segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carnaval e futebol

"Carnaval, futebol
Não mata, não engorda
E não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol...
"
(Refrão da música Insolação do coração - Carlinhos Brown e Michael Sullivan)


Já é carnaval, cidade!!! Desde o último dia 10, após o Rei Momo Pepeu Gomes receber as chaves da cidade do Salvador e abrí-la para os foliões de todos os "cantos, encantos e axés", o sagrado e o profano se harmonizam nos corpos que pulam atrás do trio elétrico, pois eis que ainda não morreram.

O carnaval este ano aqui em Salvador tem como tema os 60 anos do trio elétrico e os 25 anos da chamada axé music e esta festa, assim como o samba e o futebol, são expressões da cultura brasileira, produto de exportação. Não faltam depoimentos de turistas brasileiros que têm condições de viajarem ao exterior confirmando que os principais produtos made in Brazil são, principalmente, o carnaval e o futebol.

Em 2004, uma revista brazuka, editada em Londres e disponível em formato eletrônico (http://www.leros.co.uk), realizou uma pesquisa perguntando "Qual é a primeira coisa que lhe vem na cabeça quando você ouve a palavra Brasil?" Advinhem quais as respostas tiveram maior percentagem? Acertou quem disse futebol (com 51%) e carnaval (com 20%). Os outros elementos com seus respectivos percentuais foram: país exótico e tropical com 9% e violência com 7%.



Em seu livro O que faz o brasil, Brasil?, editado pela Rocco em 1986, o antropólogo Roberto DaMatta situa, junto com a comida, a malandragem, as vestimentas, a religião, o "jeitinho brasileiro"; o carnaval e o futebol como elementos importantes de definição da identidade brasileira. Não os únicos.

Como brasileiro, sinto-me muito bem em ser reconhecido em outros lugares do mundo por essas duas expressões de alegria, margia, criatividade, espontaneidade e beleza estética e não pela violência, discriminação, marginalidade, fome, desemprego, mortalidade infantil entre outros.

Não obstante, não podemos fechar os olhos para essas que também são expressões da cultura regida pelo capital. Não podemos nos dá ao luxo de ignorar os dados da realidade que nos oferecem o Ministério da Cultura. "20% da população brasileira não está incorporada a nehuma atividade, bem ou serviço cultural a não ser a TV aberta. Só 8% já entraram alguma vez na vida em um museu. Apenas 13% vão ao cinema com certa frequência - em torno de uma vez por mês - e 92% dos municípios brasileiros não têm um cinema ou um teatro sequer. Só 17% dos brasileiros compram livros."



Assim como o carnaval e o futebol, esses elementos também devem fazer parte do acervo cultural do povo brasileiro. Não matam, não engordam e faz um bem danado para a formação humana.

21 comentários:

Anônimo disse...

Pois é Welington e blogueiros,

Infelizmente gostaria de trazer para além da alegria dessa festa que expressa a capacidade de organização coletiva e de produção de cultura de nosso povo, a sua intensa privatização e precarização do trabalho informal.

Para muitos o carnaval está inacessível. Vejamos o exemplo do belíssimo espetáculo que é o carnaval do Rio de Janeiro: a construção do sambódramo potencializou o desfile das escolas de samba, mas exarcebou a competitividade no carnaval (será que poderia me atrever a dizer isso?), além de limitar a participação popular nesta festa. Restou à população pagar um lugar na arquibancada, ou ainda em frente à TV.

No que se refere à precarização do trabalho, poderíamos citar o caso dos cordeiros (trabalhadores precarizados que seguram os cordões que isolam aqueles que pagaram para desfilar em bloco do restante da população - popularmente chamados de "pipocas") no carnaval de Salvador. Além da baixíssima remuneração que recebe pelo serviço, são intensos os conflitos destes coms os pipocas e com a polícia. Ou seja, são expostas a uma condição de insalubridade por um baixo salário.

Enfim: sem tirar a legitimidade da festa, gostaria de iniciar o debate.

Forte abraço a todos e um carnaval de tranquilidade.

Edson.

PAULO KRAIDE PIEDADE (PAULOFILÉ) disse...

