sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Só em 2014


Estaremos de volta no dia 06 de janeiro.

Desejamos para todos um 2014 de muita realização e ação.

Grande abraço e obrigado por estarem conosco durante todos os dias de 2013.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sobre interatividade

A questão da interatividade entre mídia e audiência não é recente, apenas ganhou contornos novos com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação. Desde tempos remotos que ela vem se dando, inclusive em tempo real, se tomarmos como exemplo os programas de rádio.

Mas a mesma aparece agora como se fosse a novidade do momento. Não é. E continua, como antes, a causar situações interessantes. Veja o que ocorreu comigo no último dia 21 do corrente mês.

Ao acessar o meu instagram (welington_silva45), dei de cara com a imagem abaixo, vinculada pela Itaipava Fonte Nova.


Então questionei, observando que "Em terra de maioria negra, só branquinho na festa das torcidas é dose, não @itaipavafontenova?" A ideia era levantar uma discussão, um debate não com a Itaipava, mas com seus usuários que, assim como eu, participa com comentários nas suas mensagens publicitárias.

Mas, o que fez o agente que trabalhava no momento, operando a publicidade? Simplesmente, retirou o meu comentário, deixando o que ele tinha escrito, tal como demonstra o texto abaixo.


Eu então insisti, escrevendo a mesma coisa e ele então retirou. Isso ocorreu várias vezes. No caso, a interatividade estava incomodando. A mesma estava recebendo, inclusive, apoio expresso em outros comentários, que aproveitavam para questionar o valor dos ingressos cobrados nas contendas do Esporte Clube Bahia com outros times. Os mesmos foram também retirados pelo servidor.

Observo que o mesmo tem todo o direito de retirar os comentários. Trata-se de espaço privado. Apenas estou aproveitando o acontecido para refleti sobre o aspecto da interatividade entre partes. No caso os que usam o Instagram para interagir com a @itaipavafontenova.

Continuei então insistindo no meu questionamento. Até que o agente respondeu a minha provocação, sugerindo que ao levantar a pergunta, eu estava sendo preconceituoso. Diz ele no espaço abaixo que: "welington_silva45 há espaço para todos, só não há espaço para o preconceito. Grande abraço".

Aceitando a provocação e o debate, lembrei ao funcionário que "(...) atitude preconceituosa existe na medida em que não se obedece a constituição baiana que reza sobre a obrigatoriedade da presença de pelo menos uma pessoa da raça negra em todas as campanhas publicitárias produzidas na Bahia em que apareça mais de uma pessoa (...)." E finalizo afirmando que "(...) entre os cinco acima parece que não há espaço para todos".


Depois da franca e fraterna contenda, o que ocorreu? A interatividade continuou? O funcionário deu alguma explicação sobre a publicidade? Esclareceu algum ponto do questionamento?

Óbvio que não. Depois que escrevi, mencionando a constituição baiana e que a mensagem da imagem feria o texto da mesma, ele retirou foi a publicidade inteira, desconsiderando inclusive todas as outras interações que não tinham envolvimento no debate.

Ponte e metrô


Mais uma promessa não cumprida. Já deveríamos está acostumados tendo em vista a experiência do metrô, entre outras. Mas não estamos.

Enquanto isso os governantes deste país, nas suas distintas esferas de poder, parecem gostar de brincar com os prazos (a manchete acima é de dezembro de 2009) e a nossa paciência. Brincadeira muito cara, diga-se de passagem, pois as mesmas são feitas as custas do dinheiro público.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Jogador ou robô

Nilton Santos. Falecido em novembro deste ano

"Na nossa época, a gente fazia o que sabia. Agora (2002), o jogador faz o que o treinador manda. Não queria ser jogador hoje de jeito nenhum. Não sou robô" (Nilton Santos - Enciclopédia do futebol)

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O que comemoramos no natal?

Imagem retirada do site Os Invicioneiros
O nascimento de uma criança, pobre, em um lugar ocupado por forças imperiais. Sua mãe engravidou antes do casamento, que ainda assim se realizou com um homem que a quis e também ao seu filho. Então, de uma mulher mãe solteira, nasceu um filho “bastardo”, adotado por um padrasto carpinteiro. Quando adulto este homem zelou radicalmente pelos ensinamentos mais fundamentais da fé de seu povo e nestas condições, por pregar a igualdade absoluta entre os seres humanos, tornou-se um preso político. Foi capturado pelas forças da repressão, torturado, abandonado e condenado sumariamente, morreu da forma mais sofrida que se podia impor a alguém de seu tempo. Lutou para manter-se fiel ao que acreditou e pelo que viveu e lutou.

Em muitas culturas antigas há o culto a uma criança sagrada, são chamados avatares e estão presentes desde o Japão até as tribos indígenas na jovem América. É um arquétipo que representa a necessidade de evolução espiritual. “A criança divina diz respeito ao eixo central que, tendo uma origem narcísica, permite a coesão do self. Trata-se de uma representação do “sopro divino”, de uma integração com a natureza, de um saber direto, intuitivo". (Carl Jung).

A Criança Sagrada é aquela que não perdeu a consciência da sua origem, o fundamento do ser. É ela quem melhor expressa as qualidades relacionadas aos nossos valores espirituais: a essência divina da humanidade. 

É emblemático que a despeito do dogma de um Jesus acima da humanidade, nascido de uma mulher “virgem” e que cristalizou a imagem de uma família “sagrada” composta de pai, mãe, filho, haja um Jesus que persiste em se apresentar tão próximo e tão humano, tão nós.

Imagem retirada do site G1
Por outro lado, boa parte dos símbolos natalinos estão ligados aos cultos agrários pagãos, em especial aos festejos de Yule ou Alban Arthan, luz do inverno (no hemisfério norte). A criança sagrada aqui nasce como o sol, para trazer a mensagem da vida e da esperança. O verde representa o renascimento da natureza após o rigoroso inverno, o dourado os raios do sol em dias cada vez mais longos e aquecidos e o vermelho, bem, o vermelho é o sangue da deusa que é capaz de engendrar e sustentar a vida. Muito humana.

