segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ACM Neto e suas intenções


Simbolicamente muito importante o ato do prefeito eleito ACM Neto na sua última reunião, antes da posse oficial no dia primeiro de janeiro de 2013, ao formalizar as promessas de campanha em um termo de compromisso assinado por todo o seu secretariado. Gostei também de saber que a chamada "faxina geral" (limpeza pública e iluminação) será iniciada a partir dos bairros periféricos. De certa forma, isso dá um tom popular (não confundir com populista, por favor) às suas primeiras ações de governo. Considero isso bom e a população de uma maneira geral pode participar através do telefone 156, solicitando serviços e também sugerindo ações.

São seis os pontos básicos que estruturam os compromissos assumidos pelos secretários: 1) foco nos interesses da população de Salvador; 2) valorização do servidor público; 3) agenda única para a cidade; 4) controle das ações via avaliações constantes; 5) transparência e 6) austeridade fiscal.

Segundo reportagem do Jornal A TARDE, deste sábado, no dia 3 de janeiro, 30 decretos administrativos serão publicados definindo "ações nas áreas de gestão, política de governo, finanças, ética e administração pública.

Como tenho acompanhado atentamente o discurso pós-eleição municipal através dos diferentes meios de comunicação, destaco o que considero um aspecto preocupante: a prevalência da linguagem empresarial e da administração moderna no tocante as ações políticas no geral. Os termos "gestão"; "parcerias privadas e empresariais"; "políticas de metas"; "acompanhamento de resultados" e "meritocracia" são os mais encontrados.

De qualquer forma, vamos acompanhar atentamente esses movimentos, verificando o desenrolas das intenções. Por enquanto, boas no plano do discurso, mas como trabalho com a noção de que o critério de verdade é a prática social, vamos observar como esse discurso se materializa no plano complexo e contraditório das lutas de classes e frações de classes.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Sobre MMA

Tem um tempinho que estou pra escrever esse texto. Antes de vir pro Grupo Metrópole, eu era editor no Grande Prêmio, o maior e mais antigo site de automobilismo do Brasil. Na nossa redação virtual, conversávamos muito sobre como o torcedor brasileiro da Fórmula 1 não gostava de Fórmula 1; gostava de ver brasileiro ganhando. E isso, de certa forma, explica a idolatria que Ayrton Senna ainda tem hoje. Morreu ainda no auge, ainda numa grande equipe, ainda como alguém de quem se esperava um título, mesmo naquela Williams de 1994.

Hoje, o esporte da vez é o MMA. Dos primórdios até dois anos atrás, era o esporte de um nicho. Veio, então, o boom. E, junto com todo o lado bom do crescimento, nasceu uma fonte inesgotável de chorume. 

O que falo agora é uma generalização, claro, e, como tal, há exceções nela. Mas que fique claro: o brasileiro não gosta de MMA. A cultura brasileira não é esportiva, não é do ganhar-perder-empatar. O comportamento do torcedor brasileiro não é o de reconhecer o sucesso do atleta, mas de embarcar nesse sucesso, de sentir como se fosse parte daquilo -- e ele não é. O esporte existe porque há seguidores, porque há mercado, mas não há contribuição do torcedor de sofá em cada vitória. 

Essa ilusão, entretanto, é alimentada todos os dias. É só assistir às principais emissoras de TV, acompanhar os principais programas, ler os principais jornais. Ontem, durante a luta, eu vi um dos comentaristas do SporTV dizer que Cigano estava melhorando no combate, quando o que havia era somente uma diminuição de ritmo devido ao cansaço de quem dominava. Pior: ouvi este comentarista dizer que, naquele combate, Cigano parou/frustrou Velasquez nas quedas. Velasquez, minha gente, conseguiu VINTE E SETE quedas na luta inteira. É o novo recorde de quedas em uma luta na categoria dos pesados do UFC. 

A torcida vem do analista, que não pode torcer. Contamina o torcedor, que só pode torcer. Aí quem só pode torcer se deixa iludir. E se sente tão ou mais importante do que o esportista. Quando o espírito brasileiro-melhor-do-mundo envolve o torcedor, o atleta vira aquele cara com obrigação de vencer, de dar show, de "representar o Brasil". 

Atleta nenhum "representa o Brasil". Ele representa, no máximo, sua família, seus amigos, seus parceiros de treino. Cigano não é o "nosso Júnior Cigano", o "Júnior Cigano do Brasil". É um dos mais talentosos lutadores que já passaram pela divisão dos pesados do UFC, a maior organização de MMA do mundo. É o parente dos familiares dele, o amigo dos amigos dele, o parceiro dos parceiros dele. E um grande atleta para quem torce por ele. E pronto.

Para este tipo de torcedor, se o "nosso" atleta é amplamente dominado, é impossível ressaltar a superioridade do adversário; é preciso dizer que "tem algo errado" com o brasileiro. Se a Seleção Brasileira de futebol perde uma Copa do Mundo -- ó, sacrilégio -- surge rapidamente uma teoria da conspiração decretando que a equipe "vendeu" o jogo à Nike, à Adidas, à Dell'erba, à CCS, à Kanxa. 

O ciclo se repete, só muda o esporte

Retirado do site Metro1, hoje, 12:40.

E a "nova" direita?


Tem muita gente boa, articulistas de importantes jornais e revistas, fazendo importantes e necessárias críticas ao PT. No entanto, sinto falta das necessárias análises críticas em relação ao recrudescimento da "nova" direita e suas ações, exemplificadas no ressurgimento da Arena, partido de sustentação do golpe militar e da ditadura civil/militar instalada após o golpe.

É pedir demais ou as análises "isentas" contra o PT são parte constituinte desta nova direita, representada por esses mesmos articulistas?

Manuscrito Secreto do Marx

Li e recomendei a leitura do livro MANUSCRITO SECRETO DE MARX, do economista baiano, Armando Avena. É uma obra de ficção onde o autor nos apresenta as principais teorias econômicas de maneira didática, fugindo do "economês" tradicional, ao mesmo tempo que desenvolve uma narrativa instigante sobre o pensamento do Velho Mouro. Fiquei feliz ao saber que o livro é um dos finalistas do Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional. Boa sorte ao nosso Avena.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Hobsbawm sobre a FIFA

"a Fifa de fato forçou torcedores holandeses a trocar de calças porque as que usavam tinham o logo de uma cerveja holandesa que compete com a Budweiser, patrocinadora oficial da Copa. No entanto, a relação da Copa com o moderno capitalismo globalizado é mais complexa do que isso. Ou seja, a indústria atualmente é altamente globalizada e não poderia subsistir na atual escala sem a existência de um capitalismo global de mídia." (Hobsbawn)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Festival de Ginástica Alegria na Escola

Professor Welington com a ex-ginasta Luisa Parente
No primeiro dia do mês de dezembro realizou-se no Centro Educacional Edgard Santos o Festival de Ginástica Alegria na Escola que passará a se chamar, a partir de 2013, Festival da Cultura Corporal Michele Ortega Escobar.

