domingo, 30 de maio de 2010

A Fonte Nova é patrimônio histórico

A FIFA exige, para que um país sedie jogos da Copa do Mundo de Futebol que os mesmos realizem modificações estruturais nos estádios existentes de maneira que os mesmos se adéqüem ao seu modelo ou construam novos estádios. Tal como um país imperialista, exige que governos autônomos, emancipados e democráticos se submetam ao seu tacanho. Ou você se ajusta e obedece ao que dita a FIFA, ou estarás impossibilitado de realizar a Copa do Mundo de Futebol.

Se o estádio comporta uma escola pública, desconsidere. Não pode. Estádio é estádio e deve servir ao monopólio do futebol. Que se transfiram os alunos e alunas para outras escolas. Se em torno do campo de futebol tiver uma pista de atletismo, retire-a. Futebol é futebol, pista de atletismo é pista de atletismo. Todo o entorno tem que girar em função do futebol, o deus supremo das modalidades esportivas.

Piscina? O estádio tem uma piscina que serve à comunidade? Pois que os cidadãos vá se banhar, se deslocar no meio líquido, hidroginasticar em outro lugar. Que mordomia é essa? Futebol é futebol e se não combina com pista de atletismo, muito menos com piscina. Ainda mais se ao lado do estádio tem um dique de águas límpidas onde até se pesca perto dos Orixás. Pois que se banhem por lá, ora bolas.

Onde já se viu aproveitar o espaço urbano aonde vai se construir um estádio de futebol agregando junto ao mesmo outras opções que sirvam a todos, todos os dias da semana? Essa concepção já estar deveras atrasada. Moderno mesmo é construir arenas só para futebol e que funcionem, no máximo, uma vez por semana, eis o que pensam os imperadores da FIFA.

Nenhuma consulta aos cidadãos. Nenhuma consulta popular. A democracia é o governo do povo, para o povo e pelo povo. Pois sim. Quem quiser que conte outra. Essa não cola mais. Os governos eleitos pelo povo, os políticos eleitos pelo povo, se tornam automaticamente autônomos ao se sentarem nas poltronas acolchoadas dos seus parlamentos e gabinetes e decidem tudo como querem e bem entendem. E tudo, pasmem...em nome do povo!

Decidiram que vão demolir a Fonte Nova e construir uma Nova Fonte Nova. O povo não quer. Que se dane o povo. A FIFA exige. Que se cumpra, então! Fechemos os olhos para não enxergarmos o absurdo e tapemos os ouvidos para não ouvir o clamor de entidades organizadas como o Conselho Regional de Engenharia, o Instituto dos arquitetos do Brasil, a Associação Brasileira dos Engenheiros Civis entre outras entidades e representantes de diversos movimentos sociais que são contra a demolição da Fonte Nova.

Essas entidades estão defendendo “a requalificação do equipamento em função dos aspectos culturais e do valor arquitetônico. Para eles, não cabe destruir um complexo olímpico com estádio, ginásio e piscina para substituí-lo por uma arena exclusiva para o futebol, em um momento em que o Brasil se prepara para sediar as Olimpíadas de 2016”.

E mesmo se assim não fosse a Fonte Nova é muito mais do que um simples estádio de futebol e compõe, junto com o balbininho, que também será demolido, a paisagem do Dique do Tororó, tombado em 12 de maio de 1959. Portanto, a Fonte Nova é patrimônio histórico da humanidade, tombado pelo IPHAN.

Mas entre as siglas FIFA e IPHAN, existem segredos que fogem a compreensão da vã filosofia do povo, esse mesmo que estar agora sendo chamado a cumprir com o seu direito de cidadão: votar nas eleições que se aproximam.

É para isso que serve o povo na ótica do império. Votar em quem não representa os interesses públicos, legitimando assim as atitudes fascistas de pseudos democratas que estão à frente das diferentes entidades organizativas dos eventos esportivos.

21 comentários:

Davi disse...

Olá Welington,

Você assistiu o filme "Fahrenheit 2010" sobre a copa da África?

