inicialmente previsto.


Imagem Rawpixel

A UEFA, entretanto, considera que a proposta foi conduzida sem transparência. A entidade acusa a FIFA de ter elaborado um projeto de enorme impacto para o futebol mundial sem promover consultas efetivas às confederações e federações responsáveis pela administração do esporte.

Na avaliação dos dirigentes europeus, permitir a participação de investidores privados na estrutura comercial da FIFA poderá submeter decisões esportivas à lógica do mercado financeiro, aumentando a pressão por rentabilidade e reduzindo a autonomia das entidades que administram o futebol.

Como consequência, a UEFA informou que manterá o boicote às competições da FIFA até que o projeto seja retirado definitivamente e que existam garantias jurídicas de que a governança e os principais torneios da entidade não serão, no futuro, abertos à participação de investidores privados.

A decisão pode produzir impactos imediatos no calendário internacional. A próxima competição organizada pela FIFA será a Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para setembro, na Polônia. Em 2027, o Brasil receberá a Copa do Mundo Feminina, torneio que também poderá ser afetado caso o impasse permaneça.

Além das consequências esportivas, o episódio aumenta a pressão política sobre Gianni Infantino. Após mais de uma década no comando da FIFA, o dirigente, que até recentemente era considerado favorito absoluto à reeleição, passa a enfrentar um cenário de crescente desgaste entre dirigentes das confederações continentais. A eleição presidencial da entidade está marcada para março do próximo ano, em Rabat, no Marrocos, e o prazo para inscrição de candidatos termina em 18 de novembro.

Nos bastidores, dirigentes do futebol internacional avaliam que a proposta da FIFA representa a maior crise institucional enfrentada por Infantino desde que assumiu a presidência em 2016. Caso o rompimento com a UEFA se consolide, o futebol mundial poderá viver uma das disputas políticas mais profundas de sua história recente, colocando em risco a unidade das principais competições organizadas pela entidade máxima do esporte.

A Querubim era o nosso Itabunão

Podia ser chuveirinho. Podia ser canarinho. Podia ser dente de leite. A bola, na verdade, era o que menos importava. Bastava quicar, aceitar um chute e carregar dentro de si a promessa de uma tarde inteira de felicidade.

O chão também não fazia exigências. Paralelepípedo, barro, cimento ou um pedaço de grama teimando em sobreviver entre as pedras. Jogávamos onde fosse possível. O jogo não precisava de cenário; precisava apenas de crianças dispostas a transformar qualquer espaço em um campo de futebol.

E nós estávamos.

As traves eram improvisadas com a mesma naturalidade com que o sol aparecia todas as manhãs. Dois caixotes. Duas pedras. Dois pedaços de madeira. Às vezes, o tênis daquele amigo que nem queria jogar, mas fazia questão de estar ali, servia de poste. Bastava combinar: "daqui até ali". O resto era imaginação. E a imaginação, naquela época, nunca conhecia limites.

O importante era bater o baba.

Entrávamos em campo com a solenidade de quem vestia a camisa da Seleção Brasileira. Cada dividida era uma final de Copa do Mundo. Cada gol merecia uma comemoração desmedida. Cada defesa improvável transformava qualquer goleiro em herói. Não existiam arquibancadas, nem narradores, nem câmeras. Mas existia um público invisível, formado pelos nossos sonhos, que fazia de cada partida um espetáculo inesquecível.

No meio da Rua Querubim de Oliveira havia uma parede.

Inclinada, é verdade. A rua também ajudava, descendo em ladeira. Para qualquer adulto, aquilo talvez fosse apenas uma construção comum. Para nós, era quase um monumento. Servia de trave, de tabela, de desafio. Ali a bola ganhava efeitos inesperados, voltava caprichosa, exigia reflexos rápidos e ensinava, sem que percebêssemos, que nem tudo na vida segue uma trajetória previsível.

Aquela parede era o nosso Itabunão.

Porque estádio nenhum é medido pelo concreto de suas arquibancadas. Os maiores estádios são construídos pela grandeza das lembranças que guardam. E o nosso cabia inteiro naquela rua, entre uma ladeira, uma parede e um punhado de meninos que acreditavam que o mundo começava e terminava ali.

