domingo, 27 de setembro de 2009

Rio 2016: o retorno

Dia 02 de outubro, sexta-feira, conheceremos, finalmente, a cidade que abrigará os Jogos Olímpicos de 2016.

O Rio de Janeiro, como sabemos, é uma das cidades que pleitea a condição de sede dos Jogos. Supondo que seja a escolhida, a chamada Cidade Maravilhosa precisará, tomando como referência o orçamento atual, da bagatela de 38 bilhões de reais. Vou dizer de novo, por extenso: trinta e oito bilhões de reais.

Este é o valor que se encontra no Caderno de Encargos. O dinheiro servirá para os gastos com atividades fins (administração, competição, premiação entre outros e também, de infraestrutura como a de mobilidade urbana, aeroporto, etc.

Bem, como sabemos pela experiência de 2007, com o Pan-americano, este valor pode dobrar, mesmo quando observamos que ele já é um valor atualizado, ou seja, projetado para 2016 tomando como referência o ano de 2008.

Por hipótese, os Jogos nesse ano (2008) custaria vinte e oito bilhões e oitocentos milhões.

Daqui para 2016, teremos muita água rolando pelas baías poluídas do Rio. Algumas eleições municipais, estaduais e federais e os ventos sempre incertos da economia capitalista.

Em maio deste ano pautamos vários argumentos sobre este assunto (Rio 2016: vale mesmo apena?; Rio 2016: II parte e Rio 2016: III parte ), sempre argumentando contra o evento e favorável a aplicação dos recursos a questões estruturais e estruturantes do desenvolvimento humano.

O esporte, sabemos, transformou-se em uma grande mercadoria, potencializada pela quantidade de valor que podemos agregar a ela que vai desde o campo do lazer e entretenimento, passando pela área da responsabilidade e inclusão social, entrando nos aspectos do treinamento e rendimento físico entre outros.


Algum país vive em guerra? Esporte nele. Crianças vivem no mundo das drogas. Resolva o problema com doses homeopáticas de esporte. Problema de baixa autoestima? O menino e a menina não vão bem na escola? Tempo ocioso? Esporte, esporte e esporte.

Estamos (re)vivendo o que a Carmen Lúcia Soares chama de "receita e remédio para todos os males da sociedade" no seu livro Educação Física: raízes européias e Brasil.

No dia 02 de outubro, aproveitemos que é uma sexta-feira, vistamos branco e convidemos os orixás a bater um baba. Quem sabe o esporte não convence aos mesmos que o melhor para o Rio e para o Brasil é um outro direcionamento das verbas públicas?

domingo, 20 de setembro de 2009

Ave, César. Ave, Coaracy!!!

Júlio César, após várias conquistas tornou-se Cônsul Vitalício de Roma. Este título era dado aos militares que além de terem alta graduação tinham, também, grande poder político que só será perdido, obviamente, após a sua morte.

Esse poder, através dos tempos, foi sendo apropriado pelos simples mortais que, muito embora sem graduação alguma, nem tendo lutado em guerra nenhuma, se revestem de poderes políticos através do esporte nacional, tornando-se dirigentes ad eternum do mesmo.

Em função disso, em uma das nossas enquetes perguntamos aos assíduos freqüentadores do blog Esporte em Rede quanto tempo um dirigente esportivo deveria permanecer no cargo de presidente de clubes, federações e confederações.

Quatro foram as opções de voto. Vitalício, de dois anos, de quatro anos e de seis anos. Tivemos vinte e oito votos. Venceu, com 17 votos, a opção de quatro anos. 10 votaram a favor dos dois anos, 01 voto a favor dos seis anos e a opção vitalício não obteve nenhum voto.

Temos a certeza absoluta de que ao menos três pessoas não participaram da enquete. Se assim não fosse, teríamos alterado o número de votos dedicados a opção vitalício. Estou me referindo ao nosso já conhecido Ricardo Teixeira, ao senhor Coaracy Nunes e ao também eterno dirigente Gesta de Mello. Este detém o título do mais antigo dirigente a frente de uma entidade esportiva, no caso, a do atletismo. Lá está a nada mais, nada menos, do que vinte e dois longos anos.

Se vivo, creio que Júlio César também votaria a favor da vitaliciedade. Ainda assim, com este voto de um grande peso histórico, perderia. Ao menos tomando como base a nossa pouca representatividade.