Tá passando com frequência no Sportv. Nele fica claro essa relação da Copa com os interesses das construtoras, lá foi construído Arenas ao lado, bem ao lado de estádios recentes construídos para o mundial de Rugby, ou seja em excelentes condições e recente construção. Com a Fonte Nova não vai ser diferente! A empresas anseiam pela fortuna para criar a "monoesportiva" Arena, e ao mesmo tempo ampliar a carência de espaços para as demais modalidades, ainda não podemos esquecer que a piscina da Fonte Nova é uma das poucas, para não afirma a única de 50 metros do Estado.

É isso, estamos aqui lhe esperando, se você tiver cópia desse filme traga uma para mim, aliás, sei que você tem muita coisa boa que deve ser copiada, se você puder trazer algumas para eu copiar agradeço.

Abraços,

David - Saudações Tricolores!

Augusto Lacerda disse...

Bobagem...tEm que modernizar...se for melhor demolir, que seja. Ate
Wembley foi demolido.

Elson Moura disse...

Olá todas e todos!!
Modernizar = "Tornar-se moderno; Adaptar-se aos costumes e necessidades atuais". (Minidicionário Ediouro da Lingua Portuguesa).
Vou me apoiar na última conceituação: "adaptar-se aos costumes e NECESSIDADES ATUAIS" (grifos meus).
Se vivemos em um mundo que deixa 1 bilhão de seus sujeitos morrer de fome (o que representa 1/6 da humanidade) de acorodo a ONU, o que dizer de bens nem tão NECESSÁRIOS em comparação com o alimento? Sendo mais claro: se uma NCESSIDADE primordial (o alimento) está sendo negada, o que dizer da Cultura Corporal?
Onde quero chegar?
Se modernizar é passar por cima de necessidades humanas em nome da necessidade do lucro, e para isso destruir uma piscina e uma pista de atletismo em nome de beneficiar o futebol/mercadoria, advogo aqui o direito de ser arcaico (antiquado segundo o mesmo dicionário).
Mas, por outro lado, se modernizar é disponibilizar para a população o que de melhor existe em espaços e tecnologia para a pratica esportiva, para que esta possa usufruir destas produções, sem preferências a este ou aquele esporte, democratizando (e não massificando) o acesso aos mais diversos esportes, deixando que cada um escolha qual seguir (o que só pode ser feito após se permitir um acesso pleno), aí penso que o que vai ser feito na Fonte Nova não deve levar o nome de modernização.
Para além disso, não esqueçamos do PAN do Rio. Toda a "modernização" hoje, ou está obsoleta (opa!!! não era para modernizar?)ou está a serviço do poder privado. O Engenhão é de um clube privado, a vila olimpica foi colocada a venda a preços de classe média alta e o parque aquático Maria Lenk, está OBSOLETO (opa! Não era para modernizar II ?).
Por outro lado, em Cuba, no PAN de Havana (1991), ao término dos jogos, a vila foi entregue aos que a construiram.
Só um exemplo para dialogramos sobre modernização.
Um abraços a todas e todos!!!

Carlos Almeida disse...

"Talvez não exista pior privação, pior carência, que a dos perdedores na luta simbólica por reconhecimento, por acesso a uma existência socialmente reconhecida, em suma, por humanidade."

Bom seria se a Fonte Nova fosse modernizada afim de incitar a construção de uma nova humanidade, de um novo modelo! Mas, a metabolgia do capital é a lógica "reestruturante" é a do capital privado! E R$ 600,00 milhões de reais servem a essa lógica metabólica! Não para melhorar os salários dos professores, mas para aprovar a PEC 300 dos policiais e bombeiros, poucas das classes pelo visto do Governo que merecem ser privilegiadas com o advento da Copa de 2014. Até haverão de ter lançado o PAC 3 sem sequer terem findado o PAC1. Mas, na Escola onde leciono não têm sequer Biblioteca funcionando, ou bola de futsal pra sedimentar o conteúdo didático emergente que estou aplicando com meus alunos por exemplo, "Futebol e Copa do Mundo", ainda mesmo Feira de Santana tendo uma sede da Fábrica da FAMFS onde são produzidas bolas via Ministério dos Esportes. Motivo? Toda a produção está sendo desviada para a atual copa na Africa do Sul. Aliás, produção e tecnologia! O nome disso??? Diplomacia! Interesses econômicos!!! Bibliotecas? Quem precisa? Bolas para escolas?? O Marketing da copa não é diferente do Marketing no qual o capital em crise ou a crise do capital em suas sucessivas tentativas de restruturação produtiva se apoiam. O resto são neologismos. "Demolir" a Fonte Nova e "construir" uma mais "moderna" (discurso da modernidade e do pseudo-progresso) chama mais a atenção, é o avanço, o novo, o moderno, dá voto!!! Por ai vai... È o governo que faz! A bahia de todos nós! Enquanto isso crianças morrem...Com elas, as políticas públicas, a memória, o acervo histórico representado pela Velha Fonte. Ora se nem o Aeroporto 02 de Julho escapou de ser chamado de Luis Eduardo Magalhães... Não me surprenderia se depois de reformada não imputassem outro nome a Fonte Nova dos baianos, dos clássicos do Ba-Vi e do meu bahia, lider da segundona, (pelo menos por enquanto!=))