Foto retirada da página História de Itabuna (@historiadeitabuna)

Nem só de futebol vivíamos. Bastava alguém aparecer com uma rede improvisada ou uma cesta qualquer para que a quadra imaginária surgisse diante dos nossos olhos. Jogávamos vôlei. Basquete. Inventávamos modalidades se fosse preciso. Éramos polivalentes antes mesmo de conhecer essa palavra. O corpo queria brincar. A alma queria disputar. E havia sempre uma bola esperando por nós.

Hoje compreendo que não era apenas sobre esporte.

Era sobre amizade.

Sobre aprender a perder sem desistir e a vencer sem humilhar. Sobre negociar regras, resolver discussões, escolher os times e voltar para casa quando a noite começava a esconder a bola.

O tempo passou.

A bola mudou. As ruas mudaram. Nós mudamos.

Alguns amigos seguiram outros caminhos. Outros ficaram apenas nas fotografias da memória. Há quem nem se lembre de certos lances. Eu mesmo não lembro de todos. E foram muitos.

A Querubim de Oliveira talvez seja hoje apenas mais uma rua para quem passa por ela.

Para mim, nunca será.

Ela continua povoada pelos gritos pedindo passe, pelas discussões sobre se a bola entrou ou não, pelas gargalhadas depois de um tombo, pela poeira levantada a cada arrancada e por aquele sentimento raro de liberdade que só a infância sabe produzir.

Há saudades que não pedem para voltar.

Elas sabem que o tempo cumpriu o seu papel.

Mas permanecem vivas porque fizeram de nós aquilo que somos.

Sempre que penso na criança que fui, ela não aparece em uma fotografia de escola nem em uma festa de aniversário.

Ela surge correndo pela Querubim de Oliveira, atrás de uma velha bola chuveirinho, canarinho ou dente de leite, acreditando, com toda a seriedade que só as crianças conhecem, que aquele baba valia uma Copa do Mundo.

E talvez valesse mesmo.

Porque foi ali, naquela aventura compartilhada com meus amigos, que aprendemos que a felicidade não depende da perfeição das coisas. Ela mora, quase sempre, na simplicidade de um fim de tarde qualquer, quando uma rua inteira consegue se transformar no maior estádio do mundo.


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Para onde foi o goleiro Vozinha, sensação da seleção de Cabo Verde, após a Copa do Mundo?

A janela de transferências segue movimentando o mercado internacional, e alguns dos contratos fechados após a Copa do Mundo chamam atenção pelos salários oferecidos aos jogadores.

Um dos casos que mais repercutiu foi o do experiente goleiro Vozinha. Aos 40 anos, o capitão da seleção de Cabo Verde acertou contrato de 18 meses com o Colo-Colo, do Chile, e receberá cerca de 255 mil dólares por mês. O valor é considerado elevado para os padrões do futebol chileno e gerou ampla repercussão no país.

Outro nome que surpreendeu foi o de Casemiro. Depois de deixar o Manchester United sem custos de transferência, o volante brasileiro acertou com o Inter Miami. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o meio-campista terá vencimentos anuais de aproximadamente 90 milhões de dólares, superando até mesmo o salário de Lionel Messi, estimado em 70 milhões de dólares por temporada.

Na Espanha, Vinicius Júnior também está no centro das especulações. O Arsenal prepara uma proposta considerada histórica para tentar tirar o atacante brasileiro do Real Madrid. A oferta prevê um salário superior a 480 mil euros por semana, valor semelhante ao que o jogador recebe atualmente no clube espanhol.

Outras negociações importantes também envolveram salários expressivos. O jovem Johan Muzambi deixou o Freiburg para defender o Aston Villa, onde passará a receber 85 mil libras semanais. Já Antony Gordon, autor do gol da Inglaterra na final da Copa do Mundo contra a Argentina, trocou o Newcastle pelo Barcelona e terá remuneração de cerca de 230 mil euros por semana.

Quem também mudou de clube foi o atacante Gonçalo Ramos. Reserva da seleção portuguesa no Mundial, ele deixou o Paris Saint-Germain para atuar no Milan, assinando um contrato que prevê vencimentos de aproximadamente 142 mil euros por semana.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Depois da parada pra Copa, o futebol brasileiro voltou sem empolgar

Na visão dos torcedores e dos jornalistas esportivos, a Copa do Mundo seria um divisor de águas e, mesmo sem termos elencos de alto nível técnico — com exceção de Flamengo e Palmeiras —, teríamos jogos de bom nível técnico no Campeonato Brasileiro após a parada para a Copa. É óbvio que não estou fazendo nenhuma comparação com as principais competições de futebol do mundo. No entanto, pelos valores investidos pelos principais clubes em comissões técnicas, atletas e estruturas, o nível técnico do futebol apresentado nas partidas disputadas depois da Copa foi muito baixo.