De qualquer forma, ele ficaria feliz, pois perderia apenas por aqui, nesse humilde blog e ganharia na vida real, pois nesta, quando os dirigentes esportivos assumem o cargo não querem largá-lo sob nenhuma hipótese, mesmo que eles antes tenham assumido em discursos o compromisso de não ficarem por mais de uma gestão.

Foi o caso do Coaracy Nunes, reeleito sem oposição alguma no início deste ano (mês de março), para mais uma gestão frente a Confederação Brasileira de Desporto (CBDA) Aguático até 2012.

No início, era um ferrenho crítico da continuidade no poder dos dirigentes esportivos mas, foi só ganhar a sua primeira eleição em 1988, isso mesmo, 1988, que o tom do discurso mudou.

Nem Júlio César nos seus tempos áureos teve tanto apoio dos senadores romanos como teve o senhor Coaracy. Todas as 27 federações filiadas a CBDA votaram pela continuidade.

Cabe então para o senhor Coaracy, que neste momento sintetiza todos os outros dirigentes, a saudação dirigida, pelo povo, aos imperadores romanos: "Ave, Coaracy".

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Futebol e ditadura? No stress!!!


“Sorria, você está na Bahia”. “Na terra em que se faz festa no mínimo três vezes ao dia...”. “Sol, mar, muito coco e tranqüilidade”. “O torcedor baiano, com essa alegria inata...”, etc, etc. Essas e outras locuções estiveram presentes nos corações e mentes e foram verbalizadas pela maioria dos locutores esportivos que cobriram o jogo da seleção “brasileira” nessa semana que por aqui passou.
O jogo foi contra a seleção chilena.
Enquanto esta sofria os gols da seleção canarinho no estádio de pituaçu, aqui em Salvador, em Santiago do Chile, uma semana antes, o governo dos nossos irmãos latinos dava de goleada em um país chamado Brasil. Lá, ao contrário de aqui, a justiça mandou prender nada mais do que 131 ex-militares e policiais envolvidos no golpe militar ocorrido em 11 de setembro de 1973. Estão sob a mira da justiça chilena, além destes, mais 500 ex-militares que sob a batuta do Pinochet e com apoio da CIA e de governos ditatoriais da América Latina, incluindo o Brasil, implementaram um verdadeiro banho de sangue naquele país que tinha acabado de eleger, democraticamente, um governo socialista, o governo de Salvador Allende.
Entre os dias 11 ao dia 30 de setembro, mais de 300 pessoas morreram, executadas de forma covarde.
Já nessa época, a população brasileira, em sua grande maioria anestesiada, com a consciência embotada pelo lúdico alienador, cantava “Prá frente Brasil, salve a seleção”, em homenagem ao selecionado tri-campeão do mundo de futebol, desconhecendo o que acontecia nos porões da ditadura brasileira, que durou de 1964 até 1985.
Infelizmente, “No Brasil, uma parcela minoritária das Forças armadas e da opinião pública consegue, de tempos em tempos, impedir o menos indício de avivamento do debate em torno da responsabilização legal dos envolvidos nas torturas, desaparições e assassinatos cometidos por representantes do Estado durante a ditadura (...)” (CartaCapital, ano XV, n. 562, p. 24).
Quem dera se a opinião pública que tanta energia gasta nos gritos de gol pudessem encher os pulmões de ar com a indignação devida para gritar em alto e em bom som contra todos esses desmandos da política nacional e mundial, essas falcatruas e golpismos que ainda existem, de forma velada, e que a todo momento é perpetrado pela elite via mídia, seja nos entretendo com faustões entre outros, seja pautando notícias que nada tem a ver com os interesses nacionais mas, sim, com interesses de grupos que teimam em voltar ao poder e que, para tanto, fazem qualquer coisa, inclusive, despolitizam os fatos sociais essenciais para o desenvolvimento do nosso país, tal como faziam os sensores da época da ditadura, com a diferença que isso se dá mais subliminarmente e, até, semânticamente, já que segundo um editorial da Folha de São Paulo, o que houve no país não foi uma ditadura e, sim, uma "ditabranda".
Para esses, quanto mais pessoas se desviando do debate político e indo para os estádios gritarem suas angústias, decepções, sofrimentos entre outros, melhor. Buscam confundir, inclusive, na consciência dos "brazucas", o continente do conteúdo, pois ao falarmos de política, e da importância do debate, no genérico, os interlocutores verdes e amarelos dizem: política? Pra quê? É tudo igual!!!
E assim, a ARENA de antes se transforma em PDS, que se divide entre o PMDB, PSDB e o PFL, hoje DEM. O PT, retirando sua base social, reduzindo sua militância, "eleva-se" a um partido da ordem, sucumbe aos interesses mesquinhos destes mesmos ditadores, elevados a senadores da república, tudo em nome da manutenção do poder sem base social.
Sem referência política, os nossos olhos se voltam para Dunga. Felizes ficamos por Daniel Alves, baiano, entrar logo no primeiro tempo da partida. Brigamos uns contra os outros por causa da fila que não anda. Nos esquecemos rapidinho que ficamos mais de 20 anos sem ter o direito de assistir ao vivo a seleção jogar pelo desejo exclusivo de um único homem, o ditador Ricardo Teixeira.
Mas isso tudo é reflexão de gente stressada, rancorosa, que não vê nada de positivo na vida, onde tudo é negatividade. De gente quadrada que não assimilou que "redondo, é rir da vida", que não aprendeu a enxotar a tristeza com uma simples sandália havaiana e que ao invés de se preocupar com essas coisas, o melhor seria deixar "a vida nos levar".
E se você tiver a audácia de perguntar, para onde? Um moderninho de plantão tem a resposta na ponta da língua: No Stress!!!