Perguntado no Conbrace sobre o que ele achava da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, Sávio de Assis disse algo interessante:" Eu acho que vai faltar bola pra o menino do interior do Maranhão brincar". Não precisamos ir até 2014, muito menos até o Maranhão! Já tá faltando bola por aqui mesmo! Em 2010!

E segue o enterro...

Abraços a todos!

Deraldo Pitombo disse...

Passei toda a minha adolescência no periodo da ditadura militar, sonhando e brigando pela democracia que temos hoje.
Que delicia!!!
Os governantes que temos foram TODOS eleitos pelos cidadãos cujos respectivos votos tem valor igual.
E diferente do que acontece nos regimes totalitarios (tipo comunismo chines) podemos escolher a forma, a cor e o tipo de tecido das roupas que vestimos.

Em coerencia com as premissas da democracia o governo define programas e projetos com o fito de atender as principais demandas da população.
Parte da população que compõe a iniciativa privada (desde o megaempresario ao camelô) escolhe e define planos de ações (alinhados aos projetos e programas definidos) para se engajarem.
E toda a população tem o direito de, em conformidade com seus recursos e interesses adquirirem e usarem os produtos resultantes deste processo.
Considerando que no que se refere a educação o governo brasileiro precisa ameaçar alguns pais com a corte de benefícios para que mantenha seus filhos nas escolas. Considerando o que o governo precisa investir em nosso pais para educar motoristas e reduzir o quantitativo de "potenciais assassinos e suicidas do volante".
Considerando o que se tem gasto, por instituições governamentais para atrair a população para a adoção de boas praticas de saúde (vacinas, exames etc).
E, finalmente, considerando que a maioria esgamagadora da população se engaja voluntaria e prazeirosamente em debates sobre a Copa do Mundo, protestar contra medidas e ações que prioritizam a modernização (ou ajuste ao contemporâneo) dos equipamentos afins à pratica de esportes popular chega a ser até ofensivo aos que vêem (culturamente)o lazer como de poder popular adquirido.

Concluindo, faço uso da pratica comum de lembrar citações de ilustres, para lembrar o que disse o "Joãozinho Trinta", quando levou sua (então) escola Beija Flor de Nilopólis ao primeiro lugar do desfile de carnaval (outra grande paixão popular) no Rio de Janeiro:
"Quem gosta de miséria é intelectual. O povo gosta de luxo."
Divirtam-se.

Carlos Almeida disse...

Eu tive que rir, não pude me conter...desculpas antecipadas.
O curioso é que muitos dos mesmos que denunciamos malefícios do período militar são os mesmos que hoje estão sendo a favor do toque de (recolher) acolher que está virando moda em uma série de prefeituras do interior da Bahia. Existe um processo em trâmite na câmara dos vereadores de Feira de Santana. A alegação é que o Estado deve cercear a liberdade dos adolescentes menores de 18 anos já que a família não faz. O sistema não questiona os motivos da degradação da família, principalmente da classe média, média-baixa ou simplesmente pobre. Imputa leis a fim de cercear-lhes a liberdade e ponto. Os governantes que temos foram todos eleitos por voto direto, é bem da verdade, mas com os mesmos ranços de nepotismos, clientelismos e patriarcados dos quais foram compostos o modelos ditatoriais que vão ao longe. O pistolão e a ótica burguesa, de pequeno burguês mesmo, vale ressaltar, neoliberal que impera. O QI (quem indica), os conchavos e mensalões da vida e por aí vai.(continua)

Carlos Almeida disse...