Prof. Wellington, Edson e amigos do BLOG...
Há quanto tempo...
Assunto de primeira grandeza para debatermos... primeiro a perfeita analogia do professor em relação à necessidade do crescimento de alguns outros ítens de cultura, com o mesmo empenho e organização que vemos no futebol e no carnaval, ou não, como destacou o Edson... ou seja, mesmo no que façamos o melhor... podemos aprimorar, sempre... buscar a excelência constante. Por exemplo, sacanagem "os caras que seguram as pontas"(literalmente)acabarem durante o seu trabalho no desfile deparando-se com conflitos, com quem quer que seja e por qual motivo for...
Daí aos percalços do futebol... levando-nos a crer que temos muito o que melhorar, porém, com muito otimismo,haja vista a imensa capacidade do povo brasileiro em "assimilar os cruzados" que constantemente "recebe no cotidiano", seja individualmente ou em grupo. A população do Brasil é formada por "bravos guerreiros", que, enfrentam as mais imprevisíveis situações. Porém, sem noção dessa força natural e descomunal... quando fazem uso de seus "poderes" isto acontece no desespero, na sobrevivência, na última chance a que sommos submetidos todos os dias...
Por isso merecemos melhores administradores, políticos, críticos ou palhaços... o brasileiro tem direito ao melhor, por tudo que já sofreu e pelo tanto que foi escrachado ao longo de sua história...

Forte abraço e bom carnaval, rsrsrsrsrss

PAULOFILÉ

Carlos Almeida disse...

Curioso que no Carnaval somem as epidemias de gripe H1N1, de Dengue e de Hepatite. Associadas a que desce redondo, ou a número 1, esvainescem de súbito. No palco, o "rebolation", o "vale-night" pois "comigo é na base do beijo, comigo é na base do amor".

Lamento que um dos principais referenciais do Brasil no esterior ainda seja o Carnaval e o Futebol, por motivos óbvios. No carnaval essa fama, muitas vezes, está associada a demasiada exposição do corpo feminino da brasileira. Pesquisa apresentada em um GTT sobre Futebol no Conbrace comparava dados interessantes do jogador na Espanha e no Brasil com relação a tempo de dedicação a escolinha nas fases iniciais de preparação. O atleta espanhol tinha um tempo maior de estudo enquanto o brasileiro não. Estaria Thierry Henry com a razão quando afirmara que o brasileiro joga bem pq estuda pouco? Ah não Carlão...Tem o "doutor" Sócrates que é médico, o "comentarista" Caio da Globo que têm estudo, O "Cacá", um dos melhores do mundo, e ainda tem o... o..., quantos mesmo?

Ademais, não posso deixar de pontuar a fala do professor Edson no que se refere aos exemplos crassos de demonstração de exclusão bem aos moldes neo-liberais. A imagem da "corda" no bloco é a demonstração evidente disso! Odeio a corda e a condição a que são submetidos os cordeiros! E o abadá? Uma abadá custa nos principais blocos o quê? Uns R$ 800,00? R$ 1.200,00? Me ajudem pq eu tou desatualizado! Mas...Quem pode pagar isso? Ah, Vc quer ficar fora da corda? Pois bem...Corre-se o risco de ser vítima da violência, de socos, pontapés ou de estar a mercê de atrações não tão "boas" digamos assim! Mas hão os carnavais de Olinda, do Maranhão (São Luis) de Manaus que se não me engano ainda possuem manifestações que recrudescem a idéia de Cultura Popular. Não os conheço, eu apenas acho!

Sou um fake de baiano...ou já morri, pq "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu".

Muita alegria assim me entristece, profundamente...

São antíteses! Acho uma ofensa de festa, ofensa a pobreza, a lucidez, ofensa ás lutas por uma sociedade mais igual, menos injusta e desumana além de um imenso disperdício. Aí vc poderia dizer:" Ah Carlão, mas e as frontes de trabalhos, des músicos e barraqueiros, o turismo etc". Bem, quanto as frontes de trabalho se estabelecem de forma fragmentada, precarizada mesmo! ilusão de empregabilidade! Quanto aos músicos, iluminadores, sonoplastas, teriam, certamente (como têm durante todo o ano) seus devidos espaços dos quais são inerentes. Turismo têm o ano todo e que se pesem os prós e os contras tenho minhas dúvidas noque se referem aos "ganhos" para as políticas públicas dessa torrente de turistas aqui no carnaval. Me desculpem, mas é isso o que eu penso! Me corrijam, pq a micareta de Feira vem aí e se eu estiver errado... Ainda há tempo de mudar...E vou dar uns pulos na avenida! "No rebolation, No rebolation tion"

Forte abraço!