O recomeço desanimador e decepcionante do Campeonato Brasileiro, até o momento, tem muito a ver com o comportamento dos jogadores dentro de campo. O empurra-empurra, o antijogo, a malandragem, a simulação, os jogadores se encarando e as ameaças foram insuportáveis. A tentativa de superar o oponente e pressionar a arbitragem por meio de um teatro de péssima qualidade deixa o jogo truncado, sem qualidade e irritante. Trata-se de um comportamento que passa pela conivência dos técnicos e dos dirigentes, com raríssimas exceções.

A competitividade e o contato físico fazem parte do futebol. Afinal, todos os esportes de contato estão sujeitos a lances ríspidos e violentos. Cabe aos técnicos das divisões de base e do profissional orientar os jogadores e coibir o antijogo. Mas será que os técnicos são os únicos responsáveis? Não. Os dirigentes, os coordenadores e parte dos torcedores são "resultadistas" e, para eles, a vitória é o que interessa.

É claro que a vitória é importante e necessária. Entretanto, na primeira prateleira do futebol mundial, o resultado positivo está atrelado ao jogo bem jogado. É justamente quando uma partida de futebol se transforma em espetáculo. O problema é que, no futebol brasileiro, o imediatismo do resultado frequentemente se sobrepõe à preocupação com a qualidade do jogo, produzindo um espetáculo cada vez mais pobre.

Em épocas passadas, a "vitória no grito" era muito mais aplaudida do que hoje. E existe uma explicação: os torcedores estão mais exigentes. Além disso, o mercado publicitário precisa de um produto de boa qualidade para agregar valores compatíveis aos investimentos. O mercado publicitário não enxerga o futebol somente como um esporte. Futebol é um produto. Como todos os produtos, os investimentos dependem da qualidade. Sem qualidade, todos perdem.

Quando todos perdem, mudanças concretas tornam-se necessárias. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está, aparentemente, satisfeita com o futebol jogado no Brasil. Entretanto, todos os segmentos do mercado que dependem do futebol estão, em sua maioria, insatisfeitos. Inclusive os veículos de comunicação que, de forma incisiva, vendiam uma imagem do futebol brasileiro que não correspondia à realidade.


Escrito por Arquibaldo Geraldino dos Santos - 27 de julho de 2026 / segunda-feira / 19h48

Vasco empata com o Mirassol e permanece na zona de rebaixamento

Por Arquibaldo Geraldino dos Santos 

26 de julho de 2026   


O empate entre Vasco e Mirassol ( 1 a 1) na noite deste sábado, 25 de julho, em São Januário, pela vigésima rodada do Campeonato Brasileiro, foi um péssimo resultado para as pretensões do Vasco de permanecer na primeira divisão da competição sem sofrer sustos na reta final. Foi a primeira partida do segundo turno e, mesmo faltando dezoito rodadas para o fim da competição e com alguns clubes jogando um futebol de baixo nível, o Vasco não consegue transmitir esperança e confiança para seu torcedor. 

É verdade que os problemas extra-campo atrapalharam o planejamento da equipe durante a parada para a Copa do Mundo. Também é verdade que a equipe não tem dinheiro para fazer grandes contratações e as que foram feitas no início da temporada não surtiram efeito positivo. O mesmo acontece com remanescentes da última temporada. O resultado é uma equipe fraca tecnicamente, taticamente e fisicamente. O Vasco não tem controle emocional, capacidade de reação e, obviamente, confiança. 

Acreditar em uma mudança de comportamento e em uma evolução a curto prazo é muito difícil. Principalmente porque o tempo para adaptação de possíveis reforços e de construir ou montar um modelo de jogo capaz de ser competitivo e somar pontos é curto. Sabemos que no futebol tudo pode acontecer e, quando observamos a tabela de classificação e a qualidade de outras equipes, duas ou três vitórias e uma combinação de resultados pode fazer com a equipe dê um salto na tabela e, fora da zona de rebaixamento, recupere a confiança e termine a temporada sem que seus torcedores tenham a necessidade de fazer cálculos e projeções otimistas. 