A criança sagrada por trás da tradição cristã nos espera todos os dias nas favelas do Brasil, da Bolívia, dos EUA, da Índia, nas terras ocupadas do Iraque, da Síria, da Palestina. Seus pais labutam diariamente para cria-las e, muitas vezes, não podem mais enxergar o presente, o milagre da vida em seu nascimento. Quando adulta, esta criança é Amarildo, é um Guarani Kaiowá, uma mulher indiana em um ônibus, está em Guatânamo, em uma prisão na Sibéria, ou em qualquer outro lugar onde as garras da opressão os tenham alcançado.
Imagem retirada do blog Hiperssessao
Sua mensagem, contudo, permanece: o amor radical e a igualdade absoluta na construção/recuperação deste self reconciliado que é negado a todos pelo sistema desumanizador que, em primeiro lugar desumanizou quem oprime e que se reproduz por estender a desumanização sobre todos nós.

Este amor radical e esta igualdade absoluta a criança sagrada, tão humana, tão próxima, expressou de forma tão intensa que continuamos a honrá-la, ainda que, por vezes, esqueçamos o fundamento destas festas milenares.

A criança sagrada renasce em cada um e sempre quando lutamos radicalmente contra a opressão. Este Deus menino eu posso honrar. O exemplo que deixou de profundo amor, solidariedade e igualdade é uma memória e também um porvir pelos quais vale a pena viver e vale a pena morrer.

Que nossos corações possam se abastecer destes ritos e que, em contato com as pessoas que amamos possamos retornar às nossas tarefas e lutas cotidianas para realizar este porvir. E se assim for, será Natal para sempre.

Um grande, fraterno e solidário abraço a todos vocês.

(Lorene e Família - Retirado da lista do Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo EBEM).

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

"Capoeira é tudo que a boca come..."

Imagem retirada do blog Capoeira Sócio Cultural
No último mês de novembro ocorreu na cidade de Cachoeira, na Bahia, um congresso internacional de Capoeira. Segue abaixo um texto produzido pelo professor Petry Lordelo, comentando o encontro. O mesmo além de ser docente e coordenador do curso de licenciatura em educação física da FAMAM, docente do curso de educação física da UEFS e da rede estadual de enino, também é capoeirista e estudioso desta luta

Segue o texto logo abaixo. Aproveito para agradecer ao professor a gentileza em disponibilizar o mesmo para este blog.

Entre os dias 18 e 20 de novembro de 2013, aconteceu no campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cachoeira, o I Congresso Internacional de Pesquisadores de Capoeira. Na ocasião, foi possível constatar muitos “Mestres” de/da Academia defenderem a espetacularização e mercadorização desta manifestação da cultura corporal.

Por exemplo, muitos chegaram a afirmar que "não há uma essência, uma verdade, uma tradição, uma história da capoeira. E sim, "várias"! Que nessa "roda" cabe tudo! Que a capoeira - a partir de uma interpretação pós-moderna da célebre frase/filosofia de Pastinha - "é tudo o que a boca come" e que das "bocas", sai! Que "capoeira não é luta, nem tampouco está inserida na luta de classes"; aliás, está última "não existe"! "Pastinha morreu à míngua, porque não soube "vender" - sem se “prostituir" - o seu produto". Até aula de capoeira EAD tá valendo, onde pra entrar na roda a gente abaixa no pé do computador...

Alguns, como eu, até tentaram entrar no debate, mas, assim como na maioria das rodas de hoje - diferentemente do que aprendi no Jogo de Angola - podaram a fala, ou se preferi, pra não fugir da mercado-lógica ritualística, "compraram o jogo"!

Imagem retirada do blog Capoeira Sócio Cultural
Como bem lembrou um camarada, quando vejo por aí dizerem que "tudo é tempo e tempo é tudo; tempo é tudo e tempo é nada", às vezes - já que não dá pra dar no couro - me limito a responder no coro: "Vixe, mainha!"

Esse papo de consenso, de ecletismo desvairado, de porralouquice teórico-prática comigo não rola! Ou se é malandro, ou se é mané! Ou oprimido, ou opressor! Ou revolucionário, ou reacionário! Não dá pra ser como aquele garoto da música de Frejat e Cazuza que tinha por "ideologia" mudar o mundo e agora, na convivência/conivência harmônica, passou a assistir a tudo "de cima do muro"; na hora que o bicho pegar, ele vai tomar pau dos dois lados!

O fato é que muitos não entendem que essa não é uma luta apenas da/pela Capoeira, mas sim, pela humanidade! Eu só me surpreendo como estes conseguem jogar tão bem olhando pro próprio umbigo.

É muita técnica...

domingo, 22 de dezembro de 2013

Gordinhos Atléticos

O título desta postagem segue o mesmo de uma pequena matéria publicada na revista ISTOÉ em setembro do ano passado.


E reza a matéria: "Esqueça a equação de que quanto mais gordura uma pessoa tiver, menos saudável ela será. Duas pesquisas publicadas na última semana mostram que essa regra tem uma exceção: os gordinhos não sedentários. Quem faz exercícios físicos, mesmo estando acima do peso, tem tanta saúde quanto os magros - e também está menos sujeito a morrer por problemas cardíacos e câncer. A descoberta põe em cheque a validade do Índice de Massa Corpórea (IMC) para determinar quem é ou não obeso. A razão: o cálculo pode indicar como obeso alguém que tem alto peso por causa da massa magra e não de gordura"

Será verdade isso? Qual a relação do início da matéria com seu arremate final? Com a palavra os especialistas.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Previsão do Orçamento

Clique na imagem para AMPLIAR

O Brasil continua destinando grande parte da riqueza produzida ao pagamento de juros e amortizações da dívida. Muito embora a imagem acima seja uma projeção, a diferença não será muito grande quando da divulgação oficial.

Cabe notar, entre outros, o valor destinado ao Desporto e Lazer. Pífios 0,06% do orçamento.

Atenção. Esse percentual não tem nenhuma relação com a Copa do Mundo. Trata-se das atividades dirigidas aos subalternos.

Nesses termos, fica mais uma vez distante, a necessária democratização do esporte e do lazer no Brasil.

De volta ao começo

Depois de quase dois meses inativo por problemas operacionais, para não dizer sabotagem, já que fui ameaçado por um tal de "Karim", que não gostou da minha última postagem onde critico uma mensagem publicitária veiculada pelo Conselho Regional de Educação Física de Minas Gerais, estamos de volta.

A intolerância expressa nos xingamentos e impropérios  deste "senhor" não foi suficiente para acabar com um projeto, tímido pelo seu alcance mas enorme pelos seus propósitos de democratizar as informações, conhecimentos, opiniões e tudo o mais que envolve esse fascinante fenômeno social que é o esporte.