Anônimo disse...

Em minha comunidade as pessoas estão lutando por necessidades básicas como alimentação, moradia e ser atendidos nos postos de saúde. Então, bens culturais como cinema, museu, concerto musicais,etc se tornam bens impossíveis. Até mesmo o futebol é ilusão, pois é preciso deixa a grana para o botijão e torcer para o time do coração diante da televisão. Ivete, Leite, Mercury e companhia são apreciadas fora das cordas em todos os carnavais. Bahia, terra de todos nós. Quem são os nós?


Kuat

Welington disse...

Desde 1848 que um certo sujeito barbudo nascido na Renânia descobriu que o movimento do capital tendenciava a transformar tudo em mercadoria. Acertou. Mas este mesmo barbudo nos deu uma importante ferramenta para pensarmos o movimento do real: a dialética, onde a contradição se situa como núcleo central da sua constituição. Os comentários que aparecem sobre o carnaval nesse espaço, embora concorde com muito do que foi dito, perde de vista o aspecto da contradição característico do sistema metabólico do capital e joga fora o bebê junto com a água do banho. Nós que nos pretendemos críticos-dialéticos, não podemos nos dar ao luxo de fazer avaliações maniqueístas, mecanicistas, idealistas ou coisa que o valha. E antes que alguém pense que estou sendo presunçoso, faço uma autocrítica, pois sei dos meus limites teóricos. Não obstante, esses limites não podem me impedir de buscar sempre e cada vez mais, uma análise dos dados da realidade que expresse a objetividade histórica do mesmo. Carnaval no Rio de Janeiro não se resume às escolas de samba. A cidade tem mais de 460 blocos cadastrados e o povo brinca. Em Salvador, o carnaval não se resume aos trios das estrelas do axé. Tive na avenida dois turnos. Um para levar o meu filho e outra com a minha esposa. Nas duas oportunidades pude ver a segregação, a discriminação, a violência de todo tipo, etc, etc, mas também pude brincar atrás de trios que não tinham cordas, ver grupos impunhando cartazes com críticas ao governo estadual e federal, grupos de jovens uniformizados, dentro de um cordão simbolizando as tão famigeradas cordas dos grandes blocos, satirizando os mesmos. É verdade que o carnaval vem sendo cada vez mais feito para "gringo" ver. Os dados demonstram isso. Vejamos: mais de 64% dos soteropolitanos saem da cidade em época de festa momesca e dos que ficam, apenas 16% efetivamente brincam. Sempre gostei de carnaval. Já fui de brincar mais dias. Hoje prefiro ficar em casa lendo e assistindo filmes. Mas não posso deixar de reconhecer que é uma festa fantástica e, apesar dos pesares, continua sendo. Violência? Existe. Embora morra mais gente nos finais de semana "comuns" em Salvador do que durante a festa. E então? vamos abolir os finais de semana? Morre gente em Salvador todo o dia do ano. Exclusão? Sim. Mas não é algo característico do carnaval em si nem, tampouco, desta época. Na década de 50, antes da criação da fubica, o povo brincava circunscrito ao seu gueto, enquanto os representantes das elites desfilavam em seus carros, com trajes característicos do centro europeu. Em Recife, até ópera italiana se cantava em época carnavalesca. O que dizer da saída do Ilê no sábado lá no curuzu? Do desfile do Afoxé filhos de Gandhy com seus mais de cinco mil componentes? E a Banda Didá? Mesmo o Olodum que há muito se infurnou na indústria cultural, vale uma espiada. O que dizer do carnaval do pelô? E a mudança do garcia? Fazer uma análise do carnaval sentado na poltrona, vendo pela televisão, nos limita e muito e não condiz com o método crítico-dialético. Sabemos muito bem que a mesma hegemonicamente tá a serviço do capital e só vai mostrar aquilo que foi paga para mostrar. Esse mundo bruto, não pode nos embrutecer ao ponto de perdermos a ludicidade, a estética lírica, o gosto pelo brincar, pelo pular, pelo dançar. Ademais, se querem mesmo está perto do povo, é na avenida que eles se encontram nesta época. Catando latinha enquanto brinca e sorrir. Dançando enquanto pede um gole da sua cerveja. Isso não mudará em nada a sua existência no plano imediato nem a nossa. É apenas um momento de suspensão. É carnaval, e nesta época, "a carne nada vale". Socialismo, comunismo tem na utilização do tempo disponível uma das ferramente para ampliar as potencialidades humanas. Precisamos exercitar isso na realidade concreta por dentro do contraditório sistema capitalista. Que o carnaval seja um momento de experimentação de novas formas de ocupação do tempo disponível na sociedade comunista, ou será que não teremos festa, celebração, entretenimento?