O festival foi parte do II Seminário Interativo de Cultura Corporal onde além de apresentações de trabalhos e seminários temáticos sobre Jogo, Esporte, Dança, Ginástica e Lutas, tivemos a comemoração dos 20 anos do Coletivo de Autores, importante livro sobre Metodologia do Ensino da Educação Física que, já em 1992, antecipava muitas discussões que hoje são candentes no âmbito do debate pedagógico como, por exemplo, o processo de organização didática do ensino por ciclos de escolarização. Na mesa de abertura do evento tivemos, com exceção do professor Lino Castellani Filho e da professora Carmen Lúcia Soares, a presença de todos que contribuíram com a elaboração do referido livro.

Tivemos também a presença da ex-ginasta Luisa Parente (foto), que participou ativamente das atividades do Festival, integrando-se aos educandos e educandas das diferentes escolas públicas da Cidade do Salvador e das Universidades públicas brasileiras. Além da UFBa, tivemos a participação da UFPE, UFPB, UFRB (Amargosa), entre outras.

O evento contou com uma mesa final de avaliação do mesmo, com a presença do professor Máuri de Carvalho, a professora Acácia Damiane e Celi Taffarel na mediação. Nessa mesa, importantes assuntos foram tratados e diretrizes para a rede lepel foram definidas para o ano de 2013.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Corinthians: bi-campeão!!!

O Corinthians sagrou-se bi-campeão do mundial de clubes no Japão, hoje, realizando um grande jogo contra o excelente, mas não imbatível, time do Chelsea.
Imagem retirada do Blog do Timão
Todos nós sabemos o que representa o Corinthians como time para a história deste país e o título como autoafirmação e elevação da autoestima de milhões de brasileiros, não só dos que torcem pelo "curinthians".

Parabéns para a nação de "loucos" espalhados pelo país e pelo mundo. A Pátria Grande agradece.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sobre a postagem em relação ao Messi

Por Cristiano Santana.

Incrível ver essa publicação do professor Welington Silva hoje.
Coincidência ou não, ontem (e quase todos os anos em que estou na Europa) comento sobre o endeusamento dos talentos esportivos no futebol mundial (disse mundial... desculpa, qu

is dizer "euro-mundial"). Um grande exemplo desse o o jogador Lionel Messi. Acredito que até ele mesmo já deve ter vergonha de tanto assédio.
Mas a Fifa, juntamente com outras entidades desportivas precisam vender. E Messi ainda vende muito bem. Mesmo sem ter conquistado um título no ano de 2012, vale os recordes, que para reeleger o "melhor do mundo" é essencial.
O Barcelona vem desempenhando um papel fundamental no futebol mundial sob conceito genial de logística administrativa, estrutura dentro de campo (no desempenho coletivo. Notório, inclusive, no semblante do próprio Messi), inter-relação com o torcedor. Mas a mídia consumista só consegue enxergar o lucro. E para tal, fazer reverência a 11 é complicado. Ao Barcelona, talvez. Mas o Barça não se mexe, não tira foto, não calça chuteira, não veste camisa, não bebe, não come, enfim... é apenas uma marca. Com limitações para o comércio. Como os 11 não pode ser, sobra o Messi.
Sobre o Lionel Messi.... excelente jogador, executa seu papel como poucos e merece o respeito de todos. Mas melhor do mundo? Será que jogando no Boca Juniors seria eleito 3 vezes e caminhando para a 4ª vez... com mais um recorde quebrado? Acho que essas questões não poderemos responder nunca, afinal Messi, ao que tudo indica, se aposentará no Barça, sem nunca ter jogado em mais nenhuma equipe do mundo.
Pessoalmente, acho Messi uma falácia pelos seguintes motivos:
a) Argentino, que vive mais na Espanha do que no próprio país.
b) Jogador que teve e tem maior destaque no futebol espanhol/europeu, com dupla nacionalidade, mas que insiste em jogar na seleção Argentina.
c) Na seleção argentina, se destacou melhor nos quadros inferiores (Sub-20, Sub-23), mas continua devendo muito no quadro principal da seleção.
d) Jogou apenas em 1 clube Argentino, quando ainda era criança e depois profissionalizou seu futebol na Espanha.
e) Conhecido na Argentina pelo seu jogo na seleção nacional e no Barça, mas pouco ou quase nunca visto em jogo no futebol argentino.
f) Eleito 3 vezes melhor do mundo por jogar num dos melhores clubes do mundo, e em nenhum outro.

Hoje me pergunto se foi melhor mesmo para Neymar ter ficado no Santos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Lionel Messi. Somente ele?

No último domingo o craque argentino que ocupa as págínas de todos os jornais esportivos escrito, falado e televisionado, Lionel Messi, bateu mais um recorde: o de número de gols durante um único ano, 86.

Esse tento, particularmente, não me surpreendeu. Pela performance que o mesmo vinha tendo, era quase que natural esse recorde, ultrapassando o alemão Gerd Muller que em 1972 atingiu a marca de 85 gols.

O que me surpreendeu foi a maneira como a maioria da mídia esportiva noticiou o fato. Segundo algumas redes de televisão, Messi teria, sozinho, conseguido essa superação. Aja endeusamento ao individualismo. Então que dizer que os seus companheiros de clube, de seleção argentina, entre outros, não contribuíram em nada? Teria Messi o mesmo resultado, jogando sozinho?

Tenha santa paciência, pessoal. Futebol são 11 em campo. Do goleiro ao atacante, todos participam do jogo, no sucesso e na derrota. Vamos sim, enaltercer o empenho do jogador. Mas vamos aproveitar esse momento e colocar em evidência a necessária colaboração de todos no resultado, individual e coletivo de uma equipe e seus componentes.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cultura Corporal

Do que vale a dança, o jogo, a capoeira, o esporte, a ginástica, o "malabaris" e outras expressões da cultura corporal, se na sua dinâmica pedagógica não estiver, presente, a luta contra o capital?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Romário protocola requerimento para CPI da CBF

Nesta quarta-feira, o deputado federal Romário anunciou que conseguiu as assinaturas necessárias para o requerimento da instalação da CPI da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em pouco mais de 24 horas, o ex-jogador conseguiu 188 assinaturas, 17 a mais do exigido pelo Regimento da Câmara.


De acordo com Romário, a velocidade para a coleta das assinaturas se deu por conta das denúncias contra a entidade apresentadas na Câmara.
“Nós aqui da Câmara não estamos admitindo mais este tipo de sacanagem com o povo”, afirmou.
Romário começou a recolher as assinaturas às 15h de terça-feira. Às 16h desta quarta, 166 já haviam endossado a lista, o que fez o ex-jogador afirmar, por meio de nota oficial, que a coleta aconteceu em “tempo recorde”.
Mas a Câmara afirmou que não é possível confirmar tal informação já que não há registro do início e fim da coleta de assinaturas.
Uma vez confirmadas as assinaturas, o pedido de CPI entra em uma fila. A investigação deve esbarrar no recesso parlamentar, a partir de 22 de dezembro. Os trabalhos só devem ser retomados em fevereiro, já com um novo presidente.
Leia mais no site do UOL, de onde a notícia foi retirada.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dez anos depois

Dez anos depois, finalmente, teremos os times Bahia e Vitória, que somados ao Náutico, representarão o Nordeste na primeira divisão do brasileirão.