O empate com o Mirassol foi a fotografia de um Vasco desorganizado, sem jogo coletivo e sem jogadores capazes de fazer algo diferente. O sistema defensivo - Puma Rodriguez, Carlos Cuesta, Robert Renan e Cuiabano depois Lucas Piton - não conseguia marcar, os laterais ofereciam espaços e levavam desvantagem no um contra um. O meio-campo com Barros, Tchê Tchê e Ramon Rique foi envolvido pelo meio-campo do Mirassol e demonstrou uma enorme incapacidade de marcar e construir. Os três meio-campistas que iniciaram a partida foram substituídos. Rojas entrou no lugar de Barros, Nuno Moreira entrou no lugar de Tchê Tchê e Jair entrou no lugar de Ramon Rique. Sem um meio-campo criativo e insistindo na bola longa, os atacantes - Adson, Spinelli e Andrés Gomez - ficaram reféns da marcação e, as poucas jogadas que levaram vantagem, as tomadas de decisão foram equivocadas e sem qualidade. David entrou no lugar de Adson. 

Por fim: acho cedo pata cobrar do técnico Pedro Emanuel uma definição tática, um jogo coletivo com encaxes na marcação associado com aproximação e troca de passes. Um sistema de jogo que esbarra na falta de qualidade técnica do atual elenco.

sábado, 25 de julho de 2026

Petição para banir a Argentina da Copa explode e já diz reunir mais de 23 milhões de assinaturas

Uma campanha internacional que pede a exclusão da Argentina das próximas edições da Copa do Mundo ganhou grande repercussão nos últimos dias e, segundo seus organizadores, já ultrapassou a marca de 23 milhões de assinaturas. A iniciativa, chamada "Argentina Out", afirma ter reunido 23.316.108 adesões de pessoas espalhadas por cerca de 170 países.

O movimento ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026, período em que torcedores passaram a contestar diversas decisões da arbitragem envolvendo partidas da seleção argentina. Nas redes sociais, milhares de publicações levantaram suspeitas de um suposto favorecimento à equipe ao longo do torneio. No entanto, até o momento, essas alegações não foram acompanhadas de provas que sustentem as acusações.

Seleção da Argentina (Foto: Carl Recine/Getty Images)

Outro fator apontado pelos organizadores da campanha como responsável pelo aumento da mobilização foi a exibição de uma bandeira com a frase "Las Malvinas son Argentinas" durante uma celebração da seleção. O gesto gerou reações, especialmente entre torcedores e internautas de outros países, ampliando o alcance da petição.#

Apesar da ampla divulgação da campanha nas plataformas digitais, a Fifa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Também não existe, até o momento, uma verificação independente que confirme o número de assinaturas divulgado pelos responsáveis pela iniciativa.

Dessa forma, embora o movimento tenha alcançado grande visibilidade nas redes sociais, as informações referentes ao total de participantes permanecem baseadas exclusivamente nos dados apresentados pelos próprios organizadores.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Segredo revelado: pesquisa mostra que bisavô de Messi nasceu no Brasil e mudança de sobrenome aconteceu em São Paulo

Antes de se tornar um dos maiores ídolos da história do futebol argentino, a família de Lionel Messi passou por um capítulo pouco conhecido em território brasileiro. Uma pesquisa genealógica revelou que um dos bisavôs do camisa 10 nasceu no interior de São Paulo e que uma alteração no sobrenome da família ocorreu justamente durante a permanência no Brasil, influenciando a identidade que o craque carrega até hoje.

A descoberta foi feita pelo pesquisador italiano Fiorenzo Santini, bancário de profissão e historiador por vocação. Apaixonado por futebol e torcedor da Inter de Milão, ele decidiu investigar as origens da família Messi quando o atacante ainda despontava como promessa no Barcelona.

Os primeiros levantamentos mostraram que o ramo paterno do jogador tem raízes em Recanati, na região italiana de Marche. Em 1893, Ângelo Messi, bisavô do atleta, deixou a Itália ao lado da esposa e se estabeleceu em Rosário, na Argentina, onde a família iniciaria uma nova trajetória.

Ao aprofundar os estudos sobre a linhagem materna, Santini encontrou uma conexão inesperada com o Brasil. O tataravô de Messi, Raniero Coccettini, embarcou para a América do Sul com a esposa Rosa Ricchezza e os filhos, desembarcando no Porto de Santos em 20 de setembro de 1899, conforme registros históricos do Museu da Imigração do Estado de São Paulo.

Logo após a chegada, a família enfrentou uma situação comum entre os imigrantes da época: a adaptação dos nomes nos registros oficiais. Raniero passou a ser identificado como Ramiero Concenttini, reflexo das dificuldades de grafia enfrentadas pelas autoridades responsáveis pelos documentos.