Carlos Almeida disse...

"A carne mais barata do mercado é a carne negra" jornalista Casemiro Neto se referindo a cantora Elza Soares no Twitter, no carnaval da Bahia, 2010.

Com esta frase Casemiro e Elza me lembraram que apesar da emancipação gerada através da música e do "axé music", quanto de exclusão ainda são submetidos meus parentes negros. Mesmo, inclusive, no que se refere a possibilidade de ascenção social nas manifestações artisticas associadas a musica baiana ou também com relação ao futebol. Mais uma vez aqui até mesmo mulata é famosa não só por ser bonita, mas pela exposição do corpo feminino da mulher brasileira negra enquanto objeto, enquando mercadoria, e mercadoria barata!

Carlos Almeida disse...

(continuação)

Bem, acho curioso se acreditar que as transformações devem se operar na concretude fomentando as contradições que fazem com quê estas mesmas contadições perdurem. Como escreveu Marx: “conclamar as pessoas a acabarem com as ilusões acerca de uma situação é conclamá-las a acabarem com uma situação que precisa de ilusões". Quero ratificar aqui que acho o carnaval um desperdício, longe de querer ser maniqueista ou apregoar ideais de bem e do mal. Acho uma ofensa tremenda fomentar uma festa onde nela as desigualdades se potencializam.

Não fosse isso, meu amigo, eu tava lá...no meio! Nem por isso, meu amigo...deixo de brincar, de tomar meu vinhozinho, cantarolar...mesmo que crianças morrem, mesmo havendo fome, miséria e exploração. "Vamo" pular, qual o problema? Todos!!!

Seja na exclusão do cordeiro, no catador de lata, na fragmentação do trabalho da "fazedoura de cachorro-quente". Ou será que existe ou existiria o cordeiro, o catador de lata e a fazedoura de cahorro quente dentro de um modelo marxista de sociedade onde TODOS tenham acesso a condições dignas de vida? Estão ali e se fazem existir enquanto sujeitos dentro da concretude porque gostam e ser cordeiros? Catador de lata? Fazedores de cachorro quente? É legal? Tem universidade pra isso, mestrado? Doutorado? Não...é feio...é trsite...Tão triste como no que diz respeito ao futebol o desvio de prioridades no que tange as politicas que deveriam alicerçar as pautas diárias dos políticos aos quais elegemos para serem nossos representantes e que usufruem do erário público no custeio de seus pró-labores. Mas o que vêmos? Mensalões! Ontem do PT e hoje, como vivemos em uma democracia (risos) é a vez do Democratas. Voltando ao texto, fóra dos dias de carnaval tem cerveja? Tem! Têm desigualdades e as contradições estabelecidas pelo capital? Têm! Pronto! Se no meu dia a dia estabeleço meu discurso em torno da possibilidade da materialização de uma sociedade que ROMPA com esse modelo vigente a a partir da concretude me mostre um rumo, um norte onde as pessoas tenha acesso a condições dignas de viverem enquanto sujeitos históricos, referendados sócio-histórico e criticamente, não vai ser nesse arroubo esvairado de surto alienatório (opinião pessoal) e de falsa alegria (mais uma vez, sem querer ser maniqueista). Queremos carnaval sem cordas, sem catadores de latas, sem "fazedouras de cachorro" quentes ou com todos eles juntos mas de forma ludica sim, aí sim, de forma legitmamente lúdica, com comida, escola, saúde, habitação, saneamento, emprego, sem o estabelecimentos das contradições impostas pela sociedade neo-liberal. sem politicas de governo ou campanhas políticas em ano de eleição (quem viu Dilma no palanque mais Wagner?) mas políticas de Estado, políticas que se não podem tornar a carne negra, a pele negra mais cara, não a empobreça mais, aliás, só a negra não, a negra, abranca, a india etc.

