domingo, 19 de setembro de 2010

Abertura da Copa 2014: e vai rolar a festa!!!

A abertura da Copa do Mundo de 2014 está em aberto. Há quem acredite que pode ser em Salvador, a cidade de um Estado que até bem pouco tempo era ignorada de forma veemente pelo dono do futebol brasileiro, o senhor Ricardo Teixeira, magoado pelas vaias lançadas pela torcida baiana quando da atuação da seleção brasileira de Lazaroni quando jogou em Salvador, pela Copa América em 1989, que excluiu do seu elenco o jogador Charles, protagonista do título brasileiro do Esporte Clube Bahia no ano anterior.


Mas isso tem muito tempo, dirão alguns. A estes lembro que vigança é um prato que se come frio e o senhor Teixeira sabe e pratica muito bem isso. Vinte anos separaram o jogo das vaias do último jogo da seleção em Pituaçu, contra o Chile, ano passado. Aliás, somente o sentimento de vigança pode explicar o fato da abertura da Copa não ser em São Paulo, cidade sede das elites retrógradas do Brasil, salvo raríssimas exceções.

Para as não excessões, é querer demais nós, nordestinos, abrirmos um dos eventos mais importantes, senão o mais, em termos de imagem, e deixar para trás o bastião da política do café com leite. Já não basta o presidente da república? Questionam os seus parcos neurônios.

A abertura da Copa do Mundo em Salvador é tão provável, quanto a transformação, do reino vegetal para o reino animal, de uma planta carnívora.

Não é o que pensa o senhor Ney Campello, secretário extraordinário para assuntos da Copa (Secopa). Movido pelo ônus e bônus do cargo que ocupa e por um louvável sentimento de otimismo que beira a ingenuidade e com muita fé nos orixás, o mesmo entregou ao Teixeira, que além de presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acumula o cargo de presidente do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014, um documento formalizando o pedido da capital baiana para sediar o evento da abertura da Copa do Mundo.

No documento, além da demonstração da infraestrutura e da história da cidade, continha cartas de apoio de cidades dos estados do Norte e do Nordeste do Brasil. Se juntará ao documento, como mais um esforço de sensibilização ao sensível presidente do COL, um grande evento público, envolvendo o povo (há, o povo), os artistas, as autoridades e todos àqueles que de uma forma ou de outra, possam transformar este sonho em realidade.

Já não bastasse o montante de dinheiro público que será direcionado para as empreiteiras na construção de uma Nova Fonte Nova, quando a antiga poderia muito bem ser reformada com custos menores, segundo 17 entidades dos setores de arquitetura e urbanismo, entre outros, mais dinheiro público agora será necessário para pagar a farra e atender aos anseios (seriam devaneios?) de uns poucos.

3 comentários:

deraldo disse...

Existem varias alternativas para tratarmos este assunto.
Poderemos ficar remoendo ressentimentos com foco em comportamentos de pessoas específicas e continuar falando em vingancinhas contra desafetos. Como também poderemos debater sobre legados a serem deixados pelos investimentos demandados pela preparação da Fonte Nova tendo por foco o aproveitamento deste espaço de lazer por parte da população após a copa.

No que se refere a aplicação dos recursos publicos (que é arrecadado na prática da população) através da cobrança de impostos sobre os produtos vendidos e/ou serviços prestados pelas empresas, não podemos ignorar as declaradas preferências das massas.
Criticas por parte de intelectuais ocorrem a seculos. Porem atenções dos governantes para mudanças de planos gestores somente ocorrem com fortes manisfestações populares.
Acompanhei os trabalhos de demolição da Fonte Nova e não vi nenhuma demonstração articulada de protesto sequer por uma dezena de pessoas. Entretanto ficou claro na grande audiência que foi ver "o espetaculo" o desejo das massas de ter um estadio mais bonito, mais seguro, mais novo que ampliasse o prazer de frequentá-lo.
A bem da verdade que lê a história da humanidade, pode verificar que independentemente da diversidade cultural entre os povos a maioria sempre preferiu os circos a outras casas.
Outro equivoco é evocar os ganhos das construtoras em projetos deste tipo. Caso se decidisse falar uma grande escola ou um hospital no lugar quem seria os construtores?
Mestre de obras e pedreiros selecionados democraticamente entre a população? Tenha paciência!!!