Esses dias "parados" me fizeram refletir muito. Cheguei até a adquiri uma outra página, desta vez paga, para dificultar qualquer tipo de sabotagem futura e estava trabalhando nela para começar a publicar em janeiro próximo. Continuo pensando nesta possibilidade e o tempo e os acontecimentos serão meus conselheiros. Eles dirão o que é melhor para o momento.

Muitas outras coisas no âmbito específico do esporte também aconteceram:

1) Trabalhadores continuam sendo mortos nos acidentes de trabalho ocorridos nas "arenas";

2) O dinheiro público continua escoando para os caixas das empreiteiras. Caso da prefeitura de São Paulo que liberou R$ 159 milhões em incentivos fiscais para a construção do Itaquerão;

3) Na Bahia, R$ 6 milhões e 400 mil foram bancados pelo Estado para a realização dos sorteios dos jogos da Copa 2014. O que choca frontalmente com o contingenciamento de verbas para as universidades estaduais;

4) A suposta virada de mesa do Fluminense. Atitude que parece está animando o Vasco da Gama;

5) A derrota do Atlético Mineiro no mundial de clubes;

6) A democratização incompleta do Esporte Clube Bahia, que insisti em divulgar os nomes dos componentes das suas diretorias mas não o dinheiro que tem no caixa;

7) A não democratização do Esporte Clube Vitória;

8) A venda e compra de jogadores, demonstrando mais uma vez o quanto o esporte virou mercadoria e o talento dos atletas commodities;

9) O desconhecimento do torcedor do seu estatuto, mais uma demonstração da nossa menoridade cidadã;

10) O handebol feminino do Brasil na final do mundial;

11) entre outros.

Como podemos observar, temas não faltaram e nem faltarão. E muitos dos elencados são ainda passíveis de reflexões.

Tenham a certeza de que serão. Estamos de volta!!!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mensagem publicitária como tática da "maquinaria do agito"

A publicidade deve atingir em cheio a consciência do espectador. Ou telespectador, dependendo do meio que se utiliza para passar a mensagem. Aliás, o meio também exerce uma influência no conteúdo da mensagem publicitária.

No rádio, onde os sentidos são "mais reduzidos" a mensagem de um produto apresenta um conteúdo diferente na apresentação deste mesmo conteúdo anunciado na televisão, por exemplo. Conteúdo e forma são dois elementos que balizam as produções da mensagem e suas disseminações nos diferentes meios.

Conteúdo/forma e meio/mensagem se evidenciam pela linguagem. Esta, como produto e processo das relações sociais, não é neutra e garante sentidos e significados distintos às produções publicitárias, expressando nas mesmas uma visão de mundo que pode ser reducionista, ampliada, flexível, entre outras, podendo até classificar socialmente os indivíduos.


No mês de setembro último, para comemorar o dia do Profissional de Educação Física, o Conselho Regional de Educação Física (CREF) de Minas Gerais veiculou uma propaganda com um teor, no meu ponto de vista, além de reducionista, grosseiro, minimalista e preconceituoso.

Além de tudo isso, classificou também o indivíduo obeso, enquadrando-o em coordenadas geográficas. Seria a metáfora perfeita para o chamado "mundo dos magros" ou dos "menos redondos"? Um mundo onde as linhas e os meridianos são mais importantes do que as pessoas?

Ao dar de frente com esse tipo de mensagem expressa na propaganda da imagem acima, fico me perguntando até que ponto a mesma denota uma preocupação com o fenômeno da obesidade ou trata a mesma com nítidos contornos preconceituosos. O que justifica "fazer de tudo por um mundo menos redondo"? O que este "mundo menos redondo" tem de tão bom que é preciso "fazer de tudo" para que ele prevaleça?

Aliás, a expressão "fazer de tudo" já é preocupante. Aqui entra, portanto, até a prática do uso de anabolizantes, remédios para emagrecer, utilização de atividades físicas não condizentes, etc, etc, etc. Em outras palavras, o importante é ser "menos redondo", pleonasmo para dizer que o fundamental é ser magro!!! Não importa o que você faça.

Uma instituição como o CREF não pode desconhecer os estudos realizados no campo da psicologia que vem identificando que quanto mais se rejeita a obesidade, quanto mais se idolatra a magreza, mais e mais problemas relacionados à própria obesidade se ampliam.

Na minha humilde opinião, esse discurso da mensagem publicitária acima só se justifica pelo atendimento aos interesses da "maquinaria do agito". Conota muito mais uma estratégia que visa ao endereçamento. Esse discurso do "menos redondo" compõe uma tática recorrente que objetiva capturar o sujeito. Subliminarmente, propagandeia produtos e serviços ao mesmo tempo em que vende um certo estilo de vida "saudável" e "ativa".

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P.S. Observe o que fizeram nas camisas da mensagem publicitária com o suposto suor. Isso demonstra cabalmente que as suspeitas da postagem anterior - Coração de suor... - não são infundadas.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Coração de suor...uma jogada de marketing?

Dizem que um texto sem contexto, acaba virando simples pretexto.

E uma imagem, o que seria? Pergunto.

Ela mesma um texto. Respondem.

E o contexto deste texto, digamos, imagético? Insistiria.

Está contido na própria imagem, responderiam. Não sabe você que ela vale mais do que centenas de palavras? Reforçariam.

Fico pensativo diante das respostas neste diálogo imaginário. Meus neurônios interrogativos insistem: o que faz uma imagem valer mais do que várias palavras? Seria esta uma regra universal ou valeria para algumas regras e outras não? Se a resposta for sim, o que tornaria uma imagem mais eloquente e significativa do que uma outra? Seria o que ela esconde, o que ela insinua ou o que ela revela? Estaria tudo isso no olho de quem vê? Ou a capacidade expressiva de uma imagem estaria nela mesma? Ou entre ambos?

Todas essas questões foram suscitadas em mim em dois momentos distintos. O primeiro, ao assistir uma reportagem sobre Pelé, no Globo Esporte esta semana, que veiculava o lançamento de um livro em mais uma das inúmeras homenagens que o jogador vem recebendo em vida. A obra, da Toriba Editora, tem o inusitado título de "1283", uma alusão aos números de gols oficiais que o mesmo fez nos diversos clubes de futebol que passou e pela seleção canarinho.

