domingo, 3 de outubro de 2010

Eleição e política: pela consulta popular também na esfera esportiva


Durante os últimos três meses, foram muitas as propagandas falando sobre a importância da eleição e do voto do povo. Muitas insistiam que com o voto era possível mudar o rumo do país e falavam das maravilhas de uma certa urna eletrônica. O destino da nação estava na ponta dos nossos dedos e a esperança de dias melhores nas teclas da mágica máquina. Talvez por isso a tecla de confirmação do voto tenha a cor verde. A esperança é a última que morre, diz o ditado.

Desde o fim da ditadura militar, esta será a sexta vez em que o povo, alçado agora como cidadão, se dirigirá às diferentes zonas eleitorais nos 5.565 municípios exitentes no país. E foi em uma dessas zonas, a sexta, no bairro de brotas, cidade do salvador, bahia, esperando em uma fila a minha vez de justificar o voto por estar longe do meu domicílio eleitoral(Itabuna), que a reflexão tema desta postagem brotou e que diz respeito sobre a necessidade do povo brasileiro participar não tão somente das eleições, mas, sim, da política!

Norberto Bobbio, no seu dicionário de política, nos ensina que o termo política é "derivado do adjetivo pólis (politikós), que significa tudo o que se refere à cidade, o que é urbano, civil, público e até mesmo sociável e social, o termo política se expandiu graças à influência da grande obra de Aristóteles, intitulada Política, que deve ser considerada como o primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado, e sobre as várias formas de governo."

Portanto, as propagandas que encheram as diferentes mídias deveriam deixar claro de que a política, essencialmente, não se resume ao voto em um número específico de um candidato ou candidata e nem se presta para, apenas, participar de um evento cívico como a eleição, mas que ela é, sim, o "espírito" que move o "corpo social", e que é a partir e através dela que se trava o embate, as lutas de classes sobre a direção que queremos dar às questões referentes a pólis, a cidade e tudo o que nela ocorre. E esta é uma dinâmica cotidiana e não apenas e tão somente de tempos em tempos.

Podemos, como muitos fazem, até não nos preocuparmos com a política, mas, com toda a certeza, a política nunca, jamais, deixará de se preocupar conosco e com as coisas que fazem parte da vida da cidade, dentre elas, aquela que nos interessa de maneira especial: o esporte, que no século passado, tanto nos governos de direita, quanto nos de esquerda, se transformou em um objeto muito apreciado para a divulgação dos feitos políticos, economômicos e sociais dos seus regimes e que no século atual, se transforma em objeto capaz de mudar, estruturalmente, a cara da cidade, da pólis, se transformando em receita e remédio para todos os problemas da sociedade.

No embate que se trava entre modelos de desenvolvimento esportivo, no atual quadro de correlação de forças, seria muito importante pautar a necessidade da consulta popular para a definição das políticas relacionadas ao esporte. Penso que estaríamos desenvolvendo a democracia de cunho participativo que, juntamente com a representativa, de caráter restritivo, que só se lembra do povo e o transforma em cidadão apenas e tão somente em épocas de eleições, potencializaria uma dinâmica política mais ampla.

Poderíamos ter consultado a população sobre a necessidade da implosão da Fonte Nova, da construção de um novo estádio de futebol como o pituaçu, da derrubada do balbininho, da alocação de recursos públicos para desenvolvimento de ações que beneficiam setores privados do esporte, entre outros.

Poderíamos começar, aqui e agora, consultando o povo sobre a necessidade de eleição direta para a presidência e conselho consultivo de um clube esportivo. O mesmo seria feito nas ligas, nas federações, confederações e comitês. Penso que procedendo desta forma, estaríamos exercitando, aprofundando e ampliando o sentido e significado da politikós aristotélica, pois desta ação participaria toda a população.

Vamos observar se desta eleição sairão lutadores do povo efetivamente comprometido com o processo de democratização ampla da sociedade em todas as esferas que a constitue e com a politização do debate em torno dos fenômenos sociais fundamentais da contemporaneidade: o esporte entre eles.

3 comentários:

mecinho disse...

Acho o ato de votar muito importante por isso não deixo ir pois se não concordo com a situação atual,diantes dos principais governos estadual e municipal vejo poucos investimentos nos esportes e atividades ludicas,um exemplo é as escolas aberta no final de semana onde é possivel verificar coordenadores e responsavéis embolsando dinheiro público e poucas atividades voltados para as classes populares.
Tenho a certeza que nucleos esportivos em diversos bairros carentes diminuirias os índices de violência e criminalidade.
Emerson Badaró.
Abraços

Elson disse...

Pois é Welington!
Em relação à consulta popular, no material do Lino e do Mascarenhas que li estes dias- inclusive você me emprestou (já devolvo esta semana)- ambos apontam as conferências como um ponto positivo do Governo Lula. Nunca antes na história deste país alguns grupos forma escutados no que diz respeito à políticas de esporte (dentre outras). Em uma conclusão mais apressada poderíamos argumentar que o povo esta decidindo.
Problema é que no mesmo material o Mascarenhas, então presidente do CBCE, relata que era membro do Conselho Nacional do Esporte (junto com Confederações, CONFEF e outros) mas que pouco controle tinha sobre o Ministério. Relatava também que das duas conferências que participou, as decisões não foram colocadas em prática.
O que me leva a suspeitar que o risco que corremos, assim como você já falou, é de estarmos apenas legitimando o que já está decidido.
Para aumentar minhas suspeitas, na III Conferência, a idéia era decidir o plano decenal do esporte. Fiz questão de falar na abertura da conferência em Feira de Santana que "como me chamam para decidir o plano decenal quando aquilo, do ponto de vista do financiamento, que de mais importante acontecerá - Copa e Olimpíadas- já esta decidido?"
Sem negar a positividade das conferências... ainda temos que avançar muito se queremos exercer o poder da maioria, que é o que Aristóteles explica sobre Democracia em A Política (detalhe que ele era contra esta forma).
Abraços

Anônimo disse...

Como é que é!!! Deixar o zé povinho decidir as coisas? Esse povo que com quaquer coisa muda de opinião como troca de roupa? Faça o favor, professor!!!