quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A democratização é um caminho, mas...

Os torcedores do Esporte Clube Bahia deram um passo importante para o futebol brasileiro e uma lição fundamental para todos os que são apaixonados pelo esporte em suas diferentes modalidades.

Em muitas coisas eles estão corretos, mas em uma, especialmente, precisam tomar cuidado para que amanhã, suas esperanças não se transformem em decepção, frustração, até.

Refiro-me a imaginar que isso vai mudar o caminho do clube de forma imediata ou até de médio prazo. Os resultados em campo, muito embora esteja quatro partidas sem marcar e vencer, tem dado uma esperança sem lastro aos mais apaixonados torcedores do Bahia de que o simples afastamento do ex-presidente já foi bom para o clube.

Imagine, então, se tivermos como eleger o próximo presidente!!!

Atenção!!! Cuidado!!! A democratização é um caminho importante para o clube e também para o país, pode se tornar um ponto de apoio para o processo de amadurecimento das possibilidades de desenvolvimento de uma "sociedade regulada" pelos subalternos.

Mas não se enganem, torcedores. E aqui falo para todos de todas as modalidades e não apenas para os tricolores baianos, amantes do futebol. As questões a envolver o esporte como quase tudo na vida, estão muito mais em baixo. Precisamos de uma revolução no comando esportivo nacional.

O Estado brasileiro se desenvolveu sem rupturas, fruto das conciliações por cima orientadas pelas elites nacionais. O próprio processo de redemocratização do país é um elemento elucidativo, que nos dá pistas heurística para, no mínimo, duvidar da eleição direta para presidente do clube, como solução.

São coisas diferentes. Dirão alguns. Uma coisa é um país, outra bem diferente é um clube de futebol.

Verdade. Mas os processos são parecidos. Não idênticos. E eles nos dão pistas, não disse que elucidam as questões. Insisto nisso e aproveito para completar o meu raciocínio afirmando que o problema do esporte nacional, o futebol entre outras modalidades, não está apenas no seu interior e em processos decisórios que ocorrem em torno dele e não se resolverá por dentro do mesmo, mas, sim, pela mudança substantiva da base estrutural que o sustenta.

A democratização é um  caminho, mas...insuficiente, se não radicalizada, servirá para modificar as coisas, deixando-as tão como estão.

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