É verdade que hoje em dia podemos escolher a forma, a cor e o tipo de tecido das roupas que vestimos? Ou de carro? Essa é uma das ilusões inclusive pregadas pela sociedade do conhecimento contemporânea e sua reestruturação produtiva (neoliberal), parafraseando o Prof. Newton Duarte no seu livro SOCIEDADE DO CONHECIMENTO OU SOCIEDADE DAS ILUSÕES – Ed. Autores e Associados. A idéia criada no modelo pequeno burguês de sociedade diz que todo mundo pode ser patrão ou ter acesso aos bens de consumo produzido quando na verdade ela mente pois apenas uma pequena minoria daqueles que têm acesso ao PODER – e os políticos financiados pelas empreiteiras são uns deles . “Um ilustre cantor, Oswaldo Montenegro disse há tempos atrás: Hoje que podemos nos vestir livremente, todos usamos calças jeans”, tradução, depois das conquistas sociais adquiridas, caímos na mesmice dos estereótipos forjados em prol da manutenção do “status quo” e das respectivas zonas de conforto e aí daquele (ai de mim) que ouse dizer alguma coisa. Vivo com 20 horas semanais como professor efetivo no Estado da Bahia, complementando há 03 anos minha carga horária extra com mais 20 horas afim de justificar um processo de alteração de carga horária de 20 para 40 horas que dei entrada e sou surpreendido com a indeferição do referido processo em função de uma portaria do estado que prevê contenção de gastos públicos com pessoal. Não bastasse isso, a Secretaria da Educação de forma muito educada desconta do meu contracheque de apenas 20 horas semanais desde Dezembro o valor de R$ 102,38 centavos como extorno de horas extras, sem dizer o motivo. Desconta e pronto. No entanto, o Governo do Estado quer demolir um patrimônio dos Baianos, um Estádio que eu diria secular, afim de sustentar seu discurso afinado com a FIFA, com o Banco Mundial e por aí vai, tendo aprovado um orçamento inicial de R$ 600,00 milhões de reais para uma Copa do Mundo (vai custar muito mais, escrevam o que eu tou dizendo) a se realizar ainda em 2014 tendo Salvador como um das sedes. Vc têm que sobreviver até lá...apertando o cinto. Porque precisaremos mostrar a Bahia para o Mundo, mesmo que a custa de acochamentos, retenção de gastos públicos e desvios de prioridades e de verbas. Educação? Nem pensar...Saúde? Piorou...Esportes? Plano decenal se houver reeleição. A Universidade de Feira de Santana está comemorando seu aniversário com os professores em Estado de Greve. Isso, ao meu ver, é inversão de prioridades. (continua)

Carlos Almeida disse...

Onde a diferença ou o diferencial de uma “Bahia Para Todos Nós” onde em seu afã megalomaníaco e no seu discurso ufano o governo não ouve o humano o sujeito social e histórico, o baiano? Se a referência é a de adequação a contemporaneidade, quero ser conservador, “careta” inclusive. O discurso da contemporaneidade é utilizado muitas das vezes não para representar avanços e conquistas sociais mais para sustentar e sedimentar a lógica neo-burguesa. Quando não, o discurso da pobreza é que serve para aqueles que defendem um projeto histórico de homem e de sociedade dentro dos moldes materialista-histórico dialético. Ou seja, um materialista-histórico dialético não pode gostar do conforto ou de coisas de qualidade superior do ponto de vista tecnológico, seja um tênis, um carro... Isso, para alguns, é luxo e não DIREITO de acesso COLETIVO aos bens de consumo, ao lazer e direito a vida e empregabilidade dignas. Longe de ser intelectual, “malmente” possuo a graduação como já manifestei várias vezes aqui, acho que pobre têm direito ao luxo! Aliás, discorrendo dentro de uma lógica hegeliana (de Hegel), não haverão pobres se todos tiverem acesso ao luxo. Assim como o empregador nunca saberá o peso do desemprego quando ele mesmo for um desempregado. Essa seria sem sombra de dúvidas uma sociedade pela qual valeria a pena lutar. Dessa forma, de forma (in) coerente o governo define programas que fomentam e perpetuam a lógica histórica neo-burguesa e não rompe com as amarras que retroalimentam a lógica metabólica do capital a fim de sedimentar demandas dentro de MODISMOS e não de políticas sustentáveis. O conceito de modismo a que me refiro é o da filosofa húngara Agnes Heller no livro “Sobre o Construtivismo – Apropriações Neoliberais na Educação”, do Prof. Newton Duarte, editora autores e associados, na fase ainda marxista daquela filósofa.
Dizer que TODA a população tem o DIREITO de adquirir, de usar e de ter acesso a estes bens de consumo de dá vontade de gargalhar. Dizer que no que se refere à educação precisam AMEAÇAR ALGUNS PAIS co o corte de benefícios para que mantenham os mesmos na escola (A lógica do Bolsa Família, baluarte do Governo LULA, mas que é um projeto TUCANO) estabelece a contradição com a definição do que vêm a ser EDUCAÇÃO, pois a educação que eu acredito e defendo antes de tudo não deve submeter seus sujeitos a quaisquer tipos de AMEAÇAS e sim a formação, ao entendimento, construção de diálogos do ser-sujeito omnilateral de Gramsci ou de Manacorda.
Não vou fazer citação mais não, pois como disse, mal tenho a graduação e não quero incorrer no risco de ser chamado ou de ter mais uma alcunha sobre as minhas costas, pois, assim como Nietzsche , abomino rótulos e não quero ser muito menos parecer que seja eu um intelectual. Cruz credo!