Nesse livro, que pesa quase 15 quilos, contém 500 páginas, 1.283 textos e terá uma edição de 1.283 números, tem uma foto que se tornou histórica em função de um acontecimento, no mínimo, curioso. A imagem retrata Pelé, vestido com a camisa da seleção brasileira molhada de suor. Qual o fato curioso que dá destaque a esta imagem? A mancha do suor assume a forma de um coração.

O segundo momento que me fez pensar sobre a imagem, que até então não passava de uma simples e curiosa coincidência ou um raro momento de sorte de um fotógrafo, veio depois de ler uma matéria na revista Carta Capital.

Foto retirada do Blog Foto na História

A mesma, no seu número 770 à página 32, traz uma reportagem sobre Dom Eugênio Sales, então primaz do Brasil e seu envolvimento com a Ditadura Militar. Em uma certa altura da reportagem é citado o nome do fotógrafo que tirou a famosa foto de Pelé, o repórter Luiz Paulo Machado.

Segundo a matéria, o fotógrafo tinha sido obrigado pelos agentes da ditadura civil-militar a redigir "(...) uma carta de repúdio ao comunismo, a fim de demonstrar arrependimento pela militância" (pág. 33). Com isso os militares objetivavam "desencadear de imediato uma ação psicológica sobre a esposa de Luiz Paulo Machado, Elaine Cintra Machado, com base na carta-repúdio" (pág. 33).

De imediato, essas informações trouxeram novos contornos à foto que foi tirada depois da partida do Brasil contra o México, em 1970 e que para mim, em um primeiro momento, como citei acima, não passava de uma simples coincidência.

Ela então se tornou mais rica, mais nítida, com muito mais sentido e significado do que antes. Foi então que tive a ideia de postar esta reflexão aqui e como sempre faço, fui ler mais algumas coisas sobre o fato e o que encontrei me suscitou uma enorme dúvida sobre a veracidade da foto.

O ano em que a mesma foi tirada faz parte, na história brasileira, do chamado "Anos de Chumbo", que vai de 1968 até 1974. Durante este marco temporal a publicidade do regime veiculava tons ufanistas e mensagens ligadas ao sentimento amoroso que os brasileiros deveriam ter para com o seu país. Frases do tipo "Brasil: ame-o ou deixe-o!" ou "Brasil: ame-o!" eram recorrentes nas propagandas, faixas, cartazes, entre outros.

Agora, pensei com os meus botões, imagine todas estas mensagens sintetizadas em uma imagem. Um coração fixado na camisa da seleção brasileira de futebol, esporte que já era uma "paixão nacional". Camisa esta vestida por um já ídolo do esporte bretão, um então bi-campeão. Homem de sucesso, representante racial da massa nacional, ovacionado pelo mundo na conquista do tri-campeonato mundial, símbolo inconteste de que o Brasil estava dando certo.

Pelé era o homem. A camisa tinha que ser aquela e o momento tinha que ser aquele, de puro sucesso. A convergência de fatores suscitou a ideia: que tal transformar tudo em uma peça publicitária? Que tal do suor fazer um coração?

Ainda imerso na minha tresloucada dúvida, vejo que o mesmo Pelé não anda, mas marcha. Olha para o lado e aponta o rumo para os céticos do regime. A saída é pela direita.

Uma foto. Uma imagem. Textos e contextos transformam então as minhas dúvidas em uma pergunta síntese: o coração de suor ostentado por Pelé na camisa da seleção brasileira, teria sido pensado como uma jogada de marketing do regime civil-militar?

Vídeo homenagem aos 25 anos do primeiro ouro olímpico no judô

Recebi do senhor Allan, por e-mail, a sugestão de divulgar o vídeo abaixo neste blog para poder contribuir com a divulgação da homenagem que um grupo de atletas e profissionais do judô fizeram em comemoração aos 25 anos do primeiro ouro olímpico do judô.

Mais do que isso, o vídeo retrata aspectos, inclusive de bastidores, que ocorreram nesse processo do ouro olímpico, demonstrando que aquilo que assistimos na televisão, nem sempre, ou quem sabe nunca, expressa o sentido e significado de fazer esporte neste país, algo que vai muito além das fronteiras táticas e técnicas do fenômeno esportivo. 


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Obesidade e atividade física

Hoje o Globo Repórter vai tratar de um tema sempre candente e que geralmente aparece nos noticiários e reportagens de diversos canais e meios de comunicação próximo ao verão: a obesidade. Não é este o caso. Estamos em plena vigência da primavera e o verão ainda vai ter que esperar até o dia 21 de dezembro para ser anunciado oficialmente.

Além de candente, o tema também é controverso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é uma doença caracterizada por um balanço energético positivo. Dito de uma outra forma é quando você tem uma ingesta calórica maior do que o gasto calórico. Com o passar do tempo, o saldo positivo acumula-se em forma de gordura no seu corpo e dependendo do nível deste acúmulo, acarreta problemas na saúde do indivíduo agora caracterizado como obeso.

Mas por que o tema é controverso? Porque "A definição de uma doença, do ponto de vista tradicional, requer a existência de um grupo de sinais e sintomas e alteração funcional de uma forma universal". O que não é caso da obesidade, já que ela "(...) é definida através de um valor antropométrico ou de gordura corporal acima de um ponto de corte" e em função disso, "(...) muitos consideram que tal procedimento, muito embora possa definir uma ameaça à saúde e longevidade, não permitiria considerar obesidade como doença" (pág.11). (1)

No máximo, a obesidade pode ser considerada como um agravante, um fator de risco para a potencialização de outras doenças e não ela mesma ser considerada como tal.

Mas não é apenas no seu aspecto conceitual que o tema da obesidade se apresenta como controverso. A forma, a maneira como a mesma é tratada e a sua hegemônica abordagem pelo campo da ciência médica, biológica ou como simples problema estético, também é um fator de debate.

Para alguns autores, a obesidade deve ser vista como um fenômeno social moderno, produto e processo de fatores que estão localizados externamente ao corpo mas que nele se expressam na poética expressão do balanço energético positivo, popularmente conhecido como gorduras localizadas ou pelo horrível "pneuzinhos".

Consumo de alimentos industrializados em excesso e altamente calóricos. Riquíssimos em sal, açúcar e gorduras saturadas, mudanças nas formas de mobilidade urbana, o processo de urbanização, o nível de stress entre muitos outros elementos são situados como fatores que determinam a obesidade e que, por conta disso, a mesma deve ser tratada de maneira interdisciplinar, com uma abordagem multiprofissional que considere o conjunto de fatores e que leve em consideração a constituição do sujeito como sínteses de múltiplas determinações.