Lamento a queda do Sport. Seria mais um nordestino para brigar pelo equilíbrio no torneio, que sempre tem times do sul e sudeste chegando no topo da tabela, sem falar que seriam mais seis pontos garantidos para o Vitória que, somados aos seis contra o Bahia, já entraria com 12 pontos certos na tabela.

Gozação à parte, o que fica mesmo como ponto de reflexão é a saudável, mas excessiva, na minha visão, comemoração dos torcedores baianos, do Bahia e do Vitória, em relação aos pífios resultados das duas agremiações no decorrer do torneio.

O Vitória, depois de um excelente primeiro turno, caiu vertiginosamente de produção. Ficou mais uma vez sem condições de sustentar a liderança que manteve por mais de onze rodadas e por pouco, não fica em quinto colocado, perdendo o acesso. Subiu, é verdade, mas subiu com as calças na mão.

Já o Bahia, depois de um péssimo primeiro turno, conseguiu importantes vitórias no segundo, alegrando a sua imensa torcida e dando esperanças de, quem sabe, a participação em uma sul-americana. No entanto, após algumas rodadas, começou a cair, se sustentando, inclusive, nos pobres resultados dos times que estavam abaixo dele na tabela. Assim como o Vitória, deu muita sorte em algumas rodadas, se mantendo na elite do futebol brasileiro.

Os torcedores de ambos os times, precisam parar de comemorar a permanência na primeira e o acesso como se título fosse. Comemorar é bom, saudável e pertinente, mas é preciso pensar em formas de comemoração que não perca de vista, a melhoria do clube e a luta pela distribuição equitativa do dinheiro que vem da CBF. Só igualando um pouco mais as verbas, poderemos ter e manter um time competitivo do início ao fim, coisa fundamental para um campeonato tão longo como o nosso brasileirão.

Que em 2013, as direções do Bahia e do Vitória tenham mais respeito com seus torcedores e parem de brincar com coisas tão caras, tal como o amor e as emoções dos seus respectivos torcedores

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Uma certeza, uma dúvida e uma constatação

Este final de semana será decisivo para o Esporte Clube Vitória. Amanhã, um simples empate o levará para o lugar de onde não deveria nunca ter saído: para a elite do futebol.

Casa cheia, mais de 35 mil pagantes lotarão o alçapão rubro-negro e o Leão da Barra vai subir com honra, vencendo o jogo. Eis a certeza.

No domingo será a vez do Esporte Clube Bahia tentar se manter na primeira divisão. Caso vença o jogo contra o Náutico e o Sport perca o seu contra o Fluminense, campeão brasileiro antecipado de 2012, ele garantirá sua permanência. Caso contrário, ainda terá mais uma rodada, a última, no próximo fim de semana, para tentar continuar na elite do futebol. Eis aqui a dúvida.

Mas, independente dos resultados, que torço para que sejam excelentes para os dois times baianos, a certeza que fica pela dinâmica dos últimos campeonatos brasileiros, digamos, desde que o mesmo foi concebido com pontos corridos, é que a desigualdade econômica entre os clubes tem uniformizado uma dinâmica em que os times do sul e sudeste do país levam vantagens na disputa pelo título.

Óbvio que não é apenas isso. Mas no conjunto das ações necessárias para que um time de futebol sagre-se campeão de um torneio tão longo e disputado como é o Brasileirão, o fator econômico pesa muito.

Se não pensarmos em alternativas para equilibrar o jogo, entrará e sairá ano e a alegria e emoção dos baianos se resumirá na esperança de ver o seu time subir ou na fé para que o seu time não caia. Título que é bom, nada!!!

Eis a constatação.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

MEGAEVENTOS ESPORTIVOS E CULTURA ESPORTIVA: O QUE QUEREMOS? (PARTE I)

(Texto de minha autoria, extraído do Jornal A Tribuna Cultural, publicado no dia 02 de novembro de 2012)

É sabido por quase a totalidade dos brasileiros que o seu país será sede de, pelo menos, dois grandes megaeventos esportivos. Refiro-me a Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016.
O que talvez não passe na cabeça desses mesmos brasileiros é o que isso significa para o que denominamos de cultura esportiva. Para a grande maioria, sobram argumentos positivos e para outros, a minoria, sobram argumentos de cunho mais crítico, o que implica analisar o fenômeno tanto na sua positividade quanto, também, na sua negatividade.

Para esta última posição, há até uma propaganda de um dos patrocinadores da Copa que os situam no campo dos pessimistas. Isso me lembra do sociólogo Chico de Oliveira que, chamado de pessimista em uma entrevista por um repórter, saiu-se com o argumento de que pessimista era o sujeito otimista, porém, mal informado. O que não era o seu caso. Calou-se o repórter.

Não se trata aqui de ser pessimista nem, tampouco, otimista. Trata-se de pensar nesses eventos de maneira crítica o que, também, não tem a conotação de falar mal. O que importa é colocar em evidencia a lógica histórica do chamado fenômeno esportivo nacional, lógica essa muito pouco conhecida da população, como de resto, quando o tema é tratado dentro da ótica política.


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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A democracia longe do esporte

(Texto publicado no Jornal A TRIBUNA CULTURAL no dia 22 de outubro. Aqui reproduzido parcialmente).

Mais uma vez, o mês de outubro se consagra como o do exercício da democracia eletiva. Vivenciamos eleições direta para as prefeituras municipais e câmaras de vereadores recentemente em todos os municípios brasileiro emancipados e nas 83 cidades com mais de 200 mil eleitores que tem o direito ao segundo turno, os cidadãos de 50 delas ainda exercitarão o voto no pleito no dia 28 próximo.

É a democracia com toda a sua pujança a materializar-se do Oiapoque ao Chuí, consolidando sempre e cada vez mais o estado republicano, que mesmo não exercendo a sua soberania clássica caminha, lentamente para alguns e a passos largos para outros, à sua consolidação.

Não obstante, nem todas as instituições da sociedade civil se desenvolvem com esse dinamismo, impedindo que a democracia brasileira deixe de ser representativa e torne-se substantiva. Refiro-me, exclusivamente, a instituição esportiva, uma das mais sólidas e onde ainda se exerce o poder de mando próprio dos coronéis do passado, onde impera o servilismo, onde mantém-se, aprofunda-se e amplia-se os feudos medievais.

Não me deixa mentir a reeleição do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, o senhor Carlos Arthur Nuzman, que ocupando o cargo há 17 anos, foi reconduzido para o exercício do mesmo por mais quatro. Caso ele consiga o intento de mais uma vez, se reeleger depois dos Jogos Olímpicos de 2016, ele superará o mais longevo cartola do esporte nacional, o senhor João Havelange...