E segue o enterro...

Eduardo Tudella disse...

Wembley foi demolido.

Reginaldo Santana disse...

Querido Welington,`

É bastante cômico essa condição em que vivemos no nosso pais, pois depois de passarmos tres anos dentro de uma instituição de ensino superior nos capacitando para trabalhar com professor de educação física, nas suas diversas areas de atuação, nos é apresentado o cref que nos diz que nós só podemos trabalhar em escolas ministrando aulas de educação fisica que se caso for da nossa vontade trabalhar em todas as areas da E.F. temos que passar mas um ano em um instituição.
Em meio a esses conflitos, vejo na tv uma materia em que o Sr Luiz Inacio " o nosso Lula" junto com membros do cref dar uma carteira ao senhor dunga, na qual lhe permite ser treinador da seleção brasileira de futebol onde ate entao pra asumir esse cargo tinha que ser um profissional formado em educação fisica.

Pergunto cade os meus direitos e os de meus colegas?
Visto que estamos vivendo esse fervo da copa, ficarei muito feliz se o estimado professor puder aborda em uma de suas proximas materias o assunto citado a cima.

Um forte abraço e grato pelos seus ensinamentos.

Welington disse...

Deraldo. Não estamos aqui nos divertindo. Estamos pautando um debate, tensionando um determinado modelo de democracia que apenas na formalidade atende à todos. No concreto, a grande maioria das pessoas ficam de fora e tudo acontece pela conveniência dos de cima. Por que não fazemos um plebiscito em relação a demolição da fonte nova? A comunidade se organizaria, as instituições promoveriam debates demonstrando os prós e os contras da demolição e no plebiscito tomaríamos a decisão. Evidente que a democracia foi um passo a frente se comparada com a ditadura, mas o modelo deve ser tensionado pois somente somos formalmente considerados com os mesmos direitos, mas no plano econômico as diferenças saltam aos olhos. Essa dicotomia torna abstrata e irreal a dimensão universal da cidadania sob a democracia. E isso, até onde sei, não é brincadeira nem nos permite divertirmos. Quanto a questão do intelectual, estou com Gramsci, quando diz que todos somos intelectuais. E o povo do joãozinho trinta deve ser àquele que pode pagar para entrar na sapucaí e que confunde luxo com luxúria.

Anônimo disse...

Esse texto seu é uma crítica as mudanças porpostas pela FIFA e pelo comitê da Copa. Sinceramente discordo de seu texto, se a Fonte Nova quiser melhorar, apresentar segurança aos torcedores e não matá-los deverá se modernizar. Para isso é necessário sim reforma no estádio e na redondeza, viver de passado? De casas que não oferecem nenhuma segurança. Um estádio ultrapassado e perigoso.
Sou a favor da reforma e das mudanças pertinentes ao estádio e a circunvizinha sim.
Manter velharia para que? Mostrar para turista ruínas de antigamente?
Tem que reformar tudo mesmo, inclusive esse texto seu.

Elson disse...