Não podemos mais, como querem nos fazer acreditar, pensar que o combate a obesidade é responsabilidade unicamente no sujeito e da sua força de vontade. Ou é algo que vai ser resolvido com determinados "princípios da vida ativa" com base nas atividades físicas, preceitos tão sólidos quanto um punhado de algodão doce.

Os elementos controversos da obesidade, começando pelo seu conceito, passando pela forma de intervenção e compreensão por determinadas áreas do conhecimento entre outros, já nos oferece uma visão complexa do fenômeno e do quanto é simplista os argumentos da importância da atividade física em si.

Ou tratamos isso com a seriedade devida e por dentro de uma visão de mundo que considere a totalidade dos fatores sociais ou ficaremos sempre imersos na problemática assim situada: quanto mais falamos da importância da atividade física para o combate a obesidade, mais essa cresce. Quanto mais defendemos a atividade física como melhoria da qualidade de vida, mais essa  desaparece.
__________

(1) ANJOS. Luiz Antonio dos. Obesidade e saúde pública. Rio de Janeiro. Editora Fiocruz, 2006.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

UFC

A impressão que tenho é que todas as lutas do UFC anunciadas na Rede Globo são sempre as mais esperadas do ano.

Exatamente, todas!!!

Por que será?

Livro sobre o CBCE


Para todos que tenham, entre outros objetivos, curiosidade em conhecer uma parte da história do maior colégio de pesquisadores da Educação Física/Ciências do Esporte, que congrega atualmente 13 grupos de trabalhos temáticos (atividade física e saúde, comunicação e mídia, corpo e cultura, epistemologia, escola, formação profissional e mundo do trabalho, memórias da educação física e esporte, movimentos sociais, políticas públicas, lazer e sociedade, treinamento esportivo, inclusão e diferença e gênero) que abordam investigações de diferentes perspectivas epistemológicas, não devem deixar de ler o livro (foto) de Luciano Galvão Damasceno.

Eu já comecei a leitura e recomendo.



Vale muito apena para as almas não pequenas.


Sinopse

O Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) foi formado pelos mais diversos interesses, por disputas teóricas e políticas pelo predomínio desta ou daquela visão de: ciência, sociedade, educação, saúde, educação física, lazer e esporte. Cada etapa de sua composição envolveu formas e conteúdos distintos e contraditórios, que afetaram historicamente sua organização estrutural e política, até chegarmos à atual.

Pode-se dizer que, desde seus primórdios, a formação do CBCE foi tecida essencialmente com os fios da educação física, estabelecendo uma inter-relação dialética, não imaginada nos sonhos de seus fundadores, em torno do que se convencionou chamar de "ciências do esporte".

Sumário

PREFÁCIO
Lino Castellani Filho

INTRODUÇÃO

1. (1978-1985) A GÊNESE DO CBCE
Antecedentes da fundação do CBCE
A gênese do CBCE

2. (1985-1987) ENTRE CIÊNCIAS DO ESPORTE E EDUCAÇÃO FÍSICA
O surgimento do novo no seio do velho
Entre o tradicional e o novo: Transição política e científica

3. (1987-1991) O INÍCIO DE UMA NOVA HEGEMONIA
O pré-1989: Indo ao auge da batalha das ideias
1989: O ano da luta pela hegemonia no CBCE

4. (1991-1999) A COMPLEXA REL AÇÃO ENTRE POLÍTICA E CIÊNCIA
Breves notas sobre o contexto histórico-social dos anos 1990
O foco nas discussões epistemológicas
A centralidade pedagógica na intervenção
O início da informatização e da internet no CBCE

5. (1999-2009) INTERVENÇÃO E CONHECIMENTO: POLÍTICA DE QUALIFICAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA POLÍTICA
A qualificação da política e a política da qualificação
A Revista Brasileira de Ciências do Esporte: Busca de qualificação científica dentro da ordem?

CONSIDERAÇÕES FINAIS: OS DESAFIOS DO CBCE

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Mais informações no site da Papirus. Clique aqui.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Do super-man à fênix

Os admiradores do Esporte Clube Bahia, cronistas esportivos, repórteres e congêneres, insistem em dizer que a torcida é o maior patrimônio do clube.

Digo o mesmo, com um porém apenas: o maior e ÚNICO!!! A administração dos Guimarães, pai e filho, não deixou pedra sobre pedra.


Se conseguir reverter este quadro, sugiro mudar a figura do seu mascote. De super-man, passar para o pássaro Fênix.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Contingenciamento só para alguns

Em 14 de agosto último, o Governo do Estado da Bahia baixou o Decreto número 14.710 que caiu como uma bomba no colo dos professores e professoras de todos os níveis de ensino, muito embora, no seu Artigo Segundo, ele tenha observado a excepcionalidade, no parágrafo único, da educação, segurança e saúde.

O Decreto tem como objetivo, estabelecer "diretrizes para contenção de despesas de custeio e de pessoal, que deverão ser observadas pelos órgãos e entidades da Administração Pública do Poder Executivo Estadual e efetivado através das fontes próprias do Tesouro Estadual" (Artigo Primeiro).

Até aí, tudo bem. Conter gastos públicos é uma notícia boa. Estamos saturados da malversação de verbas públicas sendo utilizadas para atendimentos de interesses dos setores privados. Mas o decreto não esclarece, por exemplo, o que significa a tal da "excepcionalidade" contida no parágrafo único.

Aliás, é preciso dizer aqui que este contingenciamento já existe, na medida em que o governo executa pouco mais da metade do orçamento previsto para a pasta da educação. No deste ano, até aqui, foi executado 57% do previsto. As universidade baianas vem sofrendo muito com isso.

Uma outra coisa. Se o governo quer realmente conter gastos, precisa explicar o contrato que o mesmo fez com a ARENA FONTE NOVA.

É verdade, governador, que caso a projeção de público, por jogo do Esporte Clube Bahia, não seja atingida, o Estado deve pagar a diferença?

Caso o torcedor não esteja entendendo, ou considere que isso é birra de um blogueiro rubro-negro, observe com atenção. Vamos supor que o valor celebrado no contrato, para a venda de ingressos seja de R$ 10,00 (dez reais). Sabemos que é muito mais. Mas estamos aqui trabalhando com suposição. Sabemos que o valor do ingresso varia entre R$ 30,00 (trinta reais, a inteira) a R$ 165,00 (cento e sessenta e cinco reais).