Os imigrantes foram contratados para trabalhar em uma fazenda pertencente a Martinho Prado Júnior, na região de Rincão, próxima a Ribeirão Preto. Foi durante esse período que nasceram mais dois filhos do casal: Ermínia, em janeiro de 1900, e Arderigo, em janeiro de 1904.

Foi justamente no registro do caçula que ocorreu a mudança definitiva. Arderigo passou a ser registrado como Federico, enquanto o sobrenome da família foi alterado de Coccettini para Cuccittini — forma que seria mantida pelas gerações seguintes. Federico tornou-se o bisavô materno de Lionel Messi.

Pouco tempo depois, em 1905, a família deixou o Brasil e migrou para Rosário, na Argentina. Ali nasceram Antônio Cuccittini, avô do jogador, Célia Maria Cuccittini, sua mãe, e, décadas mais tarde, em 24 de junho de 1987, Lionel Andrés Messi Cuccittini.

Segundo Santini, o sobrenome Cuccittini despertou sua atenção justamente por não existir na Itália. Entre 2019 e 2022, ele reuniu documentos históricos que comprovaram que a transformação ocorreu durante a passagem da família pelo interior paulista.

O trabalho de pesquisa também aproximou Messi das origens italianas. Em reconhecimento aos laços históricos de sua família, o jogador recebeu, em 2022, o título de cidadão honorário de San Severino Marche, cidade natal de seus antepassados.

Atualmente, não há registros de descendentes da família vivendo em Ribeirão Preto. Ainda assim, a ligação entre o maior ídolo argentino e o Brasil permanece registrada na história da imigração italiana e simbolizada pela Rua Martinico Prado, na Vila Tibério, que homenageia o fazendeiro responsável por empregar os ancestrais de Messi antes da mudança definitiva para a Argentina.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Itália admite tentativa por Ancelotti, mas técnico segue comprometido com a Seleção Brasileira

Mesmo após assumir recentemente o comando da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti esteve na mira da Federação Italiana de Futebol (FIGC). A informação foi confirmada nesta quinta-feira (23) por Paolo Maldini, diretor de seleções da entidade, que revelou ter procurado o treinador antes mesmo de iniciar conversas com Pep Guardiola.

De acordo com Maldini, a estratégia da federação italiana foi consultar os profissionais considerados de maior prestígio no futebol internacional para liderar um novo ciclo da Azzurra. A busca ganhou força após a saída de Gennaro Gattuso, responsável pela campanha que terminou com a ausência da Itália na Copa do Mundo de 2026.

"Entendemos que o correto era começar pelos treinadores que julgamos ser os melhores do mundo. Por isso, conversamos também com Ancelotti antes de buscar Guardiola. No entanto, é preciso avaliar a disponibilidade de cada um", afirmou o dirigente.


Carlo Ancelotti

Apesar do interesse italiano, a possibilidade de um retorno imediato de Ancelotti ao país é considerada remota. O treinador possui vínculo contratual com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030 e permanece à frente do projeto da Seleção Brasileira para o próximo ciclo mundial.

Outro nome que integra a lista da FIGC é Pep Guardiola. O técnico espanhol está sem clube desde o encerramento de sua passagem pelo Manchester City e é visto como uma das principais alternativas para conduzir o processo de reconstrução da seleção italiana.

Maldini evitou estabelecer um prazo para a definição do novo comandante, mas ressaltou que a prioridade da federação é encontrar o profissional mais capacitado para recolocar a Itália entre as principais potências do futebol internacional.

Quanto custa realizar o sonho de assistir à Copa do Mundo de 2030? Veja quanto é preciso economizar

A decisão da Copa do Mundo de 2026 encerrou mais uma edição histórica do torneio, mas, para muitos torcedores, o pensamento já está voltado para 2030. O próximo Mundial terá uma configuração inédita: Espanha, Portugal e Marrocos serão os principais anfitriões, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai receberão os jogos inaugurais em homenagem ao centenário da competição.

Para quem pretende acompanhar o evento de perto, a palavra-chave é planejamento financeiro. Especialistas alertam que começar a economizar agora pode fazer toda a diferença para transformar o sonho em realidade sem comprometer o orçamento.

Quanto guardar até 2030?