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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Professor é profissão de quem estuda

Não dá para discuti com determinadas pessoas que exercitam a escrita e o raciocínio com base no senso comum quando o tema é política. Tenho debatido minhas posições em relação ao PT e a Ação Penal 470 com gente muito boa, que inclusive se posiciona do lado contrário ao meu. Reflito muito sobre o que ouço e leio. Mas o nível do debate é outro. Se expressa com base em convicções políticas e pressupo
stos teóricos firmes.
Espero que você que lê isso não interprete o texto como soberba, com empáfia. É apenas uma reflexão de como nós (estou me incluindo no contexto) pautamos nossos argumentos naquilo que a teoria da comunicação chama de "agend setting". A mídia nativa pauta o debate e o seu conteúdo e nós tomamos a agenda como se nossa fosse. Universalizamos um tema ou um discurso, ou os dois ao mesmo tempo, como se ele fosse propriedade nossa. Como se nós fossemos o autor, o criado do debate.
Isso é uma manobra ideológica e tem nome, chama-se "generalização do particular". Muitos de nós situamos um ou outro debate na íntegra, tal e qual o conteúdo foi disseminado pela mídia hegemônica. Isso até poderia ocorrer se o mesmo passasse pelo filtro crítico da nossa consciência, coisa cada vez mais escassa.
Como professor, isso me entristece e muito. Como leitor de várias revistas com pontos de vistas divergentes, até antagônicos, sinto com base empírica o quanto isso é necessário para o desenvolvimento e ampliação da nossa autonomia intelectual, da ampliação daquilo que o Paulo Freire chamou de "estágio da consciência". Mas o que nós encontramos amplamente é a defesa de projetos, argumentos, posições que fazem parte muito mais dos interesses de classe dos que sempre estiveram no comando desta nação.
Em muitos momentos da nossa história o consenso era oriundo da coesão, via cassetete entre outros instrumento de força. Hoje, o consenso se dá pela dissimulação, pela mentira repetida várias vezes, pela manipulação, pela inversão da realidade, pelo discurso lacunar. É de entristecer. Mas é a verdade. O antídoto para isso nós temos, mas o "recuo teórico" que herdamos da década de 90 nos impede de tomá-lo. Mas vou insisti nele e até divulgá-lo: É O ESTUDO. É A LEITURA. É A DISCIPLINA INTELECTUAL QUE EXIGE MÉTODO. Por isso, meus colegas, sempre repito para os meus educandos que professor é profissão de quem estuda.
Eu tenho "sentido" muito pouco isso por aqui. Uma pena!!!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Parabéns, para todos nós!!!


Para todos, educandos e educadores, que direta e indiretamente contribuem e contribuíram para a minha formação inicial e continuada, uma singela homenagem pelo 15 de Outubro. Que nesta data, reflitamos sobre o ensinamento DESTE Paulo Freire. PARABÉNS PARA TODOS NÓS!!!


sábado, 13 de outubro de 2012

Mudou o Brasil?

Até onde eu sei, o menino pobre que mudou o Brasil foi o senhor Luiz Inácio LULA da Silva. Mas como a Revista VEJA, representante mor da imprensa golpista nacional nutre um ódio de classe e dissemina o antilulapetismo, nunca o mesmo apareceria na capa com esta chamada, ainda mais em letras garrafais. E o que é mais estranho...esta revista é a mesma, a mesma mesmo que vem semanalmente escrevendo contra a Lei das Cotas. Contradição? Só para quem acredita em papai noel e duendes.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

De renascer para o reviver: Itabuna disse não ao capitão e não ao "coronel"


"Em Itabuna, os eleitores disseram não tanto ao capitão quanto ao coronel". O capitão Azevedo (DEM) não vai mais governar a cidade. Mas perdeu demonstrando densidade eleitoral, ostentando um número expressivo de votos, 44. 516. O vencedor do pleito, o candidato Vane do Renascer (PRB), conseguiu pouco mais de 1.100 votos na frente, totalizando 45.623, elegendo-se prefeito. Em termos percentuais, 40,61% contra 41,62%, respectivamente.

Derrotado mesmo e de forma acachapante foi o "coronel", o senhor Geraldo Simões (PT). Espero que o mesmo entenda - e para homens públicos a derrota é uma oportunidade de rever posições - que o Partido dos Trabalhadores se originou combatendo práticas autoritárias e que o mesmo não sobrevive se no seu interior se reproduz as mesmas táticas e estratégias ditatoriais oriundas em um tempo de terror, tempo este que o próprio PT, através da Comissão da Verdade instituída pelo governo da presidenta Dilma quer esclarecer e punir os algozes de sujeitos que lutavam pela restauração da democracia no país.

O tempo dos feudos acabou. Precisamos ampliar e aprofundar a democracia e isso deve se estender para a nossa prática social. Um partido político, independente da sua coloração, precisa ouvir a sua base e não insistir em algo que não representa o anseio da mesma. Ainda mais quando a insistência se funda em algo que foi testado e não foi aprovado em outro pleito, como foi o caso da candidata Juçara, nas eleições de 2008. Se naquele momento, o seu nome já não representava os anseios da base, o que mudou de lá para cá para a manutenção do seu nome? Absolutamente, nada!!! Por que, então, a insistência no mesmo? Fica a pergunta no ar.

Política não se faz com arrogância, mas, sim, cultivando a arte do possível, dialogando e ponderando sempre pelos interesses da classe que o partido representa, no caso do PT, os trabalhadores assalariados. Em política não existe espaço vazio e precisamos, nós todos que acreditamos no PT e não no PT do G, como o partido é conhecido pelos grapiúnas, tamanha a ingerência do senhor Geraldo Simões, aproveitar o momento e refundar o partido na cidade. Em nível nacional este movimento está sendo pensado, principalmente pela corrente O Trabalho e podemos, também, reproduzir este movimento no interior do PT grapiúna. O que nos impede?

O momento é mais do que de reflexão. É de estudo, de debate, de retomada da formação política e de quadros, de voltar para a base, para as comunidades, para a organização da classe trabalhadora, levantar a bandeira do socialismo, em síntese, politizar a sociedade e o debate sobre questões fundamentais para a cidade de Itabuna.

Mais do que RENASCER, precisamos REVIVER todas as utopias emancipatórias forjadas pela esquerda em diferentes momentos do desenvolvimento da humanidade. O tempo histórico é mais do que propício para esta empreitada. Aproveitemos as cinzas que restaram do último pleito e façamos delas a fênix que restaurará Itabuna.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

#foraNuzman

Neste final de semana, ainda de forma muito tímida, começou uma campanha no twitter para a saída do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o senhor Carlos Artur Nuzman.

A campanha foi motivada, entre outras coisas, pelo episódio envolvendo uma funcionária do Comitê Rio 2016, a senhora Renata Santiago, que copiou arquivos confidenciais do Comitê Londres 2012.

Ao comentar o fato, Nuzman omitiu um outro episódio, envolvendo um outro funcionário, desta feita da Co-Rio 2007, o senhor Rodrigo Hermida, que copiou dados da EKS.

Independente destes fatos, o que sei é que esta campanha, embora tardia, vem em bom momento, pois o esporte, em função dos megaeventos, vem tendo uma grande visibilidade, permitindo o necessário debate que transcende seus aspectos mais visíveis pelo cidadão comum.

Estão todos convidados para a campanha #foraNuzman. Participem.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Leia o manifesto do Romário

O ex-jogador de futebol e atual Deputado Federal, Romário, um dos mais atuantes no parlamento, escreveu um manifesto solicitando que o Governo Federal não recue no veto de recursos públicos a entidades que não promovem a alternância de poder.

Essa posição tinha sido assumida nos últimos dias pelo próprio Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, que estaria, pelo menos é isso que faz entender o manifesto do deputado, recuando dessa proposta e colocando-a como possibilidade para o ano de 2017.