Pois bem. Nos últimos 20 jogos do Bahia na Arena, vamos dizer que obtivemos uma média de público de 10.000 pagantes. O valor arrecadado na venda de ingresso no total das partidas foi de R$ 2.000.000,00 (dois milhões). Só que no contrato firmado com o Estado, a média projetada junto a Odebrecht e à OAS, foi de 25 mil pagantes por jogo. Quem então vai pagar a diferença entre o que se projetou e o que efetivamente se arrecadou? O Estado, ou seja, eu e você, independente das nossas colorações e paixões futebolísticas.

Na conta da Arena, entraria via Estado, para cumprir o contrato, além do que ela arrecadou, mais R$ 3.000.000 (três milhões). Isso em apenas 20 jogos já realizados e com o valor muito abaixo do que realmente é cobrado nos ingressos em cada partida, já que fizemos aqui, para facilitar a compreensão, uma projeção com números redondos.

Agora, some-se a tudo isso, a quantidade de jogos e o tempo de vigência do contrato (35 anos), mais o valor total do custo inicial da Arena Fonte Nova (R$ 689,4 mi) e toda aquela boa intenção expressa no Decreto 14.710, assinado pelo governador, vai para o ralo.

Pelo exposto, parece-me que essa história de contingenciamento de verba pública cabe apenas para alguns.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Triste campeonato brasileiro

Ontem tive duas alegrias. A primeira veio com o voto do ministro Celso de Mello que decidiu cabíveis os embargos infringentes previsto no próprio regimento interno do Supremo Tribunal Federal (art. 333, I, parágrafo único) quando o condenado por qualquer crime tiver 4 ou 5 votos pela absolvição.

A outra alegria veio do futebol. O meu querido Vitória, de virada que é muito mais gostoso, bateu o Vasco em pleno São Januário, por 2 x 1. André marcou para o clube da cruz de malta. Alemão e Marquinhos marcaram para o rubro-negro baiano.

Mas nem tudo são flores. Se questões referentes ao estado democrático de direito e a partida do leão da barra me deixaram felizes, no geral, o campeonato brasileiro vem me deixando muito triste pelo péssimo futebol que os times vem jogando. Acreditem. Nem no meu bába de sábado as partidas são tão horrorosas quanto as apresentadas pelos diversos clubes nos gramados nacional.

São muitos jogadores em campo. Quase nenhum artista. São muitos atletas fisicamente treinados e quase nenhuma criatividade. Some a isso os lances truncados, feios, jogos com mais faltas que tempo de bola rolando, passes errados e terá um resultado pífio de um jogo de futebol.

Craques quase não há. E quando existe, todo o time depende dele. Seedorf ontem nem parecia está em campo. Errou muitos passes e perdeu um penalti. Resultado? O botafogo tomou três do cruzeiro. É muita dependência.

Para encerrar, pensem no São Paulo. Com placar magro, de 1 a zero contra o Atlético Mineiro, ao final de um jogo que teve todos os elementos ruins de uma partida de futebol, os jogadores vibraram tanto que um desavisado, desconhecedor da situação do tricolor paulista, iria considerar que o mesmo acabara de ganhar um título e não apenas uma partida.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Binha: só lhe cabe o título de torcedor símbolo do Bahia

Ontem, no estádio da Arena Fonte Nova foi empossado o mais novo presidente do Bahia, o primeiro em sua história eleito pelo voto direto dos associados do clube.

Com 67% dos votos válidos, Fernando Schmidt, que disputou o cargo com dois outros candidatos, Rui Cordeiro e Antonio Tillemont, pela segunda vez, assume a presidência do tricolor.

Para mim, nenhuma novidade. Antes mesmo do dia da eleição, em 4 de setembro, escrevi no meu twitter que a "conciliação pelo alto" iria eleger Schmidt. E assim foi.

Político profissional, causou inicialmente um certo desconforto nos bastidores da imprensa esportiva baiana, principalmente pelos que insistem em desvincular o esporte da política. Coisa impossível desde a Guerra Fria.

Aliás, já que toquei na imprensa esportiva baiana, um parêntese interrogativo: o que pensar sobre a brasileira? Silêncio ensurdecedor sobre o processo de democratização que ocorre no Esporte Clube Bahia. Estão com medo do quê? Fecho o parêntese.

Voltando ao processo de democratização, quero sublinhar que mesmo considerando que não teria capacidade para gerir um clube como o Bahia pela dinâmica do futebol contemporâneo, causou-me um certo desconforto que neste movimento de democratização do esquadrão, um time de massa, povão, o seu torcedor símbolo, aquele que podemos dizer que tem "a cara do Baêa, minha porra!!!", não tenha conseguido, sequer, um candidato a vice para poder se inscrever e concorrer à presidência.

Refiro-me a Binha de São Caetano (foto), ou simplesmente, Binha, como é mais conhecido. Não tenho dúvida alguma que o mesmo não mudaria o desfecho da história, mas ele daria muito mais sabor e dinâmica ao processo eletivo.

Provavelmente, a vinculação com o ex-presidente, o Marcelo Guimarães Filho, tenha sido um fator decisivo para a dificuldade de achar um vice e inscrever sua chapa. Mas só provavelmente.

Concretamente, na minha humilde opinião, para Binha, nesse processo de "conciliação pelo alto", só lhe cabe o título de torcedor símbolo do Bahia. Esse talvez seja o sentimento dos senhores de terno e gravata que começam a ocupar a casa grande.

Média de público brasileirão primeira fase

Com exceção de Internacional, Santos, Atlético mineiro, Ponte Preta e Náutico, todos com jogos ainda por fazer referentes ao primeiro turno, estão relacionados logo abaixo os clubes e suas respectivas colocações em relação a média de públicos nos seus jogos nesta primeira fase do brasileirão 2013.
Bahia ficou na oitava colocação, tendo 9 jogos como mandante e o seu maior rival, o Vitória, na décima quarta, com 10 jogos como mandante.
1º Corinthians - 29.089
2º Flamengo - 24.973
3º Cruzeiro - 21.374
4º Grêmio - 21.010  
5º São Paulo - 18.460
6º Vasco - 16.357
7º Coritiba - 16.098
8º Bahia - 14.480
9º Náutico - 13.838
10º Goiás - 13.308
11º Santos 13.187
12º Fluminense - 12.684
13º Criciúma - 11.427
14º Vitória - 11.264
15º Botafogo - 10.690
16º Atlético-MG - 9.344
17º Atlético-PR - 8.605
18º Internacional - 6.270
19º Ponte Preta - 4.737
20º Portuguesa - 2.849 

domingo, 8 de setembro de 2013

Vítor Marinho...PRESENTE

Vitor Marinho sempre inspirou-me.