Olá todas e todos, especialmente "anônimo"!
Acho que estamos tendo um problema de entendimento.
Penso que passa longe a ideia de ser contra a modernização.
O que está em jogo é modernizar para atender aos interesses de quem? Da população ou do lucro.
Se é da população, então estamos dentro. Se é do lucro, então temos um problema; lucrar em uma sociedade Capitalista só é possível com a exploração dos trabalhadores (exceto comerciantes individuais que compram por um preço e repassam mais caro) e colocando as produções a serviço do mercado e não do ser humano.
Desconfiamos que o que FIFA quer (e a história prova isso) é colocar um elemento da Cultura Corporal a serviço do mercado e não a serviço da população. Para isto, passa por cima de uma escola, uma piscina e uma pista de atletismo.
Em contra partida, as pessoas que tiveram seu direito de pratica corporal tolhido, terão acesso aos jogos da Copa?
Quanto será o ingresso? Quem (hegemonicamente) terá acesso aos jogos?
Desconfiamos que a Burguesia e a pequeno burguesia.
A população que comemorou a vinda da Copa sabe disso? Está esclarecida?
Favor, falar que estas pessoas serão beneficiadas por vender churrasquinho na porta será uma piada. Pelo contrário, quando o comitê do COI esteve no Rio, os ambulantes tiveram suas barracas derrubadas para mostrar um Rio "bonito".
Isto é liberdade (dialogando com o colega que comparou com o período da Ditadura)?
O Capital se reveste de várias formas para manter sua hegemonia: Ditadura, Democracia etc.
É para modernizar? Coloquemos esta modernização a serviço da população Baiana.

Abraços

Welington disse...

Anônimo, o texto é contrário a demolição da fonte nova e não a sua reforma via requalificação dos equipamento. Nesse sentido, tenho acordo com vc, embora sugira uma reforma ao texto. O balbininho, a escola da fonte nova e todo o seu entorno deve sim ser modernizado e dirigido para o conjunto da população baiana e não para o monopólio do futebol e interesses da FIFA.

Welington disse...

Uma outra coisa, anônimo, que acabei esquecendo de comentar. Dê uma olhada no final do seu comentário e observe que a sua preocupação é com obras para turista ver. Não sou contra ao turismo. Hoje é um setor importante da economia e Salvador não pode prescindir do mesmo. Mas devemos pensar a cidade também para quem nela mora e vive o seu cotidiano.

PAULO KRAIDE PIEDADE (PAULOFILÉ) disse...

Olá Profs. Welington, Carlos & demais blogueiros.

Há quanto tempo...

Tenho passado por aqui como sempre, mas, nem sempre tenho me manifestado.
Porém, o assunto é muito interessante e importante, para eu ficar à margem de emitir uma opinião.
Como sou de SP, não conheço a Fonte Nova, muito menos detalhes de sua inevitável importância na história do futebol baiano, etc.
Porém, existe situação análoga com o Morumbi, que, conheço com detalhes. Local inadequado para se ampliar ou melhorar um estádio para uma Copa do Mundo. Estádio que, para o que foi planejado, já chegou ao seu máximo e está ótimo. Um campo de um clube, servindo ao clube e ponto final.
Para a Copa, em SP como na Bahia ou qualquer outra situação geográfica, acho muito mais interessante novas arenas de futebol, com moldes e padrões FIFA, que, são projetos mais econômicos, respeitados os locais adequados(à princípio desvalorizados em termos imobiliários), no momento mal ou sub-utilizados pelas comunidades das respectivas cidades e que servirão bem como praça esportiva, inclusive com serviços à população.
Trocando em miúdos, os 600 milhões ou qualquer outra cifra renderá muito melhor, construíndo um estádio do que reformando... afinal, quem já ousou partir para a "aventura" da construção civil, pelo menos uma vez na vida, já tem a experiência que é muito mais fácil construir do que reformar... óbvio... não há o que demolir, bem como, na construção nova, o planejamento é de 100%, na reforma isto é impossível, pois, as surpresas são constantes nas adaptações/reformas/conservações imobiliárias.
Quanto aos desabafos do Prof. Carlos, com os quais concordo sempre... constituem uma vertente importante no processo, ou seja, locais adequados, bem edificados e conservados e mão de obra bem paga, incentivada a melhorar sempre, para que o esporte colabore com a cultura e esta com a otimização da sociedade brasileira. Vamos perseverar amigos, acredito este ser um dos segredos dos objetivos atingidos!