Por isso não faço sequer análise de carnaval vendo TV. Desligo! Momentos de suspensão tomando minha cervejinha... ouvindo minha musiquinha...

Curioso! Lembrei de uma frase! Pergunte a um pobre se ele pudesse fazer algo para melhorar a vida dele e ele dirá: "Ficar rico" e não "Acabar com a pobreza"

Não dá pra querer mudar, transformar a realidade a partir da concretude fomentando as diferênças imposta pela sociedade capitalista. Ou é muito neo-marxista pro meu gosto ou no mínimo, contraditório!

Bom, mais uma vez, bloqueiros, desculpem mas essa é minha humilde opinião. Errada ou não!

Forte abraço!

Anônimo disse...

Não tenho estudo e nem capital cultural para discutir sobre capitalismo versus socialismo/comunismo, mas tenho experiência de vida, aliás, de pobreza, de contradição capitalista ( a contradição só ferra o pobre, pelo que tô percebendo ) para falar que
quando vou pular carnaval com a galera, passo uma sede danada, pois não tenho dinheiro para comprar água mineral e nem refrigerante. Então, nem posso ajudar a catadora de latinha rsrsrsrsrsrssr.
Museus, cinemas, teatros são "Et(s)" na minha realidade. Espero ansiosamente que se tornem concreto em minha vida e aí eu poderei falar das duas faces da moeda, por enquanto, só vivo uma face, só vivo uma realidade. A realidade dura de quem só fica fora da corda, mesmo quando ela é invisível.
Só quero parabenizar ao blog pelo alto nível de discussão. Senti até mesmo a falta do professor de Feira.

Kuat

PAULO KRAIDE PIEDADE (PAULOFILÉ) disse...

Meus caros Blogueiros

Alto nível, fica até difícil a gente participar, mas, vamos tentar não baixar o nível... as colocações contidas neste BLOG é uma ingestão natural de cultura da humanidade. Portanto Kuat, vc é muito importante nesse contexto, pois, apesar de se dizer conhecedor de uma lado apenas, sabe que existe o outro lado. Talvez esse o grande "cipó" para vc mudar de lado... pois, as pessoas que não tem essa visão, que, não imaginam o outro lado, ficarão por toda eternidade estagnados onde estão. E o capitalismo, apesar de cruel, permite a mudança de casta. Vc tem que acreditar em vc, no seu entorno, nos seus... não mude sozinho, ajude aos outros mudarem também, multiplique esse seu pensamento saudável às pessoas que o cercam, acredito que só assim vamos reverter a derrocada do ser humano. Chega de esperar governantes chegando em cavalos brancos alados para nos salvar. A salvação está em cada um. Religiosos ou ateus, todos podem e neste momento devem mudar as atitudes nocivas ao convívio em grupo... só assim, todos ficarão do lado bom ou do bom e do melhor... como queiram, que tem prá todo mundo é inquestionável, é só saber dividir.

Forte abraço.

PAULOFILÉ

Anônimo disse...

Olá professor Welington e demais,

Como já aprendi a fazer a postar os comentários vou realizando e recebendo minhas críticas também. Absorvendo-as e tentando modificá-las, tentando superar os limites teóricos de uso da dialética materialista. Foi muito bem vindo o comentário feito sobre minha participação.
Na verdade, quis trazer alguns elementos que poderiam ampliar o debate e não restringir a compreensão. Para a explicação das categorias "privatização" e "precarização", utilizei exemplos que, me parece, nem de perto dão conta à sua complexidade.
Sobre a importância do carnaval, enquanto dimensão propícia do licere (ser lícito), entendo-a esta como manifestação que hoje melhor traduza a subversão do controle do tempo social do trabalhador. No entanto, até mesmo essa manifestação vem sofrendo duros golpes de setores do capital.
Mas enfim... sigo aqui no esforço de exercitar a dialética materialista.