Estava também sempre presente nas minhas aulas com o seu CONSENSO E CONFLITO DA EDUCAÇÃO FÍSICA BRASILEIRA.

Foi para mim, com o seu O QUE É EDUCAÇÃO FÍSICA, um divisor de águas entre o que eu pensava ser educação física e o que ela era/via sendo nos idos de 1989, quando entrei na UFBa.

Em 2010, inspirado no seu livro O ESPORTE PODE TUDO, publicado pela Cortez Editora, compondo a coleção Questões da nossa época, escrevi uma postagem com o tema homônimo.

O link da mesma segue abaixo como uma singela e pessoal homenagem a este HOMEM.


"Uma salva de palmas para alguém que melhorou a nossa espécie".

Vítor Marinho.

PRESENTE!!!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Independência de que tipo?

Imagem retirada do Portal A TARDE
Nesse espaço, alguns dias atrás, escrevi sobre a importância do momento que vive o Esporte Clube Bahia no contexto do processo que ora se desenvolve, de eleição direta para presidente do clube. Algo, pelo que me consta, inédito no Brasil.

Análogo a este momento, só mesmo o vivido pelo Corinthias Paulista na década de 80, ocasião em que o movimento intitulado Democracia Corintiana, permitia, pela via da autogestão, que jogadores, diretoria, comissão técnica e funcionários em geral, decidissem tudo no voto. E todos tinham peso iguais.

No entanto, não se conhece experiência alguma no Brasil, quiçá no mundo, de torcedores votar para eleger o presidente do seu clube de coração, de maneira direta.

Não obstante, uma vez eleito o presidente, quais os mecanismos de intervenção dos torcedores no clube? Qual o peso que terão nos processos decisórios fundamentais, àqueles que envolvem as complexas tramas urdidas no dia a dia do "fazer futebol"? E os jogadores do clube e seus funcionários, terão eles, tal como existia no Corinthias, poder de decisão sobre esses processos? Enfim, até onde vai a democratização do Bahia?

A eleição se aproxima. A data é simbolicamente forte: 7 de setembro, dia considerado de Independência do Brasil. Estará o Esporte Clube Bahia, instaurando a sua independência? Caso a resposta seja positiva, uma outra e final pergunta: de que tipo?

domingo, 1 de setembro de 2013

Everaldo Cardoso Silva pode ser, mais uma vez, homenageado.

Foto retirada do site jornalsportnews.blogspot.com.br

Everaldo Cardoso Silva (foto), sergipano legítimo da cidade de Santa Luzia, que abraçou a cidade de Itabuna com muito amor, desbravada por um conterrâneo seu de nome Firmino Alves, dedicou mais da metade de sua vida de 72 anos, à educação e à política.

Secretário de Educação do município por dez anos, professor de inglês, francês, português e educação física, também foi vereador e presidente da câmara, tendo atuações reconhecidamente destacadas em todos os âmbitos da sua intervenção humana.

Em função do seu histórico como homem público, tenho neste momento o prazer de informar que o seu nome está sendo proposto, pelo vereador Ailson Souza (PRTB), para nominar a Vila Olímpica de Itabuna. Segundo o vereador, justifica-se esta homenagem "(...) por sua história e contribuição ao desporto escolar".

Já tendo o seu nome eternizado na memória e história da cidade por outras inúmeras homenagens recebidas, como é o caso do Grupo Escolar localizada no bairro São Caetano que leva também o seu nome - Professor Everaldo Cardoso - a comunidade grapiúna espera com ansiedade mais esta justa homenagem.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A democratização é um caminho, mas...

Os torcedores do Esporte Clube Bahia deram um passo importante para o futebol brasileiro e uma lição fundamental para todos os que são apaixonados pelo esporte em suas diferentes modalidades.

Em muitas coisas eles estão corretos, mas em uma, especialmente, precisam tomar cuidado para que amanhã, suas esperanças não se transformem em decepção, frustração, até.

Refiro-me a imaginar que isso vai mudar o caminho do clube de forma imediata ou até de médio prazo. Os resultados em campo, muito embora esteja quatro partidas sem marcar e vencer, tem dado uma esperança sem lastro aos mais apaixonados torcedores do Bahia de que o simples afastamento do ex-presidente já foi bom para o clube.

Imagine, então, se tivermos como eleger o próximo presidente!!!

Atenção!!! Cuidado!!! A democratização é um caminho importante para o clube e também para o país, pode se tornar um ponto de apoio para o processo de amadurecimento das possibilidades de desenvolvimento de uma "sociedade regulada" pelos subalternos.

Mas não se enganem, torcedores. E aqui falo para todos de todas as modalidades e não apenas para os tricolores baianos, amantes do futebol. As questões a envolver o esporte como quase tudo na vida, estão muito mais em baixo. Precisamos de uma revolução no comando esportivo nacional.

O Estado brasileiro se desenvolveu sem rupturas, fruto das conciliações por cima orientadas pelas elites nacionais. O próprio processo de redemocratização do país é um elemento elucidativo, que nos dá pistas heurística para, no mínimo, duvidar da eleição direta para presidente do clube, como solução.

São coisas diferentes. Dirão alguns. Uma coisa é um país, outra bem diferente é um clube de futebol.

Verdade. Mas os processos são parecidos. Não idênticos. E eles nos dão pistas, não disse que elucidam as questões. Insisto nisso e aproveito para completar o meu raciocínio afirmando que o problema do esporte nacional, o futebol entre outras modalidades, não está apenas no seu interior e em processos decisórios que ocorrem em torno dele e não se resolverá por dentro do mesmo, mas, sim, pela mudança substantiva da base estrutural que o sustenta.

A democratização é um  caminho, mas...insuficiente, se não radicalizada, servirá para modificar as coisas, deixando-as tão como estão.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Ricardo Teixeira

Será que agora vai?

Ricardo Teixeira está no Brasil. E eu estou aqui na esperança de que a justiça brasileira faça algo com o "amigo".