Forte abraço e boa COPA para todos!

PAULOFILÉ55

Carlos Almeida disse...

Olá Filé...

Se eu não me engano houve uma comissão da Fifa que desaprovou inclusive o Morumbi e critícou do ponto de vista cronológico a infra-estrutura do país para sediar a Copa. Ou seja, quem dita as regras é a Fifa. O contexto, as realidades, as singularidades do país bem como as condições, tudo isso, é desprezado. Pura e simplesmente!

Desculpe o desabafo! Mas é que sofro na pele certas distorções e incoerências de um modelo e de suas contradições, muitas das quais pretendí expor acima. Na pele e no bolso!

Com a Fonte Nova, mesmo não sendo aquele aficcionado pelo futebol, temos elos sentimentais. Assim como, creio eu, um bom são paulino deve ter com o estádio do Morumbi. Creio que a questão é de fundo...ou seja, o foco deveria ser a população, as pessoas, entende? E não a Fifa ou outros interesses mascarados! Interesses que se revestem do Futebol e da Mídia para satisfazer os seus interesses. E o que é pior, sem ouvir o principal interessado, o POVO. É para o bem dele que deveria ser voltado o espetáculo, tanto nessa como em outras áreas. Entende? Ao contrário de algumas falas que se manifestaram aqui!


O meu irmão, conhecido nosso em comum, foi no aniversário da esposa do Ministro do Esporte, Sr. Orlando Silva e com ele esteve em Campinas, semana passada. O Orlando Silva, como vc sabe, é baiano. Gostaria de saber a opinião dele, sinceramente!

Sou a favor de um estádio moderno e de fomentos que contribuam para a vida do baiano, do amazonense, do paulistano e não tão somente em função das demandas da Fifa, de empreiteiras, de ufanismos. Minha opinião!

Forte abraço e é bom poder "revê-lo" por aqui!

Saudações...

Carlos Almeida disse...

FILÉ

Ia me esqueçendo...

Não acho justo Filé um investimento tão alto no futebol ou na reforma da Fonte Nova para a Copa de 2014 e na minha escola eu não ter uma única bola de futsal pra usar, mesmo tendo Feira de Santana uma fábrica da FAMFS que produz inclusive o material que está sendo usado pela seleção na Africa do Sul. Ofícios? Já mandei de mim mesmo e solicitei a direção da escola que também (a longo custo) enviou outro. Mas mesmo assim a quadra esta muito ruim. A escola está depredada... Defendo uma política pública de esportes inclusive que trabalhem na forma de núcleos, como os que existem aí em Americana e que meu irmão coordena. Escolinha de goleiros, núcleos de esportes e não só o futebol, acrescentaria escola para o povo, educação, lazer, saúde, infra-estrutura de habitação, melhoria dos salários para os professores e possibilidade de emancipação. Isso que defendo!
Aqui não há nada disso e o pouco que há, no entrono da Fonte Nova, por exemplo, está pra ser demolida por conta da Fifa. Entende? Por conta dessa "modernidade"

Desculpe o desabafo! Mais uma vez!

Bom, era isso que eu queria dizer e havia me esquecido!

Mais uma vez forte abraço a todos e boa Copa, mesmo sem a alegria dos Meninos da Vila e tendo que engolir o Dunga goela abaixo (lá ele!!!=)

Saudações...

Elson disse...

Olá Welinton, Filé, Carlão, anônimo etc. etc. etc.
Bom debate!!
Mais uma vez nos parece claro que se ficarmos presos ao debate específico do "modernizar ou não modernizar", não alcançaremos a raiz do problema (não estou advogando ser o detentor da raiz do problema). Mas percebam (e a fala de alguns já avançam neste sentido) se a questão não é mais profunda.

Para podermos nos posicionar, teremos que pensar esta relação (modernizar ou não) à luz da análise da base econômica, ou seja, às relações Capitalistas. Não tem jeito, o barbudinho tinha razão. Em última instância, quem vai determinar a super estrutura (política, jurídica e por que não falar esportiva) é a base econômica (relações de produção) Capitalistas.
Ao avançar nesta análise (que não anula a específica, apenas a relaciona) tomamos posições mais radicais (que alcançam a raiz).
Sendo assim, sou TOTALMENTE descrente da boa vontade das mudanças na Fonte Nova. Estas têm a o objetivo central de beneficiar, hegemonicamente, os poderosos.
Meus amigos! Vamos para a história! O que encontramos? Por favor, lembremos do PAN do Rio.
Abraços

Carlos Almeida disse...