domingo, 6 de setembro de 2009

Sobre ratos e gatos

Hoje eu ia escrever sobre o doping genêtico, dando continuidade a temática da semana passada. Mas um fato curioso me tomou a pauta e deixo a mesma para a próxima semana. Isso se não ocorrer outras surpresas de igual monta, pois estamos no Brasil, não é mesmo?

O que fez com que a pauta prevista para hoje fosse parar no rascunho do blog? A Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Não, não tem nada a ver com o jogo que a seleção fez contra a Argentina nem, tampouco com os valores dos ingressos cobrados para os brasileiros lá e cá. Mas sim, um fato simplesmente inusitado que pipocou nos principais blogs esportivos do país. Pelo menos nos mais sérios.

A CBF pode virar CBPF, Confederação Brasileira da Polícia Federal.

Brincadeiras a parte, o fato é que a CBF do eterno Ricardo Teixiera irá patrocinar um encontro, nada esportivo, da Polícia Federal (PF). Trata-se do seu IV Congresso Nacional, que ocorrerá em novembro próximo e será promovido pela Associação de Delegados da PF (CNDPF).

E o que isso tem demais? Pode está perguntando o meu nobre leitor. Explico com a ajuda do nobre jornalista José Cruz, de Brasília.

Nos diz ele que "Em 2001, durante as CPIs da CBF Nike (na Câmara dos Deputados), e a do Futebol, no Senado, policiais federais integraram um espetacular grupo de apoio aos parlamentares, ao lado de técnicos do Banco Central, do TCU, do Ministério Público e do próprio Congresso. Eles cumpriram ações para a quebra de sigilo bancário e fiscal da CBF, à época acusada de várias irregularidades." E arremata, ironicamente: "Agora, patrocinados pela entidade maior do futebol, que isenção terá a PF para cumprir, se preciso, futuras missões na Casa do Futebol?"

Que coisa i-na-cre-di-tá-vel!!! Aliás, se não estivéssemos no Brasil até que podia ser inacreditável mas...cá estamos, não é mesmo? E o nosso repórter questiona: "Que autoridade terá a Polícia Federal para cumprir novas missões que, por ventura, se fizerem necessárias na casa do futebol?"

Vejam vocês o aprofundamento da situação de descaramento em que já nos encontramos a séculos. É muita lama, esgoto puro e tudo passando a céu aberto, por bem debaixo dos nossos narizes.

Se já não bastasse patrocinar campanhas de políticos chaves do legislativo ( principalmente da bancada da bola), levar figuras influentes do Tribunal de Contas da União como componentes na delegação da seleção brasileira nos jogos pelo exterior, a CBF agora amplia as ações dos seus tentáculos trazendo para os seus domínios a Polícia Federal.

E faz tudo isso de forma bastante lúdica, como é de convir a um país reconhecido pelos seus carnavais, pelo seu samba e pelo seu futebol, pois "Além do patrocínio e do apoio para o IV CNDPF, o dirigente da CBF fez um convite aos delegados de Polícia Federal: conhecer a Granja Comary, concentração da Seleção Brasileira de Futebol. O passeio terá direito à realização de um campeonato de futebol entre os colegas e será organizado em momento oportuno, após a realização do evento de novembro".

Pois é. Quando o rato começa a fazer festa para o gato, é porque o leite deste não pode azedar, pois é dele que se faz o queijo.