Abraços e segue abaixo uma poesia de Brecht.

Edson.


Privatizado


Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário.
E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.

Bertolt Brecht

Welington disse...

Caríssimo Edson. Quando faço um comentário aqui neste espaço é muito mais para mediar o debate do que, necessariamente, responder a esta ou aquela provocação (no bom sentido). Penso que desta forma a gente possibilita novas abordagens dos participantes e de outros e também novos aprofundamentos, já que não dá para explorarmos todas as nossas capacidades argumentativas neste ínfimo espaço. Tenho aprendido muito com vc (aqui e nas nossas andanças no mundo real) e com todos que aqui postam seus comentários. São postagens que geralmente me levam a rever as coisas, ler novamente o que tinha lido, etc, etc. Tenho sempre em mente que professor é profissão de quem estuda e deve estudar muito. Esse nosso bate-papo virtual não vai mudar o mundo. Sabemos que a revolução não será virtualizada e nem seremos nós os protagonistas. São apenas formas de exercitar nossas capacidades argumentativas e provocativas, maneiras de informar coisas, interagir em outro plano, etc, etc. E agora que vc sabe postar comentários, ganhamos todos com isso, pois é mais um a se somar a todos que aqui deixam suas idéias, sem receio de ser criticado pela crítica vazia.

Carlos Almeida disse...

Kuat

Me identifiquei muito com o seu comentário irmão e quero te dizer que também sempre estive do lado de fóra da corda, mesmo invisível, muito embora tenha sido chamado de forma distorcida de "pequeno burguês" por muitos que detêm um discurso que se impõe pela eloquência mas que na prática destoa do que falam, e ai de quem os contradiz. Estes se dizem de esquerda, mas..."é um oceano de palavras...gotas de realizações". Acredito se esse espaço mais um dos intrumentos REAIS que podem se somar a outros no que se refere a modesta tentativa de se superar alienação, o ultraje, o estupor mental a que são submetidos as pessoas na sociedade contemporãnea. Não tenho também o conhecimento teórico aprofundado do marxismo\socialimo pra isso, Eu falo de mim mesmo e da minha realidade, da luta cotidiana, das dificuldades que não foram poucas. Como dizia Djavan, "só eu sei, as esquinas por quê passei". Mas já ví muitos que detêm o dito conhecimento marxista tocar a música da docilização dos discursos quando do seu interesse pessoal, do seu BOLSO. Aí, meu caro, a conversa é bem outra, o discurso do coletivo vai por terra. Percebi também, enquanto educador, que nem sempre estudar e estudar muito é o suficiente. Ou até mesmo ter competência. Falo de conchavos, de panelinhas, de manobras e se não tenhjo como provar conheço quem têm as provas. Como não me dou a tais comportamentos, já viu! O muro fica bem mais alto...a corda então...Mas trabalho e procuro manter minha coerência afim de que o discurso não se esvazie na retórica, na falácia, ou queira se impôr pela eloquência.

Nunca joguei capoeira mas prefiro soltar o grande grito do "ÊÊÊÊÊaaaaaaa, povo preto" dos capoeiristas! Rito de ancestralidade a me por de pés no chão e me mostrar de onde vim e pra onde preciso ir! Essa conversa tenho tb com meus alunos.

Kuat, forte abraço! Prazer em conhecêlo por aqui!

Abraços a todos e todas

festival disse...

Grande Welington,

Você conseguiu fazer com que uma pessoa aversa à internet ficassem ligado neste blog. Não consigo mais entrar na internet sem fazer uma visitinha neste espaço.

Isso somente demonstra que é possível utilizar as novas tecnologias à favor de uma construção contra-hegemônica para o esporte.

