sábado, 22 de maio de 2010

De leão à canarinho

Com a proximidade da Copa do Mundo de futebol na África do Sul, o sentimento de nacionalidade se aflora e todos passam a vestir a camisa da seleção brasileira, inseri as bandeiras nas janelas e as flâmulas nos carros. Os pneus, antes pretos, passam a ter faixas amarelas e verdes. Os outdoors ficam todos com cores parecidas e os mais diversos produtos, mesmos os que nada tem de comum com o esporte, aproveitam a deixa e fazem o seu marketing.

No entanto, já houve um tempo em que as coisas eram bem diferentes e os conhecidos canarinhos mais pareciam com leões famintos fora da jaula. Quem nos ensina rapidamente isso é David A. Yallop, no livro "Como eles roubaram o jogo: segredos dos subterrâneos da FIFA". Lá na página 31 do livro da editora Record, o jornalista nos diz que "(...) na Copa do Mundo de 98, na França, o Brasil representa para milhões de pessoas em todo o planeta o que há de melhor em futebol. (...) Mas nem sempre foi assim". Sublinha.

Ainda segundo Yallop, agora na página 32, "Na década de 1950 (...) o talento do grupo era frequentemente mascarado e desfigurado por um nível de violência que, se perpetrado fora do campo, teria resultado em sentenças à prisão".

Em 1954, na Suiça, ano em que se começou a televisionar os jogos da Copa do Mundo de futebol a seleção do Brasil e da Hungria proporcionaram um jogo que ficou conhecido como a "Batalha de Berna". "O bom, o mal e o feio foram todos exibidos (...). O ministro dos esportes húngaro (...) foi esmurrado no rosto (...). A seleção brasileira invadiu o vestiário dos húngaros".

E para completar os feitos desta seleção brasileira que esbanja "estilo, jeito, elegância, garbo, sucesso, gênio", tudo isso segundo Yallop em relação a seleção de 98, que fique bem entendido, "Em 1956, durante uma excursão pela Europa, o lado sombrio do jogo brasileiro seria visto mais uma vez. Após um jogo em Viena, a seleção brasileira e membros da delegação tentaram agredir o árbitro. O Brasil se tornara a equipe que todos os demais temiam, por todas as razões erradas".

Mas este tempo animalesco já se foi. No máximo podemos ter um burro empacado, pouco afeito a penas e aves, no comando da seleção. Mas como ele não entra em campo, a esperança de vermos o ganso jogar se transmuta em um sonho de canarinhos voando de volta com a taça na mão. Pois verde também é a cor da esperança e nós, brasileiros, como sabemos, não desistimos nunca!!!

8 comentários:

Miralva disse...

Espero realmente ver a seleção canarinho voltar com a taça na mão. Mas com estes jogadores, previsíveis por natureza, não sei não. Veja o que aconteceu com o Bayer de Munique q não conseguiu furar a defesa compacta do Inter. Faltou habilidade, o drible, a agilidade de um latino...como comprovou o milico de pré-nome Diego.

Anônimo disse...

Interessante. Então a seleção brasileira já foi protagonista de barracos?

Vinícius disse...

Quem foi o prodígio da mudança de atitude da seleção leonina em canarinho, professor? Ou a mesma se deu por geração espontânea?

Welington disse...

Olá, Vinícius. Segundo o livro, o prodígio da mudança foi o João Havelange, que conseguiu imprimir na seleção a mesma filosofia que imprimia nas suas empresas. Evidente que outras mediações ocorreram. Seria interessante que você lesse o livro, pois o seu título já é por demais instigante e aponta outros elementos que se fizeram presentes no processo da mudança.

dado disse...

Mais uma vez uma análise suscinta e de conteúdo excelente. Em poucas linhas o entendimento de uma concepção do que seja o futebol (antes.... depois......e agora). Sublime a interpretação e como disse o "Anônimo" : também sabemos fazer BARRACO. Sou ainda adepto do bom futebol e quero jogar bem e ganhar (seria natural, não!), mas se tiver que optar por um, tenham certeza, ficaria com o JOGAR BEM (os ensinamentos seria explorados durante toda uma vida/geração). Parabéns Wellington! Comentarei este assunto na "ORLA" de Itabuna.

Elson disse...

Olá Wellington e demais.
Tô de volta depois de um mês daqueles!
Não nos surpreendamos em ver cada dia mais cenas como estas descritas.
Aproveitando a postagem abaixo (Jeimison), quando o jogo deixa de ser feito para gerar o prazer de quem o pratica e passa a atender alienadamente aos princípios da sobrepujança e comparação objetiva, onde o vencer (as vezes, a qualquer custo) é o que importa... veremos barracos, botinadas, brigas etc etc.
Mantenhamos o prazer de jogar nas peladas do final de semana..
Inclusive, to me preparando (mentira) para jogar aos Sábados com os professores!!
Abraços a todas e todos!!

Anônimo disse...

Vixe Maria! Fiquei estarrecido com o passado "animalesco" da nossa Seleção. Percbi como somos enganados pela mídia, que mostra uma Seleção heróica, com jogadores fenomenais. Entretanto, também, foram "barraqueiros". Além de pasmo, fiquei me perguntando: Será que os jogadores do passado tinham um amor verdadeiro à camisa Canarinho? E agora? O que será que a Seleção guarda em seus porões?



Kuat

Welington disse...

Há mais segredos entre a seleção e o brasileiro do que supõe a nossa vã filosofia, Kuat.