Todos os que no comando das federações, confederações e outras, estão atualmente, parecem que querem continuar até as festas, as farras de todo o tipo, relacionadas aos megaeventos passarem pelo país. Só depois, então, estariam dispostos a mudarem a direção, nem que seja única e exclusivamente em relação ao nome de que senta na poltrona.

Veja, na íntegra, o manifesto do Deputado Romário, clicando aqui.

sábado, 22 de setembro de 2012

Até quando?

Até quando vamos ficar massageando o ego de intelectuais que pouco tem a dizer sobre as nossas problemáticas significativas, intelectuais que vivem de um certo estrelismo e de muito pouco conhecimento substantivo?

Até quando vamos ficar submetidos a falas recorrentes, teorias requentadas que não suportam um milímetro do rigor científico?

Até quando vamos ficar sem valorizar nossos intelectuais, pratas da casa, nossos vizinhos, silenciando-os no limite do possível?

Até quando vamos calar as vozes dissonantes e bajular os que nos desdenham?

Fico cada vez mais deprimido com determinadas falas que de tão vazias, não preenchem nem o tempo que ocupam os nossos ouvidos. São perfeitos "idiotas especializados", diria Pedro Demo. Resta saber, destas, qual é a porção maior que cabem aos mesmos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Personal Trainer Aquático

Depois da Hidrocapoeira, Hidroginástica e tantas outras apropriações indevidas (pois sem as necessárias conceituações que expliquem a real necessidade deste "campo de estudo") e mistificações ligadas à prática da atividade física por alguns "intelectuais" da educação física assanhados em criar novos nichos de mercado, por que não curso de PERSONAL TRAINER AQUÁTICO?

Aja criatividade!!!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Vida ativa.

Vida, louca vida. O jogo do bicho é proibido por lei. Trata-se de contravenção. Mas não precisamos de muito esforço para observar que as bancas "pululam", já mais do que informatizadas, pelas calçadas da Cidade do Salvador.

Existe uma forte campanha para diminuir acidentes no trânsito, que oneram o estado em milhões só no tratamento dos traumas causados pelos acidentes. Uma delas diz respeito a trafegar em baixa velocidade. Ao mesmo tempo, temos programas de automotores que ADORAM elencar a potência dos cavalos desta e daquela marca e como eles conseguem atingir a velocidade de 250 Km por hora em poucos segundos. Carro de fórmula 1? Não, carro de passeio mesmo. Imagina.

E as chamadas bebidas isotônicas? Não existe nada que comprove cientificamente os seus benefícios, ao contrário. Quanto mais estudos são realizados, e falo de estudos sérios, comprova-se que melhor mesmo para repor a "energia" é a simples e boa água. Mas sobram fabricantes para enfatizar suas virtudes e alimentar os vícios dos ávidos consumidores da "vida ativa", seja lá o que isso signifique.

Congresso Nordeste de Ciências do Esporte

A Universidade Estadual de Feira de Santana realizará, nos dias 19, 20 e 21 do mês corrente o IV Congresso Nordeste de Ciências do Esporte (CONECE). Para saber maiores informações e a programação do evento, clique nas imagens abaixo.




domingo, 16 de setembro de 2012

Jornalismo esgoto


ATÉ QUANDO A VEJA, SOB O MANTO DA CANTILENA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO, QUE PARA ELA É ESCREVER O QUE QUISER SEM SE IMPORTAR COM A VERDADE FACTUAL, VAI AGIR DESTA FORMA? QUAL A RESPONSABILIDADE QUE CAIRÁ SOBRE ELA PELA DISSEMINAÇÃO DE MENTIRAS E SUPOSIÇÕES TRAVESTIDAS DE JORNALISMO? ATÉ QUANDO SUPORTAREMOS ESTE JORNALISMO ESGOTO QUE PRATICA A VEJA?

sábado, 15 de setembro de 2012

A questão do voluntariado

Desde o dia em que a FIFA anunciou que também iria trabalhar com o voluntariado para a Copa de 2014, que este tema vem ganhando o lugar do debate. Uns são contra. Outros a favor. E outros tantos, nem contra e nem a favor, muito pelo contrário.

Brincadeira a parte, o fato é que este tema é realmente muito delicado. A ideia do trabalho voluntário para um evento que mexe com a casa dos bilhões, soa estranho para qualquer ouvido atento. No entanto, penso que devamos tomar cuidado com determinadas posturas a respeito do tema.

Refiro-me ao fato de não contextualizarmos as nossas opiniões discordantes. Dos que ouço falarem que são contra, parece generalizar sua contrariedade, como se todo o trabalho voluntário fosse algo absurdo, quando na verdade, não é bem assim. Senti esse clima quando na mesa sobre megaeventos esportivos que participei, no encontro nacional dos estudantes de educação física, falei que era a favor do voluntariado.


O voluntariado é uma bandeira cara a esquerda mundial. Cuba mesmo, um dos países referência desta bandeira, pratica o voluntariado no mundo inteiro, principalmente na área da saúde. Precisamos ter muito cuidado quando em alto e bom som, falamos que somos contra o trabalho voluntário. Não podemos jogar o bebê junto com a água do banho fora só porque, mais uma vez, o capital se apropriou de uma palavra cara a todos nós e a transformou em possibilidade de subtração de mais valor sobre as ações de homens e mulheres, que encaram esta empreitada com as maiores das boas intenções.

Devemos sim, condenar este tipo de voluntarismo que pratica a FIFA, que praticou o COI em Londres e praticará também aqui, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Este mesmo voluntarismo que alimenta ações do tipo "amigos da escola", da Rede Globo e tantas outras ações que a despeito de levarem a bandeira do exercício da cidadania, alimenta a sanha financeira de muitas corporações.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pesquisa IBOPE

Acaba de sair no jornal da TV BAHIA. Pelegrino (PT), vem crescendo nas pesquisas. ACM NETO (DEM), cai dois pontos. Um dado interessante fica em relação ao nível de rejeição dos dois candidatos, que está na casa dos 29%. 


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Paralímpico: haja bobagem e submissão

Leia abaixo o excelente texto do professor Paquele Cipro Netto sobre esta "novilíngua" que entrou sem pedir licença no nosso vocabulário nos últimos dias.

O texto foi publicado na Folha de São Paulo dia 06 de setembro de 2012.


O meu querido amigo, vizinho, filho e irmão Márcio Ribeiro me pergunta, com o seu falar italianado e com influência do linguajar da Casa Verde, bairro paulistano em que passou boa parte da vida: "Ma que história é essa de 'paralímpico'? Emburreci, emburrecemos todos?". E não foi só o Márcio. Vários leitores escreveram diretamente para o jornal ou para mim para pedir explicações.

Não, meu caro Márcio, não emburreceste. Nem tu nem os leitores que se manifestaram. E, é bom que se diga logo, a Folha não embarcou nessa canoa furadésima, furadissíssima.

Parece que o Comitê Paralímpico Brasileiro adotou a forma "paralímpico" para se aproximar da grafia do nome do comitê internacional ("paralympic"). Por sinal, o de Portugal também emprega essa aberração --o deles se chama "Comité Paralímpico de Portugal" (com acento agudo mesmo em "comité").