Welington disse...

Olá, Deraldo. Não sei se vc realmente leu a minha postagem. Fiquei em dúvida já no primeiro parágrafo do seu comentário. Em momento algum falo em vingança (ou vingancinha) e não coloco em questão o legado. Ao contrário. Apena mudo o foco, pois a história demonstra que os legados são dos "donos dos anéis" e não da "massa".

Sobre recursos públicos ser arrecadado da prática da população. Não seria dos impostos pagos pela população? Quem paga imposto neste país? Veja a Lili Marinho, coitada, retada com a taxação das grandes fortunas. Chamou Dilma para o chá das cinco e a mesma tratou de acalmar as mamíferas de luxo do jardim botânico. Enquanto a nós, trabalhadores, população que realmente paga o imposto, ficamos com as promessas do tal "legado", coisa que poderia ser feita sem necessidade de Copa do Mundo ou coisa que o valha. Os fatos demonstram isso.

Nada mais, nada menos do que 17 entidades (até onde eu sei) se posicionaram contrária ao projeto da demolição. Enviaram documentos e assinaturas para a não implosão da Fonte Nova e sim, sua reforma, coisa que, aliás, registre-se, era a ideia inicial. Mas a política se desenvolve pelas correlações de força. Venceu o outro lado.

Tenha paciência, Deraldo. Até o mundo mineral sabe a relação das construtoras com o Estado. Por que será que somente a Odebrecht, a OAS ganham as licitações em vários Estados. Se tiver dúvida em relação a resposta, consulte os seus botões, eles podem te ajudar na mesma. Não se trata de que obra vai ser feita, se escola, hospital, ou estádio de futebol, mas a relação entre os pares, entre o projeto e a execução, o início e o final da obra. Olhemos o metrô.

Sobre a massa preferir o circo a outras casas, devo ter faltado a esta aula de História. Já ouvir falar da política do PÃO e CIRCO, mas não porque a MASSA preferia o circo ao invés do PÃO, mas porque os donos dos anéis tinha nessa política a possibilidade de submeter a massa aos seus desígnios. Não conseguiram, ROMA ruiu. Não seria este o caso, guardadas as devidas mediações, hoje? Estamos querendo iludir o povo com MEGAEVENTOS. Não irão conseguir. A realidade falará mais alto e penderá para as ideias substantivas engendradas na relação contraditória entre o prometido e o realmente materializado.

Sigamos no debate.

Elson Moura disse...

Olá todas e todos!!
Vou "concordar" com o Deraldo.
Quando este levanta a possibilidade de na construção de um hospital os ganhos ficarem TAMBÉM para as construtoras nos alertou (mesmo sem querer) que além do esporte, também a saúde é vítima da mercadorização da vida.
Te pergunto Deraldo; Tens problema de viver em um mundo onde o ser humano que faz(to dizendo do que faz mesmo) um hospital usufrua livremente deste? Ou você não vê sentido na musica do Zé Ramalho: “tá vendo aquele edifício moço, eu ajudei a levantar... e lá não posso morar”?
Porque eu estou doido para este dia chegar. Mais que isso, estou me organizando para construir este dia. Estamos no aguardo das condições objetivas. Quanto aos benefícios da Copa, em postagens antigas foram colocados dados objetivos (independente das nossas vontades) que retratam perfeitamente quem se beneficiará HEGEMONICAMENTE destas construções. Só não enxergar quem prefere aceitar a política do pão e circo. E por falar nesta política, é preciso desnaturalizar a vontade do povo. Consulte um autor do século XIX chamado carinhosamente de Carlinhos Marx; lê ele pode te ajudar a entender que as idéias dominantes de cada época são as idéias do poder dominante.
Abraços e força na luta por um mundo onde esporte, saúde educação etc. não sejam mercadoria nas mãos de um punhado de burgueses.