Essa compreensão não cai do céu como chuva e nem brota da terra como semente que germina. Este blog é o resultado de como o teu mestrado e doutorado vem contribuindo para o processo de formação humana, quer seja dos muitos professores que estão na sala de aula (mas reconhecem que necessitam de formação continuada), como daqueles que vem se aproximando do assunto. O que comprova que o teu discurso está materializado em ações tendo como horizonte histórico o socialismo/comunimo.

Como sugestão para as próximas postagens: esporte e juventude e/ou; Jogos Escolares x condições materiais das escolas públicas.

Mais uma vez parabenizo aquele que considero meu eterno orientador.

Somente mais uma coisa: peço autorização para utilizar alguns textos seus em sala de aula.

Fortíssimo abraço!!!

Edson.

Edson disse...

Ainda aprendendo a usar... na última mensagem foi festival...Estou testando pra saber se agora vai como Edson.

Vinícius disse...

Quero fazer coro as palavras de Edson. Tomei conhecimento deste blog através de um outro, onde o mesmo está como favorito. Depois disso, sempre que posso, visito e procuro deixar minhas contribuições. Vida longa ao Welington e ao seu blog.

Vicente disse...

Olá, Vinícius quase xará. Eu também tomei conhecimento do blog em um outro site, o Blog do Cruz. E venho gostando muito da abordagem, diversidade e dos comentários que o blog tra´s. Professor Welington, o qual não conheço pessoalmente, tá de parabéns pela idéia e por oportunizar o debate. Faço coro ao vida longa.

Anônimo disse...

Welington, ao ler o comentário de Edson, pedindo autorização para utilizar alguns textos de sua autoria, percebi que há muito tempo cometo um erro terrível, pois, utilizo alguns textos ( inclusive alguns comentários do blog ) em meus coletivos e nunca pedi sua autorização. Achava que bastava falar a autoria dos textos e ponto final.


Obs: Continuo uma leitora assídua dos seus blogs, apesar de achar que o Fome do Leão não tá rugindo como antes.

Glória

Edson disse...

Glória,

O termo "pedindo autorização" é apenas uma brincadeira, afinal, ele sabe que já utilizo somente os textos dele em minhas aulas.

E outra coisa: ainda bem que não estou fazendo plágio, mas se estivesse fazendo e se ele me pedisse indenização, vou ter que vender até as calças...rsrsrsrsrs... só pra descontrair um pouco.


Forte abraço a tod@s!!!

Edson disse...

Correção: desconsiderar o termo "somente"

leia-se: "..., ele sabe que já utilizo os textos dele em minhas aulas."

Welington disse...

Muito obrigado pelas palavras de carinho e incentivo de todos vocês. Fico muito feliz e saudavelmente invaidecido em saber que tantos os textos como os comentários são utilizados em outros espaços. É bom saber que extrapolamos o plano virtual. Já ultrapassamos a barreira de 20.000 visits e page views sendo este último ultrapassa em 3.000 o visits, indicando que àqueles que passam a conhecer o blog retornam com uma certa frequência ao mesmo. Não tenho dúvida alguma que isso se deve não só aos textos mas, fundamentalmente, ao debate que ele proporciona e que vocês tornam vivos e acessíveis à outras pessoas. Isso só faz aumentar as nossas responsabilidades. Mais uma vez, um muito obrigado.

PAULO KRAIDE PIEDADE (PAULOFILÉ) disse...

Prof. Welington & Blogueiros
Boa tarde!
Que "lugar comum saudável" para acrescentarmos conhecimentos sobre o relacionamento humano. A começar pela civilidade e respeito que tenho constatado em minhas visitas por aqui, muito espaço para "compreender o outro" isto é muito legal, melhor que aceitar ou não o pensamento alheio.
O Blog do Cruz, também foi "a via" pela qual cheguei até aqui, aliás, grande Cruz, que, está "recarregando as baterias" e segundo ele, volta logo!
Hoje estou mais para leitor que qualquer outra coisa, as postagens estão muito legais, mas, não poderia deixar de manifestar minha satisfação em pertencer(me permitam...) ao seleto grupo do BLOG ESPORTEMREDE...

Abraço à todos.

PAULOFILÉ