É bom lembrar que o "par(a)-" da legítima forma portuguesa "paraolímpico" vem do grego, em que, de acordo com o "Houaiss", tem o sentido de "junto; ao lado de; ao longo de; para além de". Na nossa língua, ainda de acordo com o "Houaiss", esse prefixo ocorre com o sentido de "proximidade" ("paratireoide", "parágrafo"), de "oposição" ("paradoxo"), de "para além de" ("parapsicologia"), de "distúrbio" ("paraplegia", "paralexia") ou de "semelhança" ("parastêmone"). Os jogos são paraolímpicos porque são disputados à semelhança dos olímpicos.

Talvez seja desnecessário lembrar que esse "par(a)-" nada tem que ver com o "para" de "paraquedas" ou "para-raios", que é do verbo "parar" (não esqueçamos que o infame "Des/Acordo Ortográfico" eliminou o acento agudo da forma verbal "para").

Pois bem. A formação de "paraolímpico" é semelhante à de termos como "gastroenterologista", "gastroenterite", "hidroelétrico/a", "socioeconômico", das quais existem formas variantes, em que se suprime a vogal/fonema final do primeiro elemento (mas nunca a vogal/fonema inicial do segundo elemento): "gastrenterologia", "gastrenterite", "hidrelétrico/a", "socieconômico". O uso não registra preferência por um determinado tipo de processo: se tomarmos a dupla "hidroelétrico/hidrelétrico", por exemplo, veremos que a mais usada sem dúvida é a segunda; se tomarmos "socioeconômico/socieconômico", veremos que a vitória é da primeira.

O fato é que em português poderíamos perfeitamente ter também a forma "parolímpico", mas nunca "paralímpico", que, pelo jeito, não passa de macaquice, explicitação do invencível complexo de vira-lata (como dizia o grande Nélson Rodrigues). Pelo que sei, em inglês... Bem, dane-se o inglês. Danem-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a língua inglesa.

Alta fonte de uma das nossas mais importantes emissoras de rádio me disse que o Comitê Paralímpico Brasileiro fez pressão para que a emissora adotasse a bobagem, digo, a forma americanoide, anglicoide ou seja lá o que for. A farsa é tão grande que, em algumas emissoras de rádio e de TV, os repórteres (que seguem ordens superiores) se esforçam para pronunciar a aberração, mas os atletas paraolímpicos logo se encarregam de pôr as coisas nos devidos lugares, já que, quando entrevistados, dão de ombros para a bobagem recém-pronunciada pelo entrevistador e dizem "paraolímpico", "paraolimpíada/s".

Eu gostaria também de trocar duas palavras sobre "brasuca/brazuca" e sobre o barulho causado pelo "porque" da presidente Dilma, mas o espaço acabou. Trato disso na semana que vem.

É isso.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Megaeventos esportivo

Muito rica a mesa de reflexão e debate sobre MEGAEVENTOS X VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: LEGADO SOCIAL PARA QUEM? realizada hoje, na Uefs Feira de Santana, como parte da programação do XXXIII Encontro Nacional dos Estudantes de Educação Física. Subsídios teóricos e experiências práticas foram evidenciados no limite que suporta uma mesa de de 2 horas e meia para servir de ponto de apoio para o enfrentamento do capital sobre, entre outras coisas, a cultura corporal, em especial, o esporte. Parabéns ao Movimento Estudantil da Educação Física e a Executiva Nacional dos Estudantes de Educação Física pela politização do debate em torno do tema. Como vocês dizem: "se o presente é de luta, o futuro nos pertence!!!".

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Brazucas: democracia é isso

Acabo de ser informado que a Sociedade Civil (seja lá o que esse "balaio de gato" signifique), está excluída da discussão sobre o PNBL (Programa Nacional de Banda Larga 2), o que interessa muito aos conglomerados da mídia nativa, que deseja uma sociedade brasileira de 20 milhões de habitantes e para isso divulga o seu pensamento único, tendo vários cidadãos bem intencionados mas, muito mal informados, como caixa de ressonância dos seus interesses. O Facebook está cheio desses. Mas, por outro lado, parece exagero dizer que a Sociedade Civil está fora do debate sobre o rumo que queremos para as comunicações e outros temas fundamentais para o desenvolvimento do nosso país. Considero essa assertiva um grande exagero, coisa de gente problemática, que ver rusga em tudo. Afinal de contas, todos nós não fomos consultados para escolher o nome da bola para a Copa 2014? Ora, o que vocês querem mais?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Paralimpíadas: a gente não vê muito por aí

Transcrição, via Facebook, de uma reflexão sobre a transmissão das Paralimpíadas, feita pelo professor Rafael Mota.

"Pra que merda a record requiriu os direitos de imagens das Olimpíadas e Paralimpíadas se não faz uma coberturar desejada desta última. Saibam que nossos Atletas Paralímpicos estão com desempenho inenarravelmente superior aos atletas Olímpicos. Os atlestas do Atletismo, o Judô e a Natação estão dando um show e acumulando medalhas, fiquem sabendo que as Paralimpíadas boa audiência afinal temos no Brasil aproximadamente 45 milhões de pessoas com deficiências, além de profissionais, familiares e amigos que acompanhariam com atenção todos os detalhes, afinal se o brasileiro esta acostumado a ganhar, gostariam e muito de ver cada VITÓRIA desses SUPER-ATLETAS, que não tem incentivo governamental satisfatório, poucos patrocínios e nenhuma ou quase nenhuma cobertura midiática. O Sportv que que tinha 4 canais a disposição durante as Olimpíadas, hoje divide a programação em que metade do dia fica no Sportv 2 e outra metade no Sportv 3! Quando teremos uma programação televisiva que respeite a equidade??

Esta é minha indignação!!"

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Doutor Reiner Hildebrandt-Stramann.

No dia 27 de agosto último, quinta-feira, na sala dos Conselhos Superiores da Reitoria , na Universidade Federal da Bahia, foi realizada a solenidade de Outorga do Título de Professor Honorário ao Doutor Reiner Hildebrandt-Stramann, da Technische Universitat Braunschweig, Alemanha.

Professor Dr. Reiner Hildebrandt-Stramann discursando

O referido professor é referência mundial nos estudos da chamada "Escola Móvel", que considera o movimentar-se tanto como um espaço de experiência e de vida, quanto um princípio geral na organização e configuração da escola.

Segundo a professora Drª Celi Taffarel, a concessão do título está alicerçada em argumentos que demonstram a justeza desta concessão, a saber:

1.                     Apresenta uma formação acadêmica de altíssimo grau, tendo obtido seu títulos em profícuosestudos realizados nas universidades da Alemanha;

2.                     Sua produção acadêmica é vastíssima, mais de 20 livros e trezentos artigos) destacando-se daí inúmeros textos em periódicos e os livros publicados em língua portuguesa, tornando sua produção facilmente acessível e de referencia para os exames econcursos realizados no Brasil.

3.                     Sua atuação profissional distingue-se na Alemanha, Professor Titular na Universidade deBraunschweig, Espanha e Portugal, mas, em especial, distingue-se no Brasil onde vem atuando nos últimos 28 anos, na condição de professor Visitante da UFSM e da UFPE, atuação junto a Secretarias Municipais e Estaduais e, Entidades Científicas brasileiras, contribuindo na formação inicial e continuada de professores epesquisadores da área da educação, educação física e ciências do esporte.