De acordo com o consultor de investimentos Leandro Benincá, da API Capital, o ideal é definir uma reserva financeira o quanto antes e incluir uma margem de aproximadamente 20% acima do valor estimado da viagem. A recomendação leva em conta possíveis oscilações do euro, aumento nos preços de passagens, hospedagem e outros custos que podem surgir ao longo do planejamento.

Considerando que ainda restam cerca de 46 meses até o torneio, diferentes perfis de viagem exigem metas distintas.

Opção econômica

Quem pretende permanecer cerca de dez dias, hospedar-se em hostels, assistir a quatro partidas (três da fase de grupos e uma do mata-mata) e manter gastos moderados com alimentação deve considerar um orçamento entre R$ 24 mil e R$ 34 mil.

Para alcançar esse objetivo, seria necessário reservar aproximadamente R$ 450 a R$ 600 por mês.

Experiência intermediária

Já uma viagem com maior conforto, incluindo duas semanas em hotel, cinco partidas (quatro da fase de grupos e uma eliminatória) e uma estrutura mais completa, exigiria um investimento próximo de R$ 42 mil.

Nesse caso, a economia mensal ficaria acima de R$ 800.

Pacote completo

Os torcedores que sonham em acompanhar toda a reta decisiva da competição, incluindo jogos do mata-mata e a grande final, precisam preparar um orçamento significativamente maior.

A estimativa varia entre R$ 110 mil e R$ 150 mil, dependendo da categoria dos ingressos escolhidos. Para atingir esse valor até 2030, seria necessário investir aproximadamente R$ 2,5 mil a R$ 2,8 mil por mês.


Foto: Werther Santana/Estadão

Lições da Copa de 2026

A última edição da Copa trouxe situações que servem de alerta para quem pretende viajar no futuro. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas restrições de acesso aos estádios obrigaram os torcedores a utilizar exclusivamente o transporte público, elevando os gastos durante o torneio.

Além disso, a FIFA adotou um sistema de precificação dinâmica para os ingressos, fazendo com que os valores variassem conforme a procura. Segundo Benincá, existe a possibilidade de que normas europeias limitem esse tipo de prática em 2030, reduzindo oscilações extremas nos preços das entradas.

Outro fator que merece atenção é a hospedagem. Na Copa de 2026, grande parte das cidades-sede registrou aumentos expressivos nas diárias, com reajustes superiores a 80% em diversas localidades.

Vale a pena comprar euros aos poucos?

Para quem pretende viajar, o consultor recomenda acompanhar o comportamento da moeda europeia.

Caso exista expectativa de valorização do euro, uma estratégia interessante pode ser realizar compras mensais da moeda e mantê-la em uma conta internacional. Se a expectativa for de estabilidade cambial, o viajante pode acumular os recursos em reais e efetuar a conversão mais próximo da viagem, evitando apenas deixar tudo para os últimos meses.

Independentemente da estratégia, a orientação é automatizar os aportes mensais e investir os recursos em aplicações conservadoras de renda fixa, como produtos atrelados ao CDI, já que o dinheiro possui uma data definida para ser utilizado.

Organização financeira faz diferença

Para Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, o principal objetivo não deve ser apenas alcançar um determinado valor, mas transformar a viagem em uma meta financeira de longo prazo.

Segundo ele, quanto antes o planejamento começar, menor será o impacto das contribuições mensais e maior será a capacidade de lidar com eventuais aumentos de preços ao longo dos próximos anos.

Uma pesquisa realizada pela Creditas em parceria com a Opinion Box revelou que 74% dos brasileiros pretendiam gastar dinheiro durante a Copa de 2026 e, entre eles, 80% admitiram não ter feito qualquer planejamento financeiro.

Antes da viagem, organize as finanças

Casagrande também destaca que, antes de iniciar a reserva para a Copa, é importante avaliar a situação financeira da família.

Quem possui dívidas caras, como cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos com juros elevados, deve priorizar a reorganização dessas despesas antes de começar a investir na viagem. Isso permite construir a reserva de forma mais saudável e sustentável.

Seguro viagem deve entrar no orçamento

Outro item considerado essencial é o seguro viagem.

Com partidas distribuídas entre três países diferentes, os torcedores estarão sujeitos a legislações distintas, sistemas de saúde variados e custos elevados de atendimento médico. Além da cobertura hospitalar, o seguro pode proteger contra problemas como extravio de bagagem, atrasos e cancelamentos de voos, reduzindo o impacto financeiro de imprevistos durante a experiência.