Meus céticos botões riem da minha cara. Digo aos mesmos que "a esperança é a última que morre"!!!

Eles então, observam: mas, morre!!! E caem na gargalhada.

Eu caio na real e choro!!!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Esporte e Jornal Nacional

Alguém sabe responder, ou já pensou sobre o por que do Jornal Nacional, quase sempre, terminar a sua edição com matéria vinculada ao esporte?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Alguém como ninguém



William Barbio, ex-jogador do Atlético Goianiense, é o mais novo contratado pelo Esporte Clube Bahia. Na sua apresentação para a imprensa esportiva, o marketing do clube comete esta estrondosa gafe, situando a imagem do jogador colada a palavra "Ninguém".

Que o garoto, de apenas 20 anos, tenha sorte no seu novo clube e mostre ser alguém, como ninguém.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O patrocínio da Caixa

Na postagem abaixo, realizada há pouco mais de uma semana, questionava: quantos são os clubes de futebol patrocinados pela Caixa Econômica Federal? Quanto de dinheiro existe envolvido aí? Quanto é investido, pelas estatais, no esporte de rendimento de uma maneira geral? Qual a contrapartida para o estado nacional?

Bem. As duas últimas perguntas ficarão, por enquanto, sem resposta.

Sobre as duas primeiras, a resposta é a seguinte:

Dos clubes que participam do Brasileirão de Futebol 2013, Série A e B, 11 recebem, de forma desigual, patrocínio da estatal.

O número pode crescer, caso Bahia, Cruzeiro e Atlético Mineiro resolvam suas pendengas fiscais e tenham condições de entrarem para a lista dos agraciados pela verba estatal que, somada as duas séries, totaliza R$ 97 milhões.

Corinthians, Flamengo e Vasco, são os que mais recebem (31, 25 e 15 milhões respectivamente).

Vitória, Coritiba e Atlético do Paraná ficam em quarto,  recebendo o montante de R$ 6 milhões.

Dos times que participam do brasileirão da Série B, Atlético-GO recebe R$ 2,4 milhões; Avaí e Figueirense, R$ 1,75 milhão; Chapecoense e Asa (que estão no momento no extremo da tabela, segundo e décimo nono lugar, respectivamente) recebem R$ 1 milhão.

Sigamos na busca da resposta para as duas últimas perguntas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Botões que lêem

Meus botões perguntam: quantos são os clubes de futebol patrocinados pela Caixa Econômica Federal? Quanto de dinheiro existe envolvido aí? Aliás, quanto é investido, pelas estatais, no esporte de rendimento de uma maneira geral? Qual a contrapartida para o estado nacional?

Perguntas de botões que lêem

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Patrocínio desigual

A Caixa Econômica Federal vem colocando a sua marca em diferentes times no atual campeonato brasileiro.

Diferente também é o valor que o banco estatal paga às agremiações. O Esporte Clube Vitória, por exemplo, que não deve nada a ninguém, estando, enquanto empresa, isento de obrigações trabalhistas entre outras, recebeu 6 milhões. Um milhão a mais do que gasta por mês para manter o clube.

Já o Flamengo, time do Rio de Janeiro que deve apenas à duas pessoas, deus e o mundo, e que tem uma dívida que alcança a cifra dos 300 milhões, foi agraciado pela Caixa com 30 milhões de reais.

E assim caminha o futebol, expressando as desigualdades regionais no contexto dos patrocínios igualmente desiguais.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Inflação


Mídia Seletiva

Os portais de notícias dos conglomerados midiáticos mudaram totalmente o tom na cobertura do Dia Nacional de Lutas com Mobilizações e Greves, convocado pelas centrais sindicais. Até o meio dia desta quinta-feira (11), eles voltaram à velha ladainha da criminalização das lutas sociais. O Globo (G1), Folha (UOL) e Estadão destacaram apenas os “bloqueios de estradas”, o “congestionamento do transito”, o “fechamento de lojas” e o “tumulto” em centenas de cidades do país. Bem diferente da cobertura dos protestos de junho, que foram exibidos como “protestos cívicos” e “apartidários”.

A mídia patronal nunca tolerou as mobilizações sindicais – até porque ela explora brutalmente os trabalhadores nas suas redações. Como ensinou Cláudio Abramo, a única liberdade de imprensa existente nas redações é a do dono da empresa jornalística. Neste sentido, não dava para esperar outra reação dos jornalões e emissoras de rádio e tevê neste 11 de julho. A mídia hegemônica tenta jogar na divisão das centrais e abafar a pauta dos trabalhadores – que inclui redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, retirada do projeto de lei que amplia a terceirização, entre outras bandeiras.

Nos protestos de junho, que mobilizaram milhares de jovens pela redução das tarifas do transporte, a mídia patronal teve uma dupla moral. Num primeiro momento, ela exigiu dura repressão contra os manifestantes. Editoriais raivosos da Folha e Estadão e comentários hidrófobos do “calunista” global Arnaldo Jabor serviram de ordem para o governador tucano Geraldo Alckmin, que acionou a tropa de choque da PM e abusou da violência em São Paulo. Na sequência, como os protestos se ampliaram, inclusive como forma de solidariedade, ela mudou de postura e tentou pegar carona nas manifestações, impondo a sua pauta conservadora.

A frase patética de Arnaldo Jabor na CBN, “eu errei”, expressou esta mudança oportunista de comportamento. A TV Globo chegou a derrubar a sua grade de programação, retirando do ar até a novela, para divulgar os protestos. Fausto Silva usou o seu “Domingão” para convocar manifestações; Ana Maria Braga exibiu “modelitos” para os que pretendiam ir às ruas. Jovens bonitos, bem vestidos e pintados com as cores do Brasil foram exibidos em doses cavalares na telinha da Globo, numa manipulação escancarada com o objetivo de enquadrar politicamente os protestos.

Agora, quando os trabalhadores entram em cena, com as suas reivindicações e bandeiras, a mídia hegemônica volta ao velho expediente e tenta desqualificar as paralisações e as passeatas. Ela sabe que não pode manipular facilmente os protestos organizados unitariamente pelas centrais sindicais. Os barões da mídia tem espírito de classe e não vacilam na defesa dos seus interesses. Pena que o governo Dilma ainda não tenha percebido que a mídia se transformou no mais importante partido da direita do Brasil...


Retirado do blog do Miro