4.                     Atuação junto a universidades Brasileiras distinguindo-se os trabalhos na  Universidade Federal de Santa Maria (1983-1986; 2000); Universidade Federal de Pernambuco  (1986; 1987; 1988); Universidade Federal de Campinas (1989); Universidade Estadual de Maringá (1989; 1990; 2004, 2010);Universidade Federal de Alagoas (1989; 2004 2010 ate 2011); Universidade Federal de Santa Catarina (2004); Universidade Federal de Uberlândia (2008); Universidade Federal de Bahia (2005 ate 2011); Universidade Federal de Rio Grande de Norte (2009, 2010); Universidade Federal de Sergipe (2009 ate 2011).

Professora Drª Celi Taffarel apresentando o homenageado

5.                     Atuação na construção de Redes de Intercâmbio de professores, pesquisadores, grupos depesquisa e instituições públicas, o que repercute no fortalecimento do desenvolvimento cientifico da área.

6.                     Atuação junto ao DAAD, com projetos de assessoria a reformulações curriculares dos cursos de educação física e estruturação de cursos de pós—graduação, a exemplo do trabalho junto a UFBA, UFS, UFAL.

7.                     Como professor Visitante na UFSM e UFPE destacou-se orientando na formação de mestres e doutores que estão atuando em instituições de ensino superior no Brasil.

8.                     Atuação junto a projetos em escolas públicas e movimentos sociais, desenvolvidos em parceria com colegas brasileiros, como, por exemplo, o trabalho na rede pública na Bahia e em Pernambuco articulado Escola, Movimentos, Universidade e Secretaria deEducação.

9.                     Colaboração na construção de referencias curriculares básicas para a rede pública de ensino, na área de educação física, a exemplo dos trabalhos em Pernambuco e na Bahia.

10.                  Contribuição teórica relevante e impar, no que diz respeito à Teoria Pedagógica, em especial com as concepções pedagógicas que transcendem a área da Educação Física e Ciência do Esporte e, configuram alterações relevantes a exemplo da Concepção de Aulas Abertas a Experiências e a Escola Móvel.

Professor Dr. Reiner Hildebrandt-Stramann com o seu TÍTULO HONORÁRIO

11.                  Trabalho desenvolvido na UFBA com assessoria curricular, orientações de projetos de investigação, intercâmbio acadêmico, consolidação de Grupo de Pesquisa, e rede de pesquisadores, publicação de livros em conjunto, participação de eventoscientíficos, atividades e produções estas que repercutem no desenvolvimento da área a partir da UFBA.

O Blog Esporte em Rede parabeniza a Universidade Federal da Bahia e a Faculdade de Educação pela iniciativa.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Bolsa atleta e paraolimpíadas

Além do Bolsa-Atleta, que é o maior programa do mundo de patrocínio direto ao atleta, o Ministério do Esporte firmou diversos convênios e financiou a pré-temporada de parte dos atletas brasileiros em Manchester. 

“O investimento grande para as Paralimpíadas é uma forma de o governo reconhecer o valor desses atletas, que superam dificuldade na vida para se tornarem referência no esporte”, disse Rebelo.

“Nós temos promovido investimentos diretos ao atleta. A perspectiva é de um investimento ainda maior para que não só um maior número de atletas pratiquem o esporte, mas também para que os de alto rendimento possam obter resultados cada vez melhores”, completou.

Sobre a expectativa de medalhas, o ministro espera que o Brasil tenha ainda mais sucesso que teve nos Jogos Paralímpicos de Pequim 2008, quando terminou a competição na nona posição no quadro de medalhas. “Em Pequim nós ficamos em uma boa posição e esperamos ficar novamente entre dos dez”, comentou. Rebelo ainda fez questão de elogiar os brasileiros que estão em Londres. “O esforço dos atletas, dos treinadores e do CPB merece nosso reconhecimento e toda a atenção e investimento”, afirmou.

Pré-temporada em Manchester

Parte da delegação brasileira teve oportunidade de fazer treinos de ambientação em uma espécie de pré-temporada na cidade de Manchester, financiada pelo Ministério do Esporte.

Segundo o secretário Nacional de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, é a primeira vez que uma delegação paralímpica realiza esse tipo de preparação. “Inauguramos em 2010 uma nova forma de apoio para a preparação dos atletas brasileiros para os campeonatos mundiais, Jogos Parapan-americanos e Paralímpicos”, explicou. 

“E, por meio de uma parceria com o CPB, a delegação teve a oportunidade de treinar na Inglaterra como parte da preparação do Brasil. Acreditamos que esse tipo de iniciativa irá impactar nos resultados dos nossos atletas”, disse o secretário ressaltando que todo o cuidado foi tomado, como a disponibilização de cardápio brasileiro.

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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Nova Fonte Nova

No que antes era piscina, resta o seco do cimento
No que antes era uma escola pública, resta colunas e concretos
No que antes era Balbininho, nem ninho, nem passarinho
No que antes era pista de atletismo, resta o resto e o cinismo

Nova Fonte Nova
Ergue-se sobre os mortos
Que o estado ignora
Templo do futebol? Apenas?
Não, serás também uma Arena


Arena de disputas vãs
Multiuso de clamores em uníssonos
No grito de gol
Efêmeras alegrias
Catarse das agonias

Nova Fonte Nova
Choramos a dor da ilusão
És o circo e a Romaria
Está faltando o pão



domingo, 26 de agosto de 2012

Digamos sim, à soberania Popular

Eles disseram SIM a João Henrique. Eles e todos os que votaram no atual prefeito. Qual é o problema? Nenhum, muito embora ambos queiram passar isso em suas propagandas. Uma manobra ideológica de causa e efeito. A "performance" do João Henrique (ou a falta dela) frente à prefeitura do Salvador não se deu exclusivamente em função deste ou daquele "SIM", mas de um conjunto de fatores complexos que tem relação com as lutas de classes e frações de classes que se expressam na dinâmica contraditória do poder institucionalizado. Pensar a política com mais densidade é tarefa difícil, mas necessária, para que não fiquemos com argumentos maniqueístas e moralistas do tipo este é bom, este é ruim. Política é correlação de forças e exige organização das massas. Nós precisamos lutar pela SOBERANIA POPULAR, historicamente negada. A palavra de ordem tem que ser "TODO PODER AO POVO"!!!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Paraolimpíadas

Daqui a sete dias, precisamente em 29 de agosto a 9 de setembro do corrente ano, ocorrerão as Paraolimpíadas de Londres.

Alguém aí tá assistindo, lendo e/ou ouvindo alguma coisa a respeito? Será que teremos cobertura de algum canal de televisão, tal como ocorreu com as Olimpíadas? Se não, o que isso realmente significa?




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Voluntariado 2

Eu gostaria muito de saber se o senhor Bebeto e o seu parceiro do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, o senhor Ronaldo, estão trabalhando de graça para promover este evento e a Copa das Confederações.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Criança esperança


O Brasil da copa do mundo, das olimpíadas, corrupção e mais de 20 anos de Criança esperança! Foto de Oliveiro Pluviano mostra meninos de rua numa manhã de inverno tentando se aquecer nos respiradores com ar quente do metrô em São Paulo.