Concordando com o professor Elson...

Então Professor!

Não queria entrar na crítica radical e nas discussões de fundo afim de não ser confundido como intelectual ou ser tomado por uma erudição que não tenho, mas é evidente a incidência e as motivações das relações capitalistas dentro dessa idéia de implosão da Fonte Nova assim como desse atual governo e modelo NEO-LIBERAL.

O desemprego nos assola em massa! Assim como na Africa do Sul e no Zimbawe, seleção com a qual o time brasileiro jogou recentemente e que agora estamos conhecendo suas mazelas, de forma superficial é verdade, pois existe aquela Africa para o turista e a Africa real. O Brasil e a Bahia tamvém. As contradições e os elementos instrísecos que fomentam a produção do capital subjazem de forma acentuada e se por um lado há o incremento tecnológico, o conhecimento e a capacidade de produzir riquezas, a super-extrutura capitalista aumentam as desigualdades nas relações sociais e ao acesso público a estes bens de consumo. E o que é pior, peripasso ao discurso da modernidade e da competência a dinâmica do capitalismo incita a sociedade burguesa (e os pequenos burgueses que nela habitam) a descontrução\desqualificação do discurso em prol de um entendimento de mundo do trabalho onde ainda imperam a luta de classes ou a discussão de elementos tensionados relacionados a política que satisfaçam o grande capital, o capital internacional, o FMI e o Banco Mundial, aqui mascarados pela FIFA. Essa reestruturação se dá na Educação também de forma sutil, onde eles mesmos querem impor as regras. No esporte não seria de outro jeito, dado ao uso ideológico do mesmo!

Dizem ser o sujeito marxista um sujeito centrado, imóvel. Não tenho sombra de dúvidas nenhuma que o motivo disso pode se dar em função de que mesmo o barbudinho não vivendo entre nós, nessa época dita de pós-modernidade, seus pressupostos perduram até hoje de forma legítima!

Vamos em frente! Abraços a todos...

PAULO KRAIDE PIEDADE (PAULOFILÉ) disse...

Olá Pessoal,

Saudações!
É muito bom ver como os assuntos aqui do BLOG ESPORTE EM REDE agregam idéias e debates altamente produtivos, com resultados infelizmente limitados à nossa compreensão e divulgação, mas, não deixa de ser mais uma forma de levarmos ao conhecimento público que também temos o "dom do raciocínio" em prol do esporte e do trabalho pedagógico com qualidade.
Carlão, não se desculpe de suas justas reinvindicações, que, aliás, também são minhas como professor, se educarmos as crianças não teremos que repreender os adultos... alguém falou isto com muita propriedade, resumindo... o esporte tem que ser um aliado da educação e vice-versa, buscando a inclusão social, a oportunidade dos mais humildes terem uma oportunidade no mundo capitalista. Contando com trabalho e boa vontade, aliado à boas informações, teremos uma evolução social. Porém, precisamos de bons professores, justamente bem remunerados, com infra-estrutura digna de seus conhecimentos, etc. Para isto, precisamos de vontade política. O que deveria ser o óbvio, é a prática de uma minoria, ou seja, somos obrigados a elogiar bons projetos e programas políticos, como se todos não tivessem que ser assim. Voltando ao assunto, o tanto que se gasta para reformar um estádio antigo é muito maior do que se gastará para edificar um novo em local previamente planejado, etc... O diferencial que, eventualmente "sumiria no mal uso"(veja, não estou falando de desonestidade, me refiro ao uso indevido mesmo, a má aplicação do dinheiro público...}, seria um valor tão significativo, que contemplaria inúmeros projetos de inclusão social através do esporte, nas duas praças, na antiga e na nova... difícil? Nada... até um mero professor consegue raciocinar por essa vertente...(rsrsrsrssss) porque não os "experts do planejamento das oligarquias governamentais de todos os tempos"... quem somos nós?

Forte abraço e vamos em frente... utilíssimos debates por aqui... por isto é leitura obrigatória!

PAULOFILÉ55