Garry Kasparov

O grande jogador de xadrez de todos os tempos, ex-campeão mundial da modalidade, o russo Garry Kasparov, deixou a prisão russa ontem, após prestar depoimento.

A luta dele, que se situa atualmente como um dos líderes da oposição a Vladimir Putin, agora não é mais contra os peões do tabuleiro, mas, sim, contra a política que vem sendo implementada pelo presidente da nação.

domingo, 19 de agosto de 2012

Esporte e escola

A participação do Brasil na última Olimpíada, em Londres, reforçou a defesa da importância do esporte trabalhado na escola como um elemento central para o sucesso do país em 2016, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

A ideia central é massificar a prática esportiva no interior das escolas, principalmente as públicas, com o intuito de identificar potenciais atletas olímpicos. De repente, todos os dirigentes esportivos do país identificaram que o problema do Brasil, em relação ao esporte olímpico, está na escola.

Com isso, temos um debate rico pela frente. Como atender a esta expectativa, sem perder de vista tudo o que já se acumulou teórica e praticamente no campo da organização do trabalho pedagógico do professor de educação física frente à cultura corporal? Como atender esta expectativa sem fazer da escola um clube de celeiros de atletas?  Como atender a esta expectativa sem comprometer a função social da escola? Por fim...precisamos mesmo atender a esta expectativa?

sábado, 18 de agosto de 2012

Amém


Milton Neves encontrou a razão pela qual o Vitória Esporte Clube está na liderança. Segundo ele, isso se deve pela campanha que o clube fez para incentivar a doação de sangue. Enfaticamente ele disse: “deus gosta disso, por isso é que vocês estão na liderança”.

E o pior é que ele falou sério!!!

Pronto, está dada a fórmula para que os distintos clubes de futebol brasileiro e outros de outras modalidades tenham sucesso: façam campanhas do agrado do senhor deus.

Amém!

Copa e Educação...qual a prioridade?


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Voluntariado


Na transmissão da abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, de forma insistente, o locutor procurava ressaltar a condição de voluntário dos participantes que contracenavam nos palcos. Entre uma e outra performance, ele ressaltava: "o incrível é que todos os participantes são voluntários".

Isso também foi falado na transmissão e durante o encerramento do evento. Há quem diga que até a atitude do voluntariado já faz parte de uma tal de "cultura olímpica".

Bem, aproveitando esta "cultura" a FIFA vem reiterando o seu chamado, solicitando as inscrições dos tais voluntários para trabalharem na Copa de 2014, o mais rápido possível.

Pois é. Em tempo de "virada linguística", exploração da mão de obra vira "cultura olímpica". Bilhões e bilhões de reais circulam no evento e nadica de nada para os "barnabés".

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As veias abertas do esporte mercantilizado no Brasil

O texto abaixo é de autoria da professora, doutora, Celi Taffarel
Universidade Federal da Bahia

Os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres/Inglaterra foram abertos com um espetáculo assistido por mais de umbilhão de pessoas, do contingente de 7 bilhões que compõe nosso planeta. Assistimos a um espetáculo concebido pelo cineasta Danny Boile que, valendo-se da linha da história, representou feitos dos ingleses colonizadores, permeando a obra com a poética de Shakespeare até as canções dos Beatles.

Destaco dois elementos desta linha da história considerada pelo cineasta britânico Boile que não são imediatamente observados. Um diz respeito as relações comerciais criminosas estabelecidas nos últimos 500 anos que abriram as veias de muitos continentes e os fizeram sangrar mortalmente. O que lhes tira hoje a possibilidade de conquistar medalhas olímpicas.  É o caso do continente Africano e Latino Americano, condenados, nas relações internacionais do trabalho, sob os auspícios do capitalismo, tanto em sua fase emergente, colonialista, escravista, quanto na sua fase superior imperialista, a servirem como exportadores de materiais primas e consumidores de subprodutos da indústria estrangeira. Com o agravante do escravismo dos povos africanos, da extinção dos povos indígenas na América Latina e a dominação de nações por tropas militares como ocorre, ainda hoje, na América Central com o Haiti.

O outro elemento a destacar é a subsunção atual, total e completa, do esporte a lógica do capital e sua sustentação por devastadoras empresas multinacionais, responsáveis por desastres ecológicos que ameaçam a vida em nosso planeta e responsáveis pelo sistema de exploração dos trabalhadores, exploração da natureza e destruição de culturas e nações.

Estiveram por traz dos Jogos Olímpicos de Londres a gigante do ramo da química no mundo, que provocou o desastre de Bhopal na Índia, a empresa DOW e a BP, petrolífica inglesa responsável pelo terrível vazamento do Golfo do México em 2010, entre outras empresas que exploram, tanto o trabalho  infantil, quanto o trabalho de mulheres, jovens e idosos, em muitas partes do planeta. A esta lógica está submetido o esporte e os esportistas, dos atletas que dedicam sua vida, com rigor e disciplina nos treinamentos esportivos, aos Comitês Olímpicos que, em última instância, servem para manter taxas de lucros das empresas multinacionais de vários ramos, sejam eles midiáticos, alimentício, calçadista, hoteleiro, turístico entre outros.

Que faremos nós no Brasil com o legado Olímpico deixado pelos ingleses? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores em espetáculos midiáticos? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores em números de medalhas, em recordes? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores nos negócios? Ou,vamos traçar a linha da história, mostrar nossas veias abertas (Eduardo Galeano. As veias Abertas da América Latina. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979)? Mostrar os séculos de violência e dor a que estamos submetidos  (Luis Suárez Salazar. Madre América. Un siglo de violência y dolor (1898-1998). Instituto Cubano del libro. Editorial de Ciências Sociales. La Habana, Cuba, 2006.) Mostrar a violência dos imperialista que usurpam a natureza,  os sonhos, o futuro da nação? Vamos nestes próximos quatro anos priorizar a competição exacerbada, que é uma das dimensões do esporte e educar nossa população nesta perspectiva, e abdicar do caráter formativo, educativo, lúdico do esporte? Vamos priorizar o esporte espetáculo para o público ou o esporte do público com o público? 

O esporte é fruto de relações sociais de produção da vida, em suas distintas fases de desenvolvimento. Para elevar o padrão cultural esportivo de uma nação há que se educar seu povo, suas classes sociais, em especial a classe trabalhadora a quem tem sido negado o acesso a ciência, a tecnologia, a educação, as artes, ao esporte.

O esporte é um fenômeno decorrente de relações sociais, é culturalmente elaborado, historicamente acumulado e, economicamente negado. Este processo de negação do esporte enquanto patrimônio da humanidade atinge, sim, dimensões objetivas e subjetivas da condição humana. Condição humana que é historicamente determinada e que vai expressar se somos meros observadores de espetáculos esportivos ou somos construtores da cultura esportiva de nosso pais. Aqui na UFBA para cumprirmos com a função social de educar a população na linha do esporte educativo, lúdico como obra de sujeitos históricos, temos que criar o Instituto de Ciências do Esporte e construir o Complexo Esportivo Educacional da UFBA. Esta faltando determinação politica dos órgãos superiores da UFBA para isto acontecer.